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IA começa a fazer negócios 

Os agentes inteligentes prometem ser a próxima grande revolução da inteligência artificial. Capazes de executar tarefas, coordenar processos e tomar decisões, estão a preparar as empresas para uma nova forma de trabalhar, na qual a IA deixa de apenas responder para passar efectivamente a agir.

© DC Studio - Magnific.com

O mundo está a atravessar uma inflexão real, comparável em profundidade à chegada da Internet ou da computação em nuvem. Durante anos, a Inteligência Artificial foi essencialmente um copiloto que aumentava a capacidade humana, acelerava decisões e simplificava processos. Era poderosa, mas continuava dependente de alguém que a accionasse, interpretasse os resultados e agisse sobre eles. Os agentes inteligentes mudam este paradigma de forma fundamental, defende João Anastácio, managing director, Data & AI Lead da Accenture. A IA deixa, assim, de ser um recurso consultado e passa a ser um actor que age, delega, coordena e conclui trabalho de forma autónoma, dentro de um perímetro definido e com objectivos claros. «Na prática, o que muda é estrutural.

Quando a IA executa e não apenas recomenda, o tempo entre intenção e resultado colapsa. Processos que dependiam de múltiplas intervenções humanas para avançar passam a ter um sistema nervoso autónomo que os conduz do início ao fim, chamando as pessoas apenas quando é necessário decidir ou validar», disse à businessIT. Isto tem implicações directas na forma como as organizações se estruturam, como definem papéis, como medem a produtividade e como gerem o risco. «A própria natureza do trabalho muda, porque parte substancial da execução deixa de consumir tempo humano e liberta as pessoas para o que exige julgamento, criatividade e relação». O director admite que a pergunta deixa de ser «que ferramenta uso?» e passa a ser «que trabalho quero que um agente faça em meu nome?».

Na Accenture, João Anastácio refere que os clientes já começam a ter arquitecturas multiagente implementadas em contextos muito diversos, com agentes especializados que colaboram entre si e coordenam tarefas complexas. «O potencial é enorme, mas convém temperar o entusiasmo com rigor. A condição de base é clara. A confiança no agente tem de ser construída, não assumida, e essa confiança ganha-se com transparência, controlo e resultados demonstráveis ao longo do tempo».

Tecnologia evolui num ritmo sem precedentes
A questão passa agora mais por perceber se as empresas estão preparadas para trabalhar com agentes inteligentes, argumenta Cristina Freixo, Innovation Labs & Portfolio director da Claranet Portugal. De uma forma geral, a Claranet acredita que muitas empresas portuguesas já dispõem das fundações tecnológicas necessárias para iniciar esta jornada: infra-estruturas cloud, plataformas de dados, integração entre sistemas e arquitecturas modernas são hoje uma realidade em muitas organizações e constituem a base para escalar agentes inteligentes de forma segura e fiável. No entanto, lembra que «a tecnologia está a evoluir a um ritmo sem precedentes e o acesso aos modelos mais avançados democratiza-se rapidamente. A vantagem competitiva deixará, por isso, de estar no acesso à tecnologia e passará para a capacidade das organizações de integrarem a tecnologia na forma como operam».

É precisamente aqui que os agentes representam, no seu entender, uma mudança de paradigma. «Deixamos de utilizar a IA apenas como uma ferramenta de apoio e passamos a integrá-la na execução dos próprios processos de negócio». Cristina Freixo fala então na exigência de repensar processos, estabelecer modelos de governance e desenvolver literacia em IA para que as pessoas saibam colaborar eficazmente com estes novos modelos de trabalho. «É neste contexto que entendemos uma estratégia AI-first: não como a adopção indiscriminada de IA, mas como a capacidade de transformar a IA numa competência transversal da organização, integrada na sua cultura e na forma como as pessoas trabalham, colaboram e tomam decisões». No futuro, defende a especialista, os agentes representarão uma nova forma de desenhar organizações e a vantagem competitiva estará na capacidade de integrar essa transformação no ADN da empresa.

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