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Indra compra espanhola SIA e divisão da Symantec é vendida à Accenture

Em menos de seis meses, a asiática Broadcom compra a divisão de cibersecurity da Symantec e... vende-a à Accenture. Entretanto, a Indra compra a SIA e fortalece a sua posição na Península Ibérica. Janeiro foi pródigo em negócios de cibersegurança.

Network security system perforated paper padlock

Janeiro tem sido um mês particularmente intenso em negócios de cibersegurança, com duas operações a marcaram a actualidade: primeiro, a confirmação da surpreendente decisão da asiática Broadcom em vender os serviços de segurança empresarial da Symantec à Accenture, menos de seis meses após a sua compra. A segunda foi a compra da SIA pela Indra, que torna a consultora no grupo mais proeminente em segurança cibernética na Península Ibérica.

Mas vamos ao primeiro negócio. Menos de seis meses após formalizar a compra da divisão de segurança da Symantec, a Broadcom anunciou, na primeira semana de 2020, a venda desta área à Accenture, por um valor não informado.

Segundo um comunicado da Accenture, o negócio deve estar finalizado até Março deste ano, com os trezentos colaboradores da antiga companhia a serem integrados na nova equipa. A consultora irá assim acrescentar ao seu portfólio soluções voltadas à segurança corporativa, como monitorização e análise de ameaças globais e indicação de ameaças internas, seja no sector de hardware ou software.

Com a inclusão dos negócios de serviços de segurança cibernética da Symantec, «a Accenture Security passa a oferecer um dos serviços geridos mais abrangentes para corporações globais, a fim de detectar e gerir ameaças de segurança cibernética voltadas para as suas empresas», afirma no comunicado a CEO Julie Sweet.

Nos últimos cinco anos a Accenture adquiriu diversas empresas de cibersegurança, entre as quais a Deja vu Security, iDefense , Maglan , Redcore , Arismore e FusionX. No ano fiscal de 2019, a consultora investiu quase 1,2 mil milhões de dólares em 33 aquisições em áreas estratégicas.

Indra mais forte na Ibéria
Mesmo aqui ao lado, a espanhola Indra ‘sacou’ do livro de cheques para fortalecer o negócio de segurança cibernética, uma área crítica e em plena transformação digital de instituições, privadas e públicas, em todo o mundo. A empresa presidida por Fernando Abril-Martorell anunciou a aquisição da SIA – Sistemas Informáticos Abiertos, uma referência no mercado espanhol pelas suas soluções de identidade digital e assinatura electrónica. As empresas não divulgaram o valor da compra, mas fontes financeiras consultadas pelo jornal Cinco Dias avançam com valores entre os 70 e os 75 milhões de euros.

A SIA, criada em 1989 e hoje com setecentos trabalhadores, é uma empresa familiar, controlada em 89,86% pelos irmãos Santiago, Enrique e Adolfo Palomares del Amo. Os três serão recompensados ​​em torno de 65 milhões de euros. O restante das ações da empresa é detido por José Luis Reyes Boti (5,82%) e Eduardo López Rebollal (4,32%), que receberão 4,3 e 3,2 milhões de euros com a compra, respectivamente.

Segundo fontes do mercado, a compra do SIA permite à Indra criar uma entidade de cibersegurança no Minsait que factura cerca de cem milhões de euros por ano. Um número que soma os atuais negócios de cibersegurança da Indra, que totalizam cerca de quarenta milhões, e a facturação da SIA, que totalizou sessenta milhões em 2019, com um crescimento acumulado de vendas anuais superior a 15% nos últimos dois anos, de acordo com os dados fornecidos pela empresa compradora. O múltiplo EV/EBIT 2019 (estimado) da aquisição, incluindo sinergias, é de cerca de sete vezes, disse a Indra.