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A nova guerra pelo talento cyber

A escassez de talento em cibersegurança deixou de ser o verdadeiro problema do sector. O que está em jogo é um desajuste estrutural entre as competências que o mercado produz e aquelas de que as organizações precisam para enfrentar uma guerra com variáveis como cloud, inteligência artificial, gestão de risco e a necessidade de traduzir ameaças técnicas em decisões de negócio.

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Para o especialista, «não basta dominar ferramentas ou processos técnicos». As empresas precisam de talento capaz de traduzir vulnerabilidades técnicas, falhas de arquitectura, riscos na cadeia de fornecimento ou exposições na cloud em impacto financeiro, operacional e reputacional. «Esta capacidade de transformar informação técnica em suporte à tomada de decisão executiva continua a ser uma das maiores lacunas do mercado».

As necessidades mais evidentes, no entender de Hugo Mestre, situam-se em áreas como segurança na cloud, segurança aplicacional, gestão de identidades e acessos, gestão de risco de terceiros, protecção de dados e arquitectura segura (security by design). Paralelamente, admite existir uma competência frequentemente subvalorizada, mas cada vez mais crítica: a capacidade de pensar de forma adversarial.

Cenário de ameaças volátil
Rui Duro, country manager para Portugal da Check Point Software, vai no mesmo sentido. «Quando falamos de talento em cibersegurança, a tendência é olhar apenas para a escassez de profissionais. Mas essa já não é a questão principal. O verdadeiro desafio é que muitas organizações estão a procurar competências para um cenário de ameaças que já não existe».

A superfície de ataque, segundo o executivo, expandiu-se drasticamente com a cloud, os ambientes híbridos, a inteligência artificial e a crescente interligação entre sistemas. Ao mesmo tempo, «os cibercriminosos estão a utilizar automação e IA para aumentar a escala e a sofisticação dos ataques. Isto significa que as empresas precisam de profissionais com um perfil muito diferente daquele que era suficiente há apenas alguns anos».

As lacunas mais críticas surgem, nas suas palavras, «precisamente na intersecção entre segurança, cloud, inteligência artificial e gestão de risco. Continuamos a precisar de especialistas técnicos, mas há uma procura crescente por profissionais capazes de compreender o negócio, interpretar ameaças em contexto e tomar decisões que conciliem segurança, operação e crescimento».

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