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Inovação não é uma questão de competitividade, mas de sobrevivência

Inovar deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição essencial à sobrevivência de empresas, sectores e países. O desafio, dizem empresários, governantes e académicos, já não está apenas em crescer, mas em continuar a existir.

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Outro avanço importante é a monitorização em tempo real da operação, com análise detalhada do desempenho dos circuitos e da utilização dos contentores: «Nos próximos tempos, vamos começar a ver mais contentores de acesso condicionado, que funcionam com um cartão ou uma chave electrónica, para incentivar a separação dos resíduos orgânicos», anunciou.

Os resíduos orgânicos recolhidos são transformados num correctivo agrícola de alta qualidade, certificado para agricultura biológica, comercializado sob a marca Nutrimais. «Há poucas organizações na Europa a fazer isto, mas a Lipor conseguiu inovar e criar valor a partir do que muitos ainda chamam lixo», destacou José Manuel Ribeiro.

A plataforma Wayte também permitirá implementar o sistema PAYT – Pay As You Throw, um modelo de tarifação que incentiva a redução de resíduos. «O PAYT introduz um princípio de justiça: quem gera menos resíduos, paga menos. A isto se chama justiça», concluiu José Manuel Ribeiro.

Sogrape leva o Douro ao metaverso
Outro exemplo é o da Sogrape que, com 83 anos, mantém a aposta na inovação para reforçar a presença das suas marcas e criar novas experiências para os consumidores, como é disso exemplo o projecto ‘Douro no Metaverso’. «Provavelmente, um dos movimentos de inovação mais bem-sucedidos em Portugal foi o Mateus Rosé. Criado em plena Segunda Guerra Mundial, num momento em que os mercados estavam fechados, com uma garrafa e um conceito disruptivo, tornou-se num ícone global. Essa ousadia faz parte do nosso ADN», sublinhou André Campos, chief transformation officer.

A Sogrape, que exporta para 120 países e tem presença directa em oito mercados, detém marcas de referência como Mateus, Sandeman, Ferreira e Barca Velha. Nos últimos anos, tem reforçado a aposta em projectos de inovação interna, parcerias com universidades e startups, e na sua própria vertente de investimento, o Sogrape Ventures, lançado em 2023 para apoiar startups que impulsionem a inovação no sector.

O projecto surgiu da necessidade de ultrapassar uma limitação típica do enoturismo no Porto e em Vila Nova de Gaia. «Recebemos centenas de milhares de turistas por ano nas caves da Sandeman, da Ferreira e de tantas outras marcas, e no final há sempre quem pergunte: e as vinhas, onde é que estão as uvas? A realidade é que estão a uma hora ou mais de distância, o que impede muitos visitantes de conhecerem o Douro», explicou André Campos.