A DE-CIX apresentou um estudo sobre a latência em Portugal e Ivo Ivanov explicou que existe um mito que ligado a que uma maior largura de banda vai trazer Internet sem falhas quando isso não é necessariamente verdade. «Velocidade não é sinónimo de uma melhor experiência» e, muitas vezes, há falhas, disse o responsável. O CEO fez uma analogia com um cano de água, em que ter um cano mais largo (que representa a maior largura de banda) não significa necessariamente que se vai obter muita água se a pressão no cano não for suficiente e explicou que as falhas que ocorrem estão «relacionadas com fraquezas do routing e da latência da rede».
O relatório da DE-CIX, realizado pela Netsonda a 600 utilizadores, mostra isso mesmo. Assim, 81% dos inquiridos acredita que uma maior velocidade de Internet melhora a qualidade global da sua experiência online. No entanto, que muitos utilizadores continuam a enfrentar problemas sendo que 24% reportam falhas mensais, 15% semanais e 7% mensais. O porta-voz da DE-CIX, que apresentou o estudo, referiu que as maiores falhas acontecem no «vídeo on demand, streaming de música (34%), quando estão a navegar na internet (Web browsing com 29%) e em chamadas e videochamadas através de várias aplicações (27%) e mesmo o live streaming (26%). Já no que diz respeito ao que as pessoas consideram ser a razão desses problemas, a percepção é que se deve à «sobrecarga da rede» com 37% dos inquiridos a referir esse facto e a «problemas do Wi-Fi em casa» com 26% a dar esse motivo.
Estabilidade acima de tudo
Segundo o porta-voz da DE-CIX, «as pessoas privilegiam muito a estabilidade da rede, mais até do que a velocidade» e «46% considera que a sua ligação é bastante estável» e outros 46% refere ser «de alguma forma estável». No entanto, apenas «1/4 considera que está a receber tudo aquilo que paga».
Quando questionados sobre o que esperam ao actualizar para um pacote de fibra de alta velocidade, os inquiridos classificaram uma ligação mais estável em primeiro lugar, (53%), seguida de perto por um melhor desempenho quando múltiplos dispositivos estão ligados (51%). Downloads mais rápidos surgem apenas em terceiro lugar, com 42%.
O estudo mostra ainda que a actualização nem sempre resolve os problemas já 13% diz que os problemas continuam a ocorrer ou que não viu qualquer melhoria com um pacote de fibra mais rápida.
Quando questionados sobre a quem atribuem a culpa pelos problemas enfrentados, 39% aponta para os prestadores de serviços de Internet (ISP) e 28% para o congestionamento geral da Internet. Por isso, não é surpreendente que quase metade (45%) dos inquiridos tenha manifestado surpresa ao saber que muitos dos problemas com atrasos dependem não apenas da velocidade, mas também da forma como os dados viajam através da infraestrutura da Internet antes de chegarem às suas casas.
Ivo Ivanov referiu que prevê que a latência seguirá o mesmo caminho da largura de banda, ou seja, a «medição através de ferramentas certificadas» para os utilizadores poderem reclamar caso não corresponda ao que foi contratado. O responsável acredita que o primeiro ISP que garantir métricas de latência ou oferecer um serviço Zero Lag, vai ganhar «uma enorme vantagem competitiva no mercado» já que dados do estudo mostra que «1 em cada 4 utilizadores já está disposto a pagar mais para ter uma garantia de menor latência e ausência de atrasos».
Um crescimento sustentado
Ivo Ivanov partilhou resultados globais da empresa com um aumento de 3,3% das receitas: «O crescimento que vemos na DE-CIX a nível global tornou-se estrutural».
Em 2025, a empresa ligava «4300 redes» em todo o mundo, processando «220 Tbps de capacidade», um «boom impulsionado pela cloud e a IA». Em 2026, o operador de Internet Exchange já viu «um crescimento de 10%» nas redes conectadas chegando «a quase 4700» e um «aumento da capacidade para 242 Tbps», indicou o CEO.
O responsável referiu ainda outros marcos do ano passado como a expansão massiva da capacidade em 120% e a introdução da «primeira porta 800GE».
Sobre a DE-CIX no Sul da Europa, Ivo Ivanov destacou que «já não são o edge, mas o «core e a porta de entrada digital» com «mais de 500 ligações de rede em toda a região», «17 locais interligados em Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia». Este elevado crescimento vai continuar a ser impulsionado «pelo desenvolvimento da inteligência artificial, da cloud de infraestruturas soberanas».
Península ibérica em destaque
Ivo Ivanov classificou a Península Ibérica como a primeira e única «capital digital distribuída do mundo», descrevendo que é formada um por triângulo entre Lisboa, Madrid e Barcelona com «mais de 100 data centres, mais de 800 redes conectadas e sendo o «ponto de amarração de 35 cabos submarinos». O responsável realçou que Espanha é o «acelerador e a ponte terrestre directa para a Europa Continental» e que Portugal é «porta de entrada de conectividade para o Atlântico», sendo que as rotas directas para o «Brasil e América Latina» têm promovido «a rota Sul-Sul».
Sobre Portugal, onde a DE-CIX tem operação desde 2019, o tráfego de dados cresceu 13%, no ano passado, ultrapassando a marca dos 100 Gigabits, e a capacidade aumentou 122%. Lisboa é o polo mais importante com «mais de 60 redes conectadas»
Sobre as perspectivas do mercado português, CEO mostrou-se muito optimista referindo o impacto da infraestrutura digital na economia de Portugal, que se prevê ir ter um contributo de «quase 27 mil milhões de euros para o PIB nacional entre 2025 e 2030» e «criar cerca de 50 mil novos postos de trabalho directos e indirectos».
Tendo em consideração que o futuro passa pela IA, o responsável referiu que a rede da DE-CIX em Lisboa já está plenamente adaptada para treinos e inferência de inteligência artificial através do AI-IX e alertou para a necessidade de levar a infraestrutura ao resto do País, não senso apenas disponibilizada em Lisboa. Porto e Sines.









