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O mercado como um serviço

Já não compramos álbuns de música e poucos downloads fazemos. Assinamos um serviço que nos entrega um portfólio à medida. Fizemos isso com o entretenimento, gostamos da experiência e transpusemos o conceito para o mundo empresarial, onde o ‘as-a-service’ vai desde o software ao dispositivo, passando pela plataforma ou infra-estrutura. Mas vai tudo ser um serviço? Talvez.

O modo como as empresas consomem bens e serviços está a mudar de forma radical e é provável que nunca mais volte ao que era antes. Nos últimos anos, o modelo ‘as a service’, cuja tradução literal é ‘como um serviço’, tem vindo a ganhar cada vez mais espaço em todos os sectores, em todos os ramos de actividade e até na nossa esfera pessoal. Falamos de serviços baseados em assinaturas ou subscrições que permitem às empresas, mas também aos indivíduos, consumirem apenas o que usam versus o modelo anterior que pressupunha um investimento pesado em activos. Dita a tendência, alavancada pelas previsões dos analistas, que é muito provável que os departamentos de cadeia de abastecimento e compras sigam cada vez mais, no futuro, a direcção de um modelo XaaS: tudo como um serviço.

O conceito XaaS
O conceito XaaS é algo que associamos imediatamente à indústria das tecnologias, desde o omnipresente software ‘as a service’, até ao dispositivo como serviço e ainda, acreditem, o malware ‘as a service’. Mas os serviços baseados em assinaturas estão a alterar a forma como compramos mercadorias em todos os sectores, seja como empresa ou consumidor individual. Negócios como o da Netflix (entretenimento como serviço), Rolls Royce (motores como serviço) e até Quip (escovas de dentes como serviço, repito, escovas de dentes como um serviço) usam este modelo com sucesso significativo. Prevê-se que a tendência emergente de ofertas ‘à medida’ adquiridas pela Internet – geralmente como parte de uma assinatura – crie um mercado que exceda os 312 mil milhões de euros por ano até 2026, segundo a Research Insights.

Embora o modelo como serviço, ou serviços geridos, não seja novo, pesquisas sugerem que este conceito está no estadio inicial de um surto de crescimento exponencial. Outro relatório, agora da Markets and Markets, prevê um aumento em mais de 95 mil milhões de euros (para quase 233 mil milhões euros no total) entre 2017 e 2022, representando uma CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 11,1%.



Como de resto vimos nas tendências BYOD (traga seu próprio dispositivo) e armazenamento em nuvem pessoal (usando o Dropbox e o Google Drive no trabalho), as preferências de compra dos consumidores são os principais factores por trás da tendência de serviço. Em vez de comprar álbuns ou até downloads digitais, muitos consumidores preferem assinaturas do iTunes, Amazon Prime, Spotify, Pandora ou YouTube Premium, que lhes dão acesso a uma vasta gama de opções de músicas. Mais empresas estão a migrar para planos de assinatura para evitar o pagamento antecipado de licenças de hardware e software (CapEx). Além disso, evitam a contratação de administradores de TI para gerir tudo isto e comprar novos equipamentos a cada três a cinco anos. Uma assinatura de software (SaaS), infraestrutura (IaaS) ou plataforma (PaaS) permite que as empresas paguem uma fracção do custo e nunca precisam de se preocupar com custos de depreciação ou mão-de-obra de TI. Simplesmente podem-se concentrar em gerir os seus negócios.

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