O TecSummit constituiu o primeiro dia do TecStorm, a «maior maratona tecnológica do País» que é organizada pela Junitec – Júnior Empresa do Instituto Superior Técnico. O evento deste ano teve o lema da ‘ideia à concepção’ e Mónica Abreu, membro da associação, referiu que «quase todos os percursos de inovação começam com uma ideia» e que «o TecSummit é o lugar onde uma ideia pode dar origem a uma conversa, que se pode transformar-se numa oportunidade e levar à criação de um projecto com impacto real».
Gabriela Gomes, project manager TecStorm’26, explicou que o hackathon universitário tem como objectivo «desafiar os estudantes a saírem da sala de aula para construírem soluções para problemas reais da sociedade» e que o evento que antecede a maratona «reúne estudantes, empresas, inovadores e especialistas num único espaço» já «que as ideias ganham força quando se partilham experiências e novas perspectivas».
A responsável referiu ainda que o TecSummit «é uma porta para novas oportunidades, para conhecer pessoas, fazer perguntas» e disse que na Junitec acreditam «que a inovação começa com a iniciativa, com pessoas dispostas a aparecer, a dar a sua opinião e a construir algo significativo. É disso que se trata este dia», acrescentou.
IA é uma realidade
O primeiro painel com o tema ‘From Hype to Reality: Making Sense of AI Revolution’ falou de inteligência artificial e de como esta tecnologia está a mudar o mercado de trabalho e as competências. Beatriz Costa Gomes, futures researcher da Microsoft AI, salientou que a sua equipa tem como missão estudar o impacto da IA na sociedade desmistificou a ideia de que a tecnologia vai substituir os humanos: «Não é que o trabalho ou a pessoa que será substituída, apenas algumas tarefas serão substituídas e serão mais fáceis de fazer».
Já André Alves, head of AI engineering na Noxus, revelou que a adopção de IA «é sempre um problema de transformação digital» e deu um exemplo de como, na empresa onde trabalhou anteriormente, a Fidelidade, a tecnologia serviu o propósito da automação sem despedimentos. «As pessoas passavam a maior parte do seu tempo catalogar facturas e documentos» e com a automatização desses processos a «provavelmente 90%, nenhuma dessas pessoas foi substituída». Esses colaboradores conseguem agora «responder aos clientes mais rápido» e assim melhoraram a produtividade. No entanto, deixou o alerta: «Acho que alguns empregos vão desaparecer, mas não creio que as pessoas vão ficar sem emprego. Acho que estamos apenas a passar por uma transformação».

Comunicar e pensar
A nível de competência, Beatriz Costa Gomes destacou como a mais importante é a «comunicação de ciência», que definiu como «a capacidade de explicar o teu trabalho a alguém que não faz ideia do que fazes». E indicou que esta é «uma das mais subvalorizadas», mas que é vital. Bruno Lopes e Silva, head of research and development na Railes, concordou e sublinhou que além disso, outra das skills diferenciadoras no mundo da inteligência artificial é o «pensamento crítico» e esclareceu o motivo: «É a mais importante neste momento porque estamos a entrar num mundo onde precisamos de nos adaptar rápido e aprender ainda mais rápido».
A futures researcher disse que o maior «pesadelo» da IA «é a dependência emocional das pessoas e a forma como estão a ter relações pessoais» com a tecnologia, indicando que «é muito arriscado quando se está tão dependente de algo que é falível e que não é humano». Por outro lado, André Alves avançou que é «assustador» o impacto da inteligência artificial na aprendizagem porque é «necessário experimentar, errar repetidamente e pesquisar soluções» para ter uma «verdadeira compreensão» e que a tecnologia está a «retirar o incentivo para aprender» e pode comprometer «a força de trabalho no futuro».
A responsável da Microsoft realçou que «usar a IA é como ter o melhor aluno da turma a fazer o trabalho todo» e só ir «apenas à apresentação no final». Por último, Bruno Lopes e Silva acrescentou que a «IA é uma alavanca» e que se a pessoa «tem paixão, velocidade e a mentalidade de querer fazer algo, é apenas mais uma ferramenta».
«Mentalidade de crescimento»
O painel que fechou o TecSummit falou do ecossistema de inovação e empreendedorismo e da importância de falhar rápido e aprender com isso. Francisco Sousa Machado, CRO da Bling Energy, referiu que “falhar é fundamental” e que as startups podem “fazer disso uma estratégia” e devem “alocar parte do orçamento para experimentação”. Por outro lado, o investidor em empresas pre-seed e apresentador do Podcast Bitalk, Tocha, disse que prefere o conceito de «mentalidade de crescimento» em vez do «falhar rápido» referindo que isso serve apenas «os interesses dos investidores de capital de risco». O responsável indicou que escolhe os projectos em que aposta olhando para os fundadores e o seu «conhecimento específico», algo que «só se aprende fazendo».
O outro participante na mesa-redonda, Nobert Sieczkiewicz (senior research engineer na Dyson) falou do seu exemplo como empreendedor em que fundou uma startup com amigos. Esta falhou porque «tratou os amigos como amigos e não co-fundadores» e estes «tornaram-se preguiçosos. Acho que esse foi o maior erro». Para mitigar os riscos e testar ideias de forma segura, o responsável aconselhou os participantes no evento a «criar um protótipo rudimentar» para mostrar e confirmar a validade da ideia, antes de avançar. Além disso, falou da necessidade de nas empresas serem criados «fóruns técnicos» para que as pessoas «falem sobre as suas ideias, os seus fracassos e os seus sucessos».
Francisco Sousa Machado sublinhou a importância da «cultura da empresa» e de contratar «pessoas focadas em resolver problemas», despedindo rapidamente as que não partilham a mesma visão e motivação. Tocha partilhou desta opinião dizendo que «a única forma de ter uma empresa cheia de jogadores A é apenas contratar apenas jogadores A. E assim que perceber que alguém é um jogador B ou C, é despedi-lo imediatamente». Na opinião deste responsável, só assim é possível ter uma startup de sucesso.









