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A nova guerra pelo talento cyber

A escassez de talento em cibersegurança deixou de ser o verdadeiro problema do sector. O que está em jogo é um desajuste estrutural entre as competências que o mercado produz e aquelas de que as organizações precisam para enfrentar uma guerra com variáveis como cloud, inteligência artificial, gestão de risco e a necessidade de traduzir ameaças técnicas em decisões de negócio.

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Tal verifica-se, por exemplo, em áreas como Incident Response, Cloud, IA, Forensics, Auditoria e Compliance ou Remediação, «nas quais são necessários cada vez mais especialistas que possam gerir e regular aquilo que a maioria das novas ferramentas já o faz de forma automática, mas que ainda obriga a controlo, afinação e correcção humana».

Na V-Valley, além dos acordos com fabricantes que disponibilizam soluções «cada vez mais automatizadas, que permitem mitigar parcialmente a falta de recursos», Ricardo Pinto assume um forte investimento na área de serviços profissionais e SOC, «que visam exactamente suprir a falta de recursos, tanto dos nossos parceiros, como dos seus clientes finais».

Panorama é global
Verifica-se uma escassez de talento em cibersegurança que, convém realçar, não se sente apenas a nível nacional, é sentida no panorama global, relembrou Luís Martins, director-geral da Prosegur Cybersecurity Portugal. Ainda assim, diz tratar-se de um fenómeno que é particularmente desafiante em Portugal. «Temos profissionais muito competentes e talentosos, mas enfrentamos a concorrência de empresas de fora de Portugal, nomeadamente na sequência da pandemia e com a normalização do trabalho remoto, que passaram a recrutar de forma mais activa os nossos melhores talentos». Do ponto de vista dos profissionais, «além de receberem propostas que financeiramente são mais atractivas, nem têm de sair do país para trabalharem para as empresas internacionais».

Para Hugo Mestre, executive director & head of Devoteam Cyber Trust, a escassez de profissionais de cibersegurança é real, mas – lá está mais um ‘mas’ – o verdadeiro desafio é um desajuste estrutural profundo. «Existe um fosso entre as competências que o mercado continua a produzir e aquelas que as organizações realmente necessitam para responder aos riscos actuais e futuros».

Munido de dados da ‘Cybersecurity Skills Academy’ da Comissão Europeia, Hugo Mestre relembra que a União Europeia enfrenta um défice próximo dos 300 mil profissionais de cibersegurança. «No entanto, o problema mais crítico não é quantitativo, mas sim qualitativo», assegura. «Durante anos, o mercado formou especialistas focados quase exclusivamente na componente tecnológica e operacional. Hoje, as organizações procuram profissionais capazes de integrar cibersegurança, gestão de risco, contexto regulatório e objectivos de negócio».

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