Por tudo isto, Pedro Oliveira apelou à adopção rápida e consciente da inteligência artificial: «A única dimensão onde a Europa está a liderar é na regulação e isto é preocupante. Se queremos competir globalmente, precisamo-nos de focar na inovação, e isso só será possível se adoptarmos estas ferramentas e desenvolvermos literacia digital».
Lipor e o seu Wayte
Vamos a exemplos concretos de inovação. A plataforma Wayte, desenvolvida pela Lipor, associação intermunicipal responsável pela gestão de resíduos de oito municípios do Grande Porto, é tipicamente apresentada como um case study. O desenvolvimento do projecto Wayte, que se baseia numa plataforma de business intelligence, começou em 2016 com um levantamento detalhado sobre os circuitos de recolha nos municípios associados da Lipor, entidade que gere os resíduos de um milhão de pessoas no Grande Porto: «À época, os circuitos não eram monitorizados. Tínhamos apenas um dado: o peso recolhido. Não sabíamos mais nada», explicou José Manuel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da Lipor.
Além disso, os poucos registos existentes eram feitos «manualmente», o que gerava «ineficiências e perdas de informação». A solução, que já está a ser igualmente implementada na Galiza, passou pela introdução de tecnologia RFID, que permite monitorizar, em tempo real, as operações de recolha: «Começámos a testar o modelo de dados em 2017, criámos o data center e, em 2018, avançámos com os primeiros pilotos», revelou. Em 2019, para complementar os dados recolhidos pelas viaturas, foi desenvolvida uma aplicação móvel que permitia registar recolhas, fotografias e alertas, bem como integrar informação sobre os clientes.
Os resultados começaram a surgir rapidamente. Em 2020, o Wayte foi reconhecido como uma boa prática pela European Circular Economy Stakeholder Platform, reforçando o seu impacto no sector: «Quatro anos depois do momento zero, conseguimos este reconhecimento. E, em 2024, com o lançamento da nova versão da plataforma, fomos premiados com o Prémio Nacional de Inovação do Sector Público», destacou o responsável.
Uma ferramenta essencial para mudar comportamentos
Além da vertente operacional, José Manuel Ribeiro sublinhou a importância da tecnologia para influenciar o comportamento dos cidadãos: «A maior parte dos casos de insucesso na gestão de resíduos acontece porque os sistemas não percebem a importância de estudar o comportamento humano. Só conseguimos convencer as pessoas se percebermos as suas motivações».
Através do Wayte, a Lipor consegue analisar taxas de participação no sistema porta-a-porta, que já abrange trezentas mil pessoas na região. «É a zona mais avançada de Portugal, neste modelo. E saber como as pessoas aderem é crítico, caso contrário, estamos apenas a enganar-nos», alertou.









