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A nova guerra pelo talento cyber

A escassez de talento em cibersegurança deixou de ser o verdadeiro problema do sector. O que está em jogo é um desajuste estrutural entre as competências que o mercado produz e aquelas de que as organizações precisam para enfrentar uma guerra com variáveis como cloud, inteligência artificial, gestão de risco e a necessidade de traduzir ameaças técnicas em decisões de negócio.

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Rui Duro abordou ainda uma carência significativa de competências relacionadas com arquitectura de segurança cloud, protecção de ambientes híbridos, resposta a incidentes complexos, automatização de operações de segurança e governação da IA. «Em muitas organizações, o desafio já não é encontrar pessoas que saibam operar ferramentas de segurança, mas sim encontrar profissionais capazes de gerir a complexidade crescente do ecossistema digital».

Falar em escassez é confortável
David Silva, fundador e CEO da CyberX, é ainda mais directo: «Falar apenas em escassez é confortável, mas é uma leitura incompleta. Há, de facto, menos pessoas do que vagas, mas o problema mais grave não é de quantidade, é de adequação». O mercado, segundo o executivo, forma muitos profissionais com conhecimento teórico ou com certificações de entrada, e poucos com a capacidade de operar sob pressão num cenário real, onde o adversário não segue um guião. «A lacuna mais crítica que identificamos é a distância entre saber e fazer. Há candidatos que conhecem frameworks e nomes de ataques, mas que nunca exploraram uma vulnerabilidade do princípio ao fim, nunca conduziram um exercício de red team contra defesas activas, nunca tiveram de explicar a um conselho de administração porque é que aquele risco vale um investimento».

No seu entender, faltam três competências em particular: profundidade técnica genuína, pessoas que percebem o sistema, não apenas a ferramenta; pensamento ofensivo aplicado à defesa, conseguir antecipar o atacante em vez de reagir a ele; e tradução de risco para linguagem de negócio. «Esta última é talvez a mais rara e a mais valiosa, sustentou. «Um excelente técnico que não consegue justificar uma decisão de segurança a quem assina o orçamento tem metade do impacto que poderia ter». David Silva falou ainda num desajuste sectorial: o talento concentra-se nas grandes tecnológicas, enquanto quem mais precisa de protecção, PME, indústria, sectores críticos, fica exposto por não conseguir atrair nem reter quem os defenda.

Jorge Lopes, board member da Rumos Formação, reconhece que «faltam profissionais», mas também enaltece que o problema já não é apenas encontrar pessoas para preencher vagas. «O que temos visto é um desfasamento cada vez maior entre aquilo que muitas organizações precisam e as competências que estão efectivamente disponíveis no mercado».

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