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Inovação não é uma questão de competitividade, mas de sobrevivência

Inovar deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição essencial à sobrevivência de empresas, sectores e países. O desafio, dizem empresários, governantes e académicos, já não está apenas em crescer, mas em continuar a existir.

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Para João Rui Ferreira, a inovação deve ser desenvolvida em redes, ligando sectores distintos da economia: «A solução para o problema de um sector pode estar no sector vizinho. Portugal tem de apostar mais nesta interconexão».

Inovação e a IA
Falar de inovação implica, necessariamente, trazer para cima da mesa o tema da inteligência artificial, lembra Pedro Oliveira, dean da Nova SBE, que demonstra uma visão particularmente optimista sobre o impacto da IA no emprego. Esta é uma postura sustentada pelos números divulgados num estudo do World Economic Forum: a IA pode substituir cerca de 92 milhões de empregos, mas, em contrapartida, criará aproximadamente 170 milhões de novas oportunidades de trabalho.

Para o professor da Nova SBE, o impacto da IA generativa já se faz, efectivamente, sentir, com «68% das organizações globais a reportarem melhorias significativas nos seus processos de inovação, eficiência operacional e gestão de risco graças a estas tecnologias». Além disso, e ainda citando o estudo do World Economic Forum, relembra que «74% dos empregadores afirmaram que estas iniciativas superaram as expectativas no que respeita ao retorno sobre o investimento».

Pedro Oliveira alertou, no entanto, para os desafios que a Europa enfrenta nesta área: «42% dos líderes identificam a conformidade regulatória como um dos principais riscos associados à inteligência artificial», referiu, apontando que o AI Act pode ser um entrave à competitividade das empresas europeias face às norte-americanas e asiáticas.

Um apelo à adopção rápida e consciente da IA
Para ilustrar o potencial da inteligência artificial na inovação, Pedro Oliveira apresentou exemplos concretos de como a tecnologia pode acelerar processos e fomentar a criação de soluções disruptivas. Um dos casos abordados foi o de Tal Golesworthy, um engenheiro que, após ser diagnosticado com síndrome de Marfan e receber um prognóstico reservado, desenvolveu um dispositivo médico para prevenir a ruptura da sua aorta, levando posteriormente a inovação ao mercado: «Se Tal tivesse este problema hoje, poderia recorrer a ferramentas de IA generativa para desenvolver um suporte aórtico ainda mais eficiente», explicou.

Outro caso foi o de Hans Jørgen Wiberg, um dinamarquês com deficiência visual, que criou a plataforma Be My Eyes, ligando voluntários a pessoas cegas que precisavam de assistência visual: «Com a inteligência artificial, esta solução evoluiu para o Be My AI, permitindo que uma tecnologia descreva o ambiente em tempo real e facilite a navegação, reduzindo a necessidade de intervenção humana».