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2019: o ano do optimismo

Regresso à “normalidade”
O ano de 2019 vai ser marcado pelo regresso a alguma “normalidade” por parte da HP Portugal. José Correia, managing director, explicou-nos que os dois últimos anos trouxeram um crescimento «pouco normal», motivado por um «forte crescimento do mercado de consumo em 2017 e do mercado de PC empresariais em 2018». Portanto, para José Correia, é expectável que se verifique «alguma correcção» desta tendência durante o ano de 2019.

Quanto a expectativas, José Correia diz ter alguma curiosidade em perceber se o ligeiro crescimento económico, e o aumento do rendimento disponível das famílias, motivados pela diminuição do desemprego e perspectivas de aumentos salariais, se irão traduzir em duas realidades. José Correia aponta «um aumento do consumo privado» e um «aumento do consumo público em ano de eleições», que irá dar «prioridade à necessária continuidade da renovação tecnológica dos últimos anos».

Para 2019, e do ponto de vista interno, José Correia receia que o abrandamento económico que se começa a sentir seja superior às previsões que conhecemos. Do ponto de vista internacional, o receio é que a escassez ou falta de disponibilidade de alguns componentes tecnológicos possa fazer abrandar o mercado de computação.

Além do digital
Lara Campos Tropa, directora da divisão de Enterprise Cross & Commercial da IBM Portugal não tem qualquer dúvida de que o ano de 2019 será o da transformação além do digital: «As tecnologias como inteligência artificial, blockchain, cloud e computação quântica vieram para ficar e para responder a desafios da humanidade que vão além do digital, criando, por exemplo no sector financeiro ou alimentar, plataformas mais transparentes, seguras e autónomas ou, na Indústria, sistemas mais rápidos e automatizados, que nos assistirão numa maior produtividade e melhor tomada de decisão».

Assim, uma das grandes expectativas de Lara Campos Tropa prende-se com a forma como a inteligência artificial vai ser construída e como chegará a determinadas conclusões com base na responsabilidade e na confiança, que permita mudar significativamente para melhorar os negócios e a sociedade: «Quem desenvolve IA terá de considerar a ética como um objectivo de negócio integrado. Aliás, somente ao incorporar princípios éticos em aplicações e processos de Inteligência Artificial podemos ter sistemas nos quais as pessoas podem confiar».

A responsável esclarece que a IBM tem uma política clara e concreta sobre a ética na IA: «Acreditamos que todas as empresas e organizações que desenvolvem ou usam ferramentas de IA, que armazenam ou processam dados, devem fazê-lo com responsabilidade e transparência. Assim, estamos focados em garantir que a IA é criada para ajudar as pessoas com impacto positivo e comprometemo-nos a desenvolver este tipo de tecnologia para aumentar a inteligência humana, não substituí-la».

As PME vão ser os principais actores
Neste novo ano, as PME nacionais vão transformar-se em ‘adopters’ de novos processos e tecnologias, que lhes permitam adequar-se a clientes cada vez mais conhecedores e exigentes, diz Ricardo Ferreira, director-geral da jp.di. «Por muito que se fale de transformação digital, a realidade é que as nossas organizações, especialmente as PME, têm alguma dificuldade em conseguir transformar-se a elas próprias, aproveitando todo o potencial que hoje a tecnologia disponibiliza», garante o responsável. Primeiro, diz Ricardo Ferreira, porque «muitas vezes se pensa que a tecnologia é a solução para todos os males». Depois, porque quando outras componentes são esquecidas, «o investimento em tecnologia é muitas vezes transformado em despesa pura sem os resultados pretendidos».

Assim, o responsável diz ser necessário que os agentes económicos percebam que investir em tecnologia é «necessário e recomendável,» mas sempre acompanhado de um «processo de gestão de mudança» que, acima de tudo, permita às pessoas dessas organizações sentirem que são ajudadas e que o seu trabalho se pode tornar mais valioso: «Temos de conseguir passar a mensagem que processos de automatização não são já suficientes. Há que reconverter as pessoas para funções de maior valor acrescentado, que sintam e vivam a tecnologia como um aliado e que se se predisponham a aprender constantemente, bem como a mudar hábitos e rotinas que por vezes as acompanham desde sempre.»

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