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Data trust: um longo caminho para a confiança dos dados

O conceito de ‘data trust’ promete relançar a economia global de dados, tornando-a responsável e focada na privacidade. Se, antes, o objectivo era tirar o máximo partido dos dados, agora os especialistas falam, sobretudo, na qualidade e na fiabilidade das informações recolhidas. Empresas como a Oracle, o SAS ou a IBM são unânimes em afirmar que há, ainda, um longo caminho a percorrer.

Pietro Jeng/Unsplash

Promover a colaboração segura
A visão da Oracle define data trust como uma «framework de governance para gestão dos dados, estabelecida entre um prestador de serviços e o proprietário dos dados». Trata-se de um acordo que permite «promover uma colaboração segura através da privacidade dos dados, seguindo um conjunto de regras bem definidas e podendo ainda, funcionar como uma zona segura para o armazenamento e partilha de informação», Rodrigo Vasques Jorge, technology country leader da Oracle em Portugal. Para este executivo, a gestão de todo o ciclo de vida dos dados é uma responsabilidade significativa, que requer conhecimentos especializados e um conjunto alargado de controlos. «O Data Trust permite às empresas transferir o esforço necessário para uma gestão mais segura e ágil, facilitando o cumprimento das obrigações legais impostas, por exemplo, pelo RGPD na comunidade europeia».

Para estar em conformidade, Rodrigo Vasques Jorge enfatiza que as organizações precisam pensar em segurança e privacidade desde o primeiro dia e considerá-las para a tomada de decisão sempre que lançarem um novo produto ou serviço ou expandirem para um novo mercado. «Um dos activos mais importantes das organizações é a informação, e houve uma tendência para obter o máximo de dados, o que não se traduzia em qualidade».

Segurança dos dados ainda não é prioridade
Apesar da crescente preocupação com a segurança dos dados, esta temática ainda não é vista como uma estratégia nas empresas, diz Rodrigo Vasques Jorge. Embora o RGPD da UE estabeleça normas de protecção de dados e a necessidade de ter um responsável por esta gestão, o Oracle tem «vindo a assistir a uma carência, por parte das organizações, de ferramentas específicas para protecção de dados, bem como, dos conhecimentos técnicos necessários para manusear essas ferramentas de forma eficaz».