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Os desafios do comércio electrónico

O comércio electrónico é já uma realidade para uma significativa parte da população mundial, mas ainda está longe de se tornar a forma preferencial de comprar, especialmente em Portugal. Fizemos uma caracterização do e-commerce no País e fomos tentar perceber quais são os principais desafios que impedem que as compras online se tornarem no método de compra preferido dos portugueses.

Numa altura em que 50% da população está online, ou seja, perto de quatro mil milhões de pessoas acedem à Internet, quase metade já compra bens e serviços online. De acordo com a Statista, 1,8 mil milhões de pessoas compraram bens e serviços através da net em 2018 e este número deve chegar aos 2,1 mil milhões em 2021. Já em termos de vendas para as empresas, 2018 caracterizou-se por um volume de negócios de cerca de 2,6 biliões de euros que deverá chegar aos 4,3 biliões de euros dentro de dois anos, um valor que tem um potencial de crescimento enorme se considerarmos o crescente número de pessoas com acesso à Internet e o facto das vendas online ainda corresponderem apenas a 14,1% de todas as vendas feitas no mundo.

Quanto às categorias, o estudo Digital Economy Compass 2019 destaca a roupa e acessórios (487 milhões de euros) como a mais importante, seguida de electrónica & media (369 milhões de euros) e brinquedos (356 milhões de euros), uma categoria que deverá crescer até aos 495 milhões de euros ultrapassando em 30 milhões a electrónica & media, em 2021.

O top de países em que o e-Commerce gera mais receitas é liderado pela China. O mercado chinês teve um crescimento de 11% de 2017 para 2018, gerando 574 mil milhões de euros. Os EUA ocupam o segundo lugar com 457 mil milhões de euros, seguido pelo Reino Unido (79 mil milhões), Japão (74 mil milhões) e a Alemanha (65 mil milhões).



Já quando falamos dos dispositivos mais usados nas compras online, o Digital Economy Compass 2019, revela que o smartphone é o mais usado nos Estados Unidos (60% vs 44% com PC), no Reino Unido (48% vs 37% com PC) e Alemanha (45% vs 40% com PC).

Portugal e a Europa
Ao nível europeu, o comércio electrónico também está em crescimento. O estudo European Ecommerce Report da Ecommerce Europe diz que, em 2018, o mercado chegou aos 547 milhões de euros e que deverá crescer na ordem dos 13% para 621 milhões em 2019. Isto representa um bom ritmo quando comparado com o crescimento do PIB europeu que se deve situar, segundo o Eurostat, em 1,3% este ano. A Ecommerce Foundation esclarece, no entanto, que a maioria das receitas do comércio electrónico vieram da Europa Ocidental (66%) e apenas 23 milhões do valor de 2018 são oriundas da Europa do Leste.

Na Europa, o número de casas com Internet é de 89%, quando era de 79% em 2013 e de 70% em 2010, com 84% a indicar que usou a Internet nos últimos três meses antes da realização do inquérito da Eurostat (2018). A penetração da internet é mais alta nos Países Baixos (98%), Reino Unido (95%) e Dinamarca (94%) enquanto que Portugal está na cauda da União Europeia com 79%, estando apenas à frente da Grécia e da Bulgária. Já em relação às compras online, quer de bens quer de serviços, por partes dos europeus com idades compreendidas entre ao 16 e 74 anos, a média é de 60%, um aumento de 13% em relação a 2013. O Reino Unido está novamente na frente com 77% de utilizadores que compram online, seguido do Dinamarca com 77% e Países Baixos com 70%. Portugal, neste indicador, continua no fundo da tabela com 37% mas com um crescimento de 12 pontos percentuais em relação a 2013, segundo o Eurostat. Este desempenho apenas é melhor do que a Itália, Grécia, Cróacia, Chipe, Roménia e Bulgária.

Segundo o relatório E-commerce Report CTT 2018, o comércio electrónico em Portugal mantém a tendência de crescimento, ainda que a um ritmo mais lento do que a generalidade dos países do Sul da Europa. Em Portugal, e-commerce em 2017 alcançou um valor total de 4,2 milhões de euros, tendo aumentado para 5 mil milhões em 2018, segundo a ACEPI – Associação da Economia Digital.

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