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Os desafios de uma saúde (cada vez mais) digital

As organizações de saúde, públicas e privadas, continuam a lutar para responder à pandemia da COVID-19 e adaptar as suas operações para cumprir outros aspectos da sua missão de assistência. No entanto, há que começar a definir e preparar o futuro deste sector no meio de incertezas económicas, reguladoras e sociais. Como será o panorama pós-COVID-19?

Tom Claes/Unsplash

A COVID-19 provou, um pouco por todo o mundo, como os sistemas de saúde podem rapidamente implementar novas tecnologias e modelos de atendimento, definindo como prioridade a Internet e os serviços domésticos em escala. Neste momento, defendem os especialistas, estamos num ponto sem retorno: ninguém quer voltar ao ‘status quo’ anterior. Este desejo de mudança em todo o sistema de saúde representa uma oportunidade para as empresas de tecnologia médica apresentarem soluções inovadoras.

Uma mesa redonda organizada pela Scottsdale Institute, uma instituição sem fins lucrativos de proeminentes sistemas de saúde, juntou vários directores de informação desta área que foram unânimes ao afirmarem que a COVID-19 enalteceu a necessidade de os pacientes precisarem de tempos de resposta rápidos para discutir questões de saúde, onde quer que estejam, em qualquer plataforma.

Responder às mudanças nas expectativas dos cidadãos exige ir além do «mais do mesmo», diziam estes profissionais. De acordo com análises do Fórum Económico Mundial e da McKinsey, a adopção da telessaúde explodiu, passando de 11% dos consumidores, que a utilizavam em 2019, para 46%, em Abril de 2020. Os prestadores de cuidados lidam agora com uma agenda de saúde digital, onde a tecnologia da informação enfrenta os desafios e oportunidades neste “novo normal”.

O que é a saúde digital?
O amplo âmbito do termo ‘saúde digital’ inclui categorias como ‘saúde móvel’ (mHealth), ‘tecnologia da informação em saúde’ (TI), ‘wearables’, ‘telessaúde’ e ‘telemedicina’ e ‘medicina personalizada’. De aplicações a softwares médicos, que apoiam as decisões clínicas, até à inteligência artificial e à aprendizagem de máquina, a tecnologia digital tem impulsionado uma verdadeira revolução na área de saúde.

«As ferramentas digitais neste sector têm um vasto potencial para melhorar a capacidade de diagnosticar e tratar doenças com precisão e melhorar a prestação de cuidados de saúde para o indivíduo», explicou à businessIT Edgar Silva, consultor na área de eSaúde. «As tecnologias digitais de saúde usam plataformas de computação, conectividade, software e sensores para cuidados de saúde e usos relacionados. Essas tecnologias abrangem uma ampla gama de usos, desde aplicações de bem-estar geral até aplicações como dispositivos médicos».

Segundo o consultor, as ferramentas digitais dão aos profissionais uma visão mais holística da saúde do paciente através do acesso a dados e, aos pacientes, um maior controlo: «A saúde digital oferece oportunidades reais para melhorar os resultados médicos e aumentar a eficiência». Edgar Silva defende que o uso de tecnologias, como smartphones, redes sociais e aplicações móveis, não está apenas a mudar a forma como nos comunicamos, mas também a proporcionar formas inovadoras de monitorizar a nossa saúde e bem-estar e nos dar mais acesso às informações. «Em conjunto, esses avanços estão a levar a uma convergência de pessoas, informações, tecnologia e conectividade para melhorar os cuidados de saúde e os resultados da saúde».

Cuidados virtuais
O facto de a adopção da telessaúde ter aumentado tão rapidamente demonstra «a mudança sísmica na forma como os consumidores interagem com os prestadores de saúde – e este ano certamente revelou o impacto da tecnologia como um facilitador da continuidade da saúde», diz Edgar Silva. Soluções escalonáveis ​​e de acesso fácil, em qualquer lugar e a qualquer hora, que têm impacto positivo na eficiência operacional e na economia de custos, serão o que as práticas e os sistemas nacionais de saúde terão de implementar para manter o ritmo em 2021 e além, defende o especialista.

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