Tomando como exemplo o sector da cortiça, João Rui Ferreira ilustrou como a inovação foi determinante na transformação da indústria nos últimos vinte anos:s «O sector apenas se conseguiu reinventar porque houve um espírito de inovação constante, desde o desenvolvimento de novos produtos e processos até à inovação nos modelos de negócio e na comunicação».
Nesta linha, o secretário de Estado da Economia salientou a relevância do Prémio Nacional de Inovação como «impulsionador de redes de colaboração entre empresas, centros de investigação e outros agentes económicos». Contudo, João Rui Ferreira admitiu haver algum “risco” de Portugal e da Europa ficarem para trás na corrida global pela inovação e pela tecnologia: «A competitividade passou a ser a palavra-chave para a Europa. Não se trata apenas de acompanharmos as tendências, trata-se de criarmos valor através de soluções que respondam às necessidades da sociedade e que reforcem a posição de Portugal no contexto internacional».
Portugal é inovador moderado
No European Innovation Scoreboard, Portugal é classificado como um ‘país de inovação moderada’, com um desempenho equivalente a 83,5% da média da União Europeia. Por cá, o investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) atinge, hoje, cerca de 1,7% do PIB, ainda abaixo da média europeia de 2,3%: «Se queremos um Portugal mais inovador, mais competitivo e mais preparado para os desafios do futuro, temos de acelerar este processo de transformação», justificou João Rui Ferreira que, entre os pontos positivos, destacou o crescimento do número de recursos humanos dedicados à I&D: «Actualmente, temos 14,7 pessoas por cada mil habitantes activos a trabalhar em actividades de investigação, já ao nível da média europeia». No entanto, a taxa de patentes em Portugal ainda está muito aquém das 152,8, que é a média da Europa: 31,4 por milhão de habitantes
Neste contexto, o reforço da transferência de conhecimento entre universidades e empresas é apontado como uma prioridade pelo governante: «Temos um investimento de 186 milhões de euros no PRR para laboratórios colaborativos e centros de inovação, impactando mais de 8600 empresas. Mas este é um esforço que precisa de escala e continuidade».
Outro ponto sublinhado foi o aumento da participação de Portugal no programa Horizonte Europa, onde o país ultrapassou os 1,1 mil milhões de euros captados, superando os valores do programa anterior: «As empresas já representam 30% do financiamento, o que demonstra uma crescente capacidade para competir num contexto internacional exigente».









