A inovação é um factor essencial para a competitividade e sustentabilidade das empresas, não sendo apenas uma questão de crescimento ou de competitividade, mas sim de sobrevivência, especialmente no actual contexto político e geopolítico, defende Sílvia Garcia, administradora da Agência Nacional da Inovação. Esta é uma visão apoiada por documentos estratégicos europeus, como o Relatório Draghi, o Relatório Letta e a Competitiveness Deal, bem como pelos discursos da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: «É nisto tudo que nos temos de focar», diz a executiva.
Mas afinal, o que é ‘inovação’? Para Sílvia Garcia, a resposta é simples: «Não é nada mais que colocar o conhecimento ao serviço da sociedade, da economia e do planeta. É através deste conhecimento que conseguimos sobreviver».
A chave para este processo está, para a administradora da ANI, na criação de impacto e na transferência de conhecimento, assente em quatro pilares fundamentais. O primeiro é a colaboração e cooperação entre empresas, universidades, administração pública e sociedade, num trabalho conjunto em prol de um objectivo comum: «Temos de deixar de lado os egos. Não podemos ser a soma de egos, temos de ser um conjunto que trabalha para um futuro comum».
O segundo é a capacitação para inovar: «As empresas precisam de compreender o que é inovar, e as universidades precisam de saber transformar a investigação e desenvolvimento em impacto real na sociedade». O terceiro ponto passa pela definição de prioridades a médio e longo prazo, encarando a inovação como um factor estratégico nas organizações: «A inovação tem que ser discutida ao nível dos conselhos de administração, porque é uma questão de sobrevivência». O quarto elemento essencial é o investimento, tanto financeiro como humano: «O problema hoje nem é a falta de financiamento, porque existem apoios disponíveis em grande quantidade. A questão é como é que conseguimos executá-los».
Dar escala a novas soluções
«A inovação é algo intrínseco a cada um de nós e temos obrigação de a estimular», defendeu João Rui Ferreira, secretário de Estado da Economia, na conferência de lançamento da 3.ª Edição do Prémio Nacional de Inovação. Adoptando uma visão pragmática, o responsável sublinhou que é preciso conceber, desenvolver, distribuir e dar escala a novas soluções, sempre com o foco no valor acrescentado: «Se conseguimos responder consecutivamente às perguntas ‘como?’, ‘para quem?’ e ‘o quê?’, conseguimos encontrar os factores que desencadeiam a inovação e determinar o impacto que têm nas diversas áreas da actividade económica».