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A nova guerra pelo talento cyber

A escassez de talento em cibersegurança deixou de ser o verdadeiro problema do sector. O que está em jogo é um desajuste estrutural entre as competências que o mercado produz e aquelas de que as organizações precisam para enfrentar uma guerra com variáveis como cloud, inteligência artificial, gestão de risco e a necessidade de traduzir ameaças técnicas em decisões de negócio.

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Para isso muito terá contribuído o facto de a cibersegurança ter mudado muito nos últimos anos, no seu entender. A cloud, os ambientes híbridos, a utilização crescente de inteligência artificial e novas exigências regulatórias, como a NIS2, «obrigaram as empresas a procurar perfis mais completos. Já não basta ter bons conhecimentos técnicos. É preciso compreender risco, governação, conformidade e, sobretudo, conseguir ligar a segurança ao negócio».

Na Rumos, Jorge Lopes garante que essa evolução é acompanhada de perto através da formação e certificação de profissionais de TI e cibersegurança. «E há áreas onde a procura tem crescido de forma muito clara como cloud security, gestão de risco, resposta a incidentes, segurança em ambientes híbridos e protecção de sistemas que utilizam inteligência artificial».

Mas há outra lacuna que no seu entender é igualmente crítica: a da capacidade de comunicação. «Um bom profissional de cibersegurança tem de conseguir explicar riscos técnicos a quem toma decisões de negócio. Tem de tornar claro, por exemplo, porque é que uma vulnerabilidade, uma falha de configuração ou um incidente pode ter impacto na operação, nos clientes ou na conformidade regulatória».

Por isso, salienta que muitas empresas estão a apostar mais em reskilling e upskilling, e bem. «A escassez de talento não se resolve apenas contratando mais, resolve-se também desenvolvendo melhor as pessoas que já estão nas organizações».

Profissionais de não existem
Também para Catarina Graça, people & culture executive director da Claranet, falar em escassez pode ser uma forma confortável de deslocar a responsabilidade para o mercado e afasta-a de quem contrata. Durante anos, as organizações procuraram um profissional que praticamente não existe: «alguém com dez anos de experiência numa área em constante evolução, um percurso sólido de certificações, experiência em múltiplos contextos tecnológicos, exposição aos mais variados cenários de ameaça e, ainda assim, disponível e acessível». O problema é, explica, sobretudo o desajuste entre aquilo que se procura e o que efectivamente existe, e não apenas a falta de pessoas.

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