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IA começa a fazer negócios 

Os agentes inteligentes prometem ser a próxima grande revolução da inteligência artificial. Capazes de executar tarefas, coordenar processos e tomar decisões, estão a preparar as empresas para uma nova forma de trabalhar, na qual a IA deixa de apenas responder para passar efectivamente a agir.

© DC Studio - Magnific.com

Alucinações podem ser mitigadas
É um facto que, nos últimos anos, a inteligência artificial evoluiu de modelos generativos para sistemas capazes de planear, decidir e executar tarefas de forma autónoma. Mas até que ponto os agentes inteligentes representam uma mudança estrutural na forma como as empresas irão funcionar? Ana Costa e Silva, AI strategist do INESC TEC, e Pedro Senna, business developer do INESC TEC, admitem que há grande entusiasmo nos meios empresariais a nível global em adoptar a IA, ainda que sejam relativamente poucas as empresas que podem afirmar que o fizeram com sucesso. «No INESC TEC, temos o gosto de observar esse entusiasmo de perto nas nossas parcerias com empresas e temos ajudado várias a caminhar nesse sentido».

Os especialistas argumentam que aspectos como as alucinações podem ser mitigados e medidos de modo a conseguir uma fiabilidade relativa dos resultados, com práticas cruciais como a observabilidade, a governância adequada, a inclusão de humanos no processo de verificação e uma engenharia de IA cuidadosa. «A dificuldade, porém, reside na complexidade dos processos, qual “spaghetti”, que muitas empresas têm». Ou seja, as empresas que têm dados e processos organizados, ou que os conseguem vir a ter, têm uma oportunidade real de atingir vantagens competitivas importantes, quer em termos de eficiência, quer em termos de abertura de novas fontes de rendimento. «Vantagens essas temporárias, claro, pois as outras depressa acompanharão e os processos baseados em IA eventualmente tornar-se-ão a norma e não a excepção».

A Gartner prevê que, até 2028, 90% das aquisições B2B serão intermediadas por agentes de IA. Protocolos de interacção entre agentes como o A2A, que permitem diálogos entre funções intra e interentidades, bem como aquele que mais fascina os dois especialistas do INESC TEC, o ANP (agent network protocol), procuram levar esta lógica para uma rede aberta de agentes, com mecanismos de identidade, descoberta, negociação e comunicação segura. «Imagine a sua empresa a ser representada por um agente ANP que interage com outros agentes para programar a sua viagem de sonho à Namíbia, incluindo voos, hotéis, táxis, tours; ou a sua empresa a interagir com outros agentes para planear toda a logística da compra dos materiais necessários à produção do mês, desde encontrar o fornecedor certo e o melhor preço, considerando as suas restrições e preferências, até coordenar o transporte, o desalfandegamento, a hora de entrega, o pagamento e a margem de lucro. Consegue imaginar o que isto fará à eficiência e eficácia das empresas?», questionam Ana Costa e Silva e Pedro Senna.

Nos projectos mais recentes entre o INESC TEC e as empresas portuguesas, os especialistas apontam para uma «maturidade industrial global em níveis de início de estruturação dos seus activos digitais», com muitas empresas em processo de compreensão das suas arquitecturas de dados e fontes de recolha. Curiosamente, Ana Costa e Silva e Pedro Senna elucidam que não se tem observado tanto uma falta de aquisição de dados, uma vez que muitas empresas investiram em digitalização e actualização dos seus equipamentos produtivos na passada década, mas sim uma falta de entendimento da potencialidade dos dados recolhidos e de uma estratégia clara de utilização destes dados para melhorar os processos produtivos e administrativos das entidades. «A mudança estrutural que é expectável através dos agentes inteligentes beneficia de uma análise estratégica e cuidadosa dos objectivos de negócio das entidades e do seu alinhamento com as fontes/relações de dados recolhidos ao longo da cadeia de valor, de modo a que agentes inteligentes possam ter as melhores fontes de dados ao nível da qualidade e, portanto, possam fornecer as respostas atempadas, com maior eficácia e direccionadas às intenções de melhoria das entidades».

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