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Organizações nacionais optam por teletrabalho e ferramentas digitais durante o surto do COVID-19

São várias as organizaçõese universidades que estão a recorrer ao digital para continuarem as suas operações, aulas e eventos.

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O teletrabalho está a ser visto por empresas em todo mundo como uma forma de mitigar os problemas trazidos pelo novo coronavírus e as empresas nacionais ou a operar em Portugal não são excepção. Além disso, diversas organizações e universidades estão a adiar eventos e aulas ou a usar todas as potencialidades do digital para fazê-los online e assim proteger os colaboradores, alunos, parceiros e clientes.

A Claranet e a Eurotux são dois exemplos de empresas que optaram pelo teletrabalho para evitar que os seus trabalhadores estejam sujeitos ao risco de apanhar a doença COVID-19.

António Miguel Ferreira, managing director da Claranet Portugal e responsável pelas operações do grupo na Ibéria e América Latina, explica a estratégia da empresa: «Temos há vários anos um plano de continuidade de negócio, que testamos regularmente. Devido à epidemia do COVID-19 vamos acionar o plano de continuidade de negócio nos próximos dias, pedindo aos nossos colaboradores que trabalhem remotamente, a partir das suas casas, para garantir que temos todas as condições para o fazer durante um período prolongado de tempo, caso venha a ser necessário».



A Claranet é também  um fornecedor de soluções de Workplace que permitem trabalho remoto e por isso, o responsável salienta ainda o auxilio dado a outras organizações: «Estamos a apoiar os nossos clientes em implementar sistemas de vídeo-conferência, comunicações e teletrabalho colaborativo, assim como a garantir a disponibilidade de computadores portáteis (laptops) e plataformas de gestão de identidade a todos os clientes que nos solicitem».

A empresa bracarense Eurotux, por seu turno, colocou, desde o início de Março, 80% dos seus colaboradores em regime de teletrabalho, para diminuir a probabilidade de contágio dentro das suas principais instalações onde actualmente trabalham mais de 50 pessoas residentes em várias cidades do Minho e Douro Litoral.

A empresa reduziu também o número de reuniões presenciais em clientes recorrendo a plataformas de reuniões remotas. Segundo o CEO da empresa, António Coutinho, «o conselho de administração da Eurotux está atento à evolução da propagação do vírus em Portugal e sente-se preparado para fechar as instalações mantendo a totalidade dos seus colaboradores a trabalhar a partir de casa».

Já a Altice Portugal intensificou plano de contingência com implementação de regime de teletrabalho para grávidas e doentes oncológicos activos. O operador reforçou a  equipa de saúde no trabalho, adiou a realização de eventos públicos como o Disruption for Brands by SAPO e Prémios SAPO e viagens aéreas.

A Primavera colocou em prática várias medidas de contingência, entre elas ter colocado dois terços dos  colaboradores em Portugal a trabalhar em regime de home office, num modelo de trabalho rotativo. As viagens estão suspensas, as reuniões presenciais com clientes e parceiros passaram a decorrer remotamente.

As medidas tomadas foram esclarecidas por José Dionísio, cofundador e co-CEO do grupo tecnológico: «Apesar de tudo, estamos preparados para conseguir manter a actividade e apoiar os nossos clientes e parceiros com a tranquilidade necessária, tendo sempre como prioridade absoluta a segurança e bem-estar da nossa comunidade de colaboradores e suas famílias, fornecedores, clientes, parceiros e comunidade envolvente. Acreditamos que se todos tomarem medidas de contingência idênticas, conseguiremos estancar a propagação do novo Coronavírus COVID-19 e contribuir para minimizar os danos na economia do país».

Ajudar as empresas
Numa vertente de facilitar a continuidade dos negócios e ajudar na gestão do surto, a Abaco Consulting desenvolveu mais aprofundadamente as ferramentas do seu produto Safemed, que funciona como um sistema de apoio à realização de processos de gestão inerentes à actividade de segurança e saúde no trabalho (STT). A solução permite às empresas gerir os seus planos de contingência, bem como o estado dos seus colaboradores.

João Moreira, CEO da Abaco Consulting, disse qual o objectivo da empresa: «Através desta solução, pretendemos possibilitar que qualquer organização, independentemente do seu tamanho, possa obter, de forma rápida e intuitiva, uma visão geral da sua situação actual e de como o COVID-19 está ou poderá a afectar os seus colaboradores. Ajudar e incentivar as empresas a tomar medidas mais seguras e que possam reduzir o risco de contágio, salvaguardando a segurança de todos, mas possibilitando, ao mesmo tempo, a sua actividade, é o que pretendemos proporcionar».

A empresa de segurança Kaspersky deixou também alguns conselhos às empresas, nomeadamente o uso de VPN e a actualização dos sistemas de protecção de vírus em todos os dispositivos para protegeram os dados: «Aconselhamos as empresas a serem particularmente cautelosas neste momento, devendo garantir que os seus colaboradores conseguem trabalhar remotamente sem comprometer a segurança da informação. O coronavírus não só já provocou o aumento do trabalho remoto, como tem suscitado o interesse dos hackers, que já ocultaram malware em ficheiros e documentos que aparentemente seriam um esclarecimento sobre a doença. Com os criminosos a aproveitarem-se desta onda de alarme, é prudente que as empresas estejam ainda mais vigilantes na proteção da sua informação».

Digital em auxílio das empresas e universidades
A empresa de gestão de talentos  Randstad adoptou medidas preventivas para evitar o contágio e assim as cerca de onze mil entrevistas mensais realizadas pelos 350 consultores em todo o país vão passar a ser feitas a partir de uma ligação de vídeo em tempo real através da solução VIDA (Video Interviews and Digital Assessments).

Inês Veloso, directora marketing e comunicação da Randstad, fala da opção pelo digital: «Acreditamos que esta solução, que já estávamos a utilizar em alguns processos, é uma medida recomendável face ao COVID-19, de forma a garantir o bem-estar dos nossos colaboradores e candidatos».

A Universidade de Lisboa, a Universidade Porto e a Universidade Coimbra, entre outras instituições de ensino superior, estão também já em regime de e-learning, assim, como a Porto Business School que anunciou que todos os alunos dos seus 21 programas de longa duração (MBAs, Pós-Graduações e Curso Geral de Gestão) terão aulas exclusivamente online, garantindo assim que continuam a poder ter acesso ininterrupto à sua formação. O dean da instuição, Ramon O’Callaghan, salienta o clima em que o País se encontra e a importância de manter as aulas para não prejudicar os alunos: «Estamos perante um período de incerteza e profundo desconhecimento sobre o impacto real que esta pandemia terá nos diferentes sectores. Ainda que não tenhamos nenhum caso de infeção ou suspeita na escola, esta é uma decisão tomada de forma antecipada, com vista a garantir a segurança dos nossos alunos e dos nossos docentes. Certos de que a quarentena ou o isolamento em casa não deve limitar a possibilidade de aprendizagem, preparámo-nos para assegurar que a educação não para e que os nossos alunos não perdem o ritmo».

Eventos online evitam adiamentos e cancelamentos
Muitos dos eventos agendados para Março e Abril tem sido cancelados e/ou adiados mas a Xpand IT e a PHC optaram por manter a agenda mas em formato digital. O evento DnA Series – Analytics & the empowerment of business users será realizado em formato webinar, no dia 18 de março, entre as 14:30h e as 15:30h. Os interessados em assistir ao evento via streaming deverão fazer o registo através deste link.

A PHC Software também anunciou que, face à evolução rápida do fenómeno do coronavírus, que o seu evento anual previsto para o dia 26 de março, em Santa Maria da Feira, para mais de mil pessoas, passará este ano para formato digital.

Ricardo Parreira, CEO da empresa, esclarece a opção tomada: «Face às notícias dos últimos dias, a concentração de pessoas dentro do mesmo espaço obriga a que se tome medidas que reduzam o risco de contágio. Neste sentido, tomámos a decisão de criar o maior e melhor evento em formato digital, onde todos os participantes poderão assistir sem terem necessidade de estar fisicamente presentes. Decidimos alterar o formato do evento deste ano e criar o primeiro PHC Open Minds em formato digital».

O eventos Business Talks de Construção da Primavera BSS, que se irias realizar nos dias 24 e 26 deste mês, passaram também a webinares para os quais se pode registar aqui. Já a Primavera Academy cancelou todas as acções de formação em sala em Lisboa e em Braga, e as mesmas serão reagendadas ou irão decorrer online, sendo que a empresa irá informar os formandos do modelo adoptado.

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