Reportagem

IBM Technology Summit: Portugal no mapa quântico

A segunda edição do IBM Technology Summit Porto debateu o impacto da IA, a evolução da infra-estrutura digital e o futuro da computação quântica. O encontro foi marcado por um equilíbrio entre prudência e ambição e pela convicção de que Portugal pode ter um papel central no novo ciclo tecnológico.

© IBM

«A computação quântica vai mudar as nossas vidas completamente e vamos conseguir atingir áreas que até hoje eram impossíveis sequer de pensar nelas como uma realidade». A afirmação de Ricardo Martinho, presidente da IBM Portugal, marcou o arranque do IBM Technology Summit Porto, que regressou ao Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões para a sua segunda edição.

Na intervenção inaugural, Ricardo Martinho destacou a rapidez da evolução tecnológica e apontou duas prioridades estratégicas para as empresas: integrar novas ferramentas com as já existentes e apostar em soluções abertas. «Não dá para substituirmos tudo aquilo que temos hoje em termos tecnológicos nas nossas empresas e, portanto, pormos tudo de novo. Isso é impraticável. É fundamental que consigamos conciliar este tipo de integração», afirmou, defendendo a abordagem de cloud híbrida da IBM.

O presidente da IBM Portugal exemplificou o impacto crescente da inteligência artificial, em particular da nova geração de agentes digitais. «Podemos olhar para o agente como sendo um colaborador digital», explicou, sublinhando que estas ferramentas ultrapassam os limites dos assistentes tradicionais e permitem atingir objectivos complexos de forma autónoma.

A importância da abertura tecnológica foi outro dos temas centrais. Ricardo Martinho lembrou que os modelos Granite da IBM são baseados em open standards, permitindo às empresas construir os seus próprios modelos e diferenciarem-se. «Se estivermos todos a usar o mesmo modelo, vamos ter as mesmas respostas às perguntas que fazemos. É fundamental que eu consiga utilizar de uma forma segura, governada, toda a informação própria, junta com a informação disponível nestes modelos, de uma forma rápida e que consiga tirar daí o máximo proveito».

Ao abordar a computação quântica – área em que a IBM reclama ser líder mundial –, recordou o lançamento do System 2 e o objectivo de criar, até 2029, um supercomputador com mais de cem mil qubits e tolerante a falhas. E deixou um anúncio ambicioso: «Estimamos atingir a vantagem quântica já em 2026. Ou seja, vamos conseguir, na prática, resolver problemas que não são possíveis de resolver pela computação clássica».

Um centro de computação quântica em Portugal
Foi neste contexto que Ricardo Martinho partilhou um objectivo pessoal: trazer um centro de computação quântica para Portugal. «Acho que Portugal é o típico exemplo de um país que pode tirar o máximo partido deste novo paradigma da computação», afirmou, elogiando a qualidade do talento nacional e defendendo a necessidade de criar condições para o reter. «É necessária estabilidade política e uma iniciativa nacional, envolvendo universidades, empresas e institutos de investigação», defendeu.