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IA começa a fazer negócios 

Os agentes inteligentes prometem ser a próxima grande revolução da inteligência artificial. Capazes de executar tarefas, coordenar processos e tomar decisões, estão a preparar as empresas para uma nova forma de trabalhar, na qual a IA deixa de apenas responder para passar efectivamente a agir.

© DC Studio - Magnific.com

O objectivo, diz Ayise Trigueiros, não é substituir o julgamento humano, mas assegurar que pessoas e agentes colaboram de forma eficaz, cada um contribuindo com as capacidades que melhor domina. «Em suma, a confiança em agentes inteligentes não se constrói no momento da implementação. Constrói-se muito antes, através de dados de qualidade, governação sólida, integrações semânticas robustas e supervisão adequada. Em última análise, a questão não é saber se um agente consegue executar uma tarefa, mas se a organização está preparada para lhe confiar essa responsabilidade. E essa confiança não nasce do modelo de IA. Nasce da qualidade dos dados, da clareza da governação, da robustez das integrações e da capacidade de preservar o julgamento humano onde ele continua a ser indispensável».

O papel da IA no processo de trabalho
A Microsoft vê esta evolução como o início de uma nova fase na transformação digital das organizações. «Não se trata apenas de uma evolução incremental da IA generativa, mas de uma mudança na forma como o trabalho é desenhado, executado e gerido», comentou à businessIT André Mestre, Cloud & AI sales lead na Microsoft Portugal. Se a primeira fase da IA generativa foi sobretudo marcada pela capacidade de responder a perguntas, gerar conteúdos ou apoiar tarefas individuais, a nova geração de agentes introduz uma dimensão diferente, com a capacidade de planear, executar, coordenar e concluir fluxos de trabalho com orientação humana, dentro de limites definidos e com mecanismos de controlo, segurança e governação. «O Microsoft Work Trend Index 2026 identifica quatro padrões de colaboração entre pessoas e agentes: author, editor, director e orchestrator, que mostram esta passagem de uma IA que apoia tarefas pontuais para uma IA que participa em workflows mais estruturados».

A diferença essencial, diz André Mestre, está precisamente no papel da IA no processo de trabalho. «Nas soluções de IA generativa que conhecemos hoje, o utilizador coloca um pedido e recebe uma resposta ou um primeiro resultado. Nos agentes, o ponto de partida é mais ambicioso: a pessoa define o objectivo, o contexto e os critérios, e a IA pode executar uma sequência de passos, trabalhar com dados e sistemas de negócio, produzir resultados e sinalizar excepções, sempre dentro de limites definidos e com supervisão humana nos pontos críticos. Isto não reduz a importância da intervenção humana». Pelo contrário, reforça o especialista, transforma-a. «O uso de agentes reduz o tempo dedicado a tarefas repetitivas e de baixo valor acrescentado, permitindo às pessoas concentrarem-se mais na definição de objectivos, na tomada de decisão, na criatividade e na supervisão dos resultados».

Esta é uma mudança que André Mestre considera particularmente relevante para as empresas porque desloca o debate da ferramenta para o modelo operativo. O Work Trend Index 2026 mostra que a principal limitação já não é aquilo que as pessoas são capazes de fazer com IA, mas a forma como o trabalho está estruturado à sua volta, pelo que a transformação depende cada vez mais da capacidade das organizações de redesenhar processos, cultura e práticas de liderança. «Neste sentido, a nova geração de agentes distingue-se porque tem maior autonomia operacional, executando trabalho em múltiplas etapas; é mais contextual, fundamentada nos dados, conhecimento e prioridades da organização; e exige uma camada robusta de governação, identidade, permissões, observabilidade e supervisão humana. É neste contexto que ferramentas como o Copilot Cowork surgem, para ajudar as organizações a evoluir de tarefas isoladas com IA para trabalho coordenado, em múltiplas etapas e orientado para resultados, mantendo a execução dirigida e controlada, com o humano no centro». Assim, no entender de André Mestre, a pergunta já não é «temos acesso à IA?», mas «como desenhamos o trabalho em torno da IA?». Ou seja, defende que o que fará a diferença não será apenas a disponibilidade da tecnologia, mas a forma como cada organização a integra nos seus processos, nas suas equipas e na sua cultura de decisão.

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