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INSIGHTS 2018: data science e IA estão a mudar os negócios

DSPA – Data Science Portuguese Association organizou a sua primeira conferência, o INSIGHTS 2018, na reitoria da Universidade Nova de Lisboa e mostrou como a ciência dos dados e a inteligência artificial (IA) estão a ajudar as organizações a melhorarem processos e os responsáveis a tomarem melhores decisões de negócio. 

Foi com casa cheia que a DSPA deu início ao seu primeiro evento institucional. Fernando Matos, presidente da associação, referiu que a organização iniciou a sua actividade há «cerca de seis meses» com o objectivo de «desenvolver, potenciar, capacitar e promover a ciência dos dados para um mundo melhor» e que conta agora «com cerca de duzentos associados».

Durante a apresentação, o responsável, que é também co-fundador da Closer, mencionou que «todas as empresas precisam dos dados e de insights para melhorarem os seus negócios» e revelou alguns dados de um estudo feito pela DSPA. De acordo com o inquérito, 73% das companhias estão a dar os primeiros passos em data science e só 36% dos executivos sabem o que é a ciência dos dados.

Segundo Fernando Matos, «existe uma grande diferença entre os líderes dos negócios e cientistas de dados» e a sua associação quer exactamente «construir uma ponte para minimizar esse fosso» de forma a «envolver os decisores nos projectos» e «trazer resultados mais úteis às empresas».

O presidente da associação disse que é necessário que as organizações se tornem «data-driven» e que acredita que «a ciência dos dados será a maior fonte de negócio das companhias». O executivo indicou ainda a importância de «se fazer as perguntas certas» para conseguir «validar os projectos, ter sucesso e conseguir bons resultados».

A importância dos dados

Durante a manhã, Fernando Bação, professor e subdirector da Nova IMS, falou da importância dos conjuntos de dados para trazer inovação às empresas. O docente referiu que «não são os algoritmos que geram conhecimento mas sim os conjuntos de dados» e que é importante «ter os dados apropriados ou os resultados poderão não ser relevantes». O docente terminou a sua intervenção indicando que «melhores dados vão conduzir a melhores decisões» nas organizações.

A industrialização do data science foi o tema da intervenção de Harry Powell, director of corporate analytics da Jaguar Land Rover. O responsável revelou que, para si, a industrialização quer dizer «como os projectos de data science podem trazer negócio e criar valor para as empresas». Harry Powell levantou ainda uma questão: «Como se aplicam os dados e a chamada tecnologia Google às companhias que não foram feitas para tal, que têm trezentos anos?». O executivo disse que é uma questão de «colaboração entre as diversas áreas da companhia, os cientistas de dados e a liderança» e que «os CEO têm de aprender mais sobre análise e a ciência dos dados». Além disso, os «profissionais têm de saber transformar o seu centro de custo numa área de geração de receita» e os «líderes das companhias devem colaborar com os cientistas de dados para que possam ter insights para imaginar novos modelos de negócio» e assim «terem empresas mais produtivas».

IA deve ser usada para o bem da sociedade

Inteligência artificial é uma coisa boa, mas é preciso ter cuidado. Esta é a mensagem de Cortnie Abercrombie, fundadora da AI Thruth e antiga responsável de projectos na área de inteligência artificial na IBM. A executiva alertou para os perigos da tecnologia e indicou que muito das investigações e projectos de IA e recolha de dados têm boas intenções, mas nunca se sabe que outras organizações vão ter acesso e usar essa informação. É por isso que se deve «questionar tudo» e ter «cuidado» para que não «sejam os algoritmos a decidir por nós».

Manuel Dias, director enterprise technical sales & AI ambassador da Microsoft, falou do futuro da inteligência artificial e revelou alguns projectos da companhia como o Seeing AI, uma app grátis para pessoas invisuais ou com visibilidade reduzida que através de IA descreve outras pessoas, fotografias e objectos ajudando quem não vê no seu dia-a-dia.

«Até 2020, cada um de nós no planeta, em média, vai produzir 1,7 MB de informação por segundo» referiu o executivo. Isto irá gerar «um potencial enorme» para a ciência de dados e para a inteligência artificial.

Para o director de vendas da Microsoft, a automação do treino dos algoritmos vai acontecer rapidamente e em 2020, 40% das tarefas de data science serão automáticas e haverá um grande uso de redes de deep learning. Mas mais que tudo, no futuro, a computação quântica vai ser vital. Manuel Dias acredita que esse tipo de computação «vai mudar o que conseguimos fazer drasticamente», por exemplo «na saúde e na segurança», e vai criar «verdadeira inovação».

No entanto, esta tecnologia ainda está a «dar os primeiros passos». Mas o embaixador adverte que o «grande desafio é passar da teoria à práctica» e «para isso é preciso ter «computadores quânticos que trabalhem de outra forma», já que agora «qualquer interferência eléctrica ou magnética pode alterar os cálculos». Este é o obstáculo que terá de ser ultrapassado e a Microsoft já está a trabalhar nesse sentido, revelou.

O papel dos dados na liderança das empresas

No painel que reuniu CEO de empresas nacionais e multinacionais, foi discutido de que forma os CEO e os data scientists podem interagir para melhorar a produtividade e a relevância dos dados.

Dulce Matos, responsável do ActivoBank disse que «os dados são um tema muito importante na área da banca», dado que «permitem tomar melhores decisões» mas que «liderança é visão e ambição» e em que «a inteligência emocional é muito importante».

Já Paulo Pereira da Silva (Renova) acredita que «os dados estão em todo lado e que não podemos escapar-lhes» e que «é importante ter um culto de ciência nas empresas» de forma a conseguir «inovar e trazer novidades ao mercado».

Os dados são uma constante na vida de Pedro Afonso, CEO da Axians Portugal: «Não posso precisar quanto tempo passo com dados porque acredito que é sempre». O executivo acrescentou que «a diferença entre hoje e há vinte anos é que os negócios são mais suportados por dados mas é quem lidera que tem de fazer a ligação entre todos os pontos para que seja possível criar valor para os clientes e para os negócios».

A CEO da Microsoft, Paula Panarra, referiu que «os dados estão em tudo o que fazemos» e que é muito importante aferir a sua «qualidade» pois caso contrário os resultados serão incorrectos, dado que «quando entra lixo, sai lixo». A responsável indicou ainda que é preciso criar uma «cultura de dados nas empresas portuguesas» e que «os dados sem contexto, sem emoção não são nada». Assim, «só as pessoas têm capacidade de desbloquear os dados». Esta visão foi partilhada por todos os CEO presentes que concordaram que sem os seus colaboradores, o sucesso das suas companhias não era possível.

Para Steven Braekeveldt, CEO Continental Europe Ageas & CEO Grupo Ageas Portugal, os dados estão na génese dos seguros. «Os dados são parte integrante da nossa companhia» e que o ramo segurador está especialmente atento aos «avanços tecnológicos dado o impacto que vão ter nos seguros».

O executivo falou dos exemplos do IoT e dos carros autónomos e da forma como estes vão alterar profundamente os modelos de negócios das seguradoras. A responsável da Microsoft referiu ainda como há cada vez «melhores ferramentas» de análise de dados para ajudar todos aqueles que não são especialistas a terem melhores insights, como é o caso de muitos CEO, e assim tomarem melhores decisões. Paula Panarra esclareceu ainda que é necessário que as companhias tenham «colaboradores que façam as perguntas certas» pois «só dessa forma é possível haver avanços e inovação».

Sobre o que associações como a DSPA podem fazer para a evolução da ciência dos dados nas organizações, todos os intervenientes foram unânimes em afirmar que deve ajudar a que a inteligência artificial e os dados sejam usados para o bem, colaborando com as empresas para uma sociedade melhor. Esta foi aliás a mensagem de todo o INSIGHTS 2018:que as entidades, quer públicas, quer as privadas, devem usar sempre o data science e a IA para melhorar o mundo.

 

 

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Fã de tecnologia, gosta especialmente de tudo o que esteja relacionado com automóveis e mobile. Além disso é apaixonada pelo Star Wars.