A Securitas Portugal celebra 60 anos e, ao longo da sua operação, tem evoluído o seu modelo de negócio. Susana Fernandes, directora da área de tecnologia da empresa, faz um balanço da actividade e fala das mudanças que têm acontecido: «A nossa história começou na vigilância humana tradicional, mas fomos evoluindo continuamente para responder às mudanças do mercado, dos riscos e das expectativas dos clientes. Hoje, somos uma empresa de soluções integradas de segurança, onde pessoas, tecnologia, dados e processos trabalham em conjunto para proteger organizações cada vez mais complexas».
Já o country president da Securitas Portugal, Frederico Paiva, reforça esta mensagem, indicando que «a tecnologia deixou de ser um mero complemento à vigilância humana para se assumir como o núcleo da estratégia». A responsável avança ainda que o «maior legado» foi «a capacidade de se reinventar» e salienta o motivo: «Mantivemos o propósito que nos define, ajudar a tornar o mundo um lugar mais seguro, mas transformámos profundamente a forma como o concretizamos. É essa capacidade de adaptação que nos permite olhar para o futuro com ambição e confiança».
IA é cada vez mais rentável
A empresa estima encerrar o exercício fiscal deste ano «com uma facturação a rondar os 151 milhões de euros». Segundo a Securitas, este desempenho corresponde à «transição de um modelo de vigilância tradicional para uma era de prevenção inteligente, onde a digitalização e a inteligência artificial já alcançaram 75% da rentabilidade prevista para este ano». Frederico Paiva realça esta aposta: «Ao integrarmos inteligência artificial e análise de dados, estamos não só a redefinir o que significa proteger os nossos clientes, mas também a garantir uma maior escalabilidade e rentabilidade da nossa operação».
Susana Fernandes corrobora isso mesmo e refere como esta evolução tem ocorrido: «A tecnologia tem vindo a ganhar um peso crescente no nosso negócio ao longo da última década, mas a aceleração foi particularmente evidente nos últimos anos, acompanhando a evolução dos riscos, a digitalização das organizações e a procura crescente por soluções mais inteligentes e integradas».Por outro lado, a responsável sublinha que o mercado «deixou de procurar apenas segurança reactiva» e hoje procura «capacidade de prevenção, monitorização em tempo real, análise de dados, automação de processos e informação que apoie a tomada de decisão». É neste contexto que as «soluções tecnológicas, aliadas à inteligência artificial e à capacidade de transformar dados em conhecimento accionável, assumem um papel cada vez mais relevante na criação de valor e na rentabilidade do negócio». Assim, a directora da área de tecnologia não tem dúvidas de que a tendência é que «o crescimento do sector será cada vez mais impulsionado pela combinação entre presença humana especializada e tecnologia inteligente».
SOC, o motor da operação
O Securitas Operation Center (SOC) «é o centro nevrálgico da operação», destaca Susana Fernandes. Este «funciona como uma plataforma integrada que combina equipas especializadas, tecnologia avançada, processos estruturados e análise de dados para permitir uma gestão centralizada e inteligente da segurança». A responsável acrescenta que o SOC «recebe, integra e correlaciona informação proveniente de diversas fontes, como sistemas de videovigilância, controlo de acessos, sensores IoT, alarmística, sistemas de localização, plataformas operacionais e outras fontes de dados ligadas ao ambiente do cliente. Desta forma, cria uma visão única e em tempo real da operação e dos potenciais riscos».
Por outro lado, a «inteligência artificial e a analítica avançada permitem identificar padrões, anomalias e comportamentos de risco, reduzir falsos positivos, automatizar a classificação de eventos e priorizar situações que exigem intervenção». Assim, a tecnologia «consegue detectar automaticamente intrusões, permanências indevidas, movimentos suspeitos, violações de perímetro ou padrões anómalos antes mesmo de serem identificados por uma pessoa». No entanto, «embora a tecnologia consiga gerar alertas, recomendações e antecipar potenciais riscos, as decisões operacionais críticas continuam a ser validadas pelos especialistas do SOC, garantindo que a inovação tecnológica é sempre complementada pela experiência humana». A responsável sublinha que «o objectivo não é substituir o factor humano, mas aumentar significativamente a capacidade de antecipação, a qualidade da decisão e a eficácia da resposta».
Novas competências
Esta mudança no modelo de negócio está a levar a uma alteração das competências, como refere a directora: «Estamos a assistir à maior transformação da indústria da segurança das últimas décadas. O profissional de segurança já não trabalha apenas com procedimentos físicos ou vigilância tradicional. Competências como utilização de plataformas digitais, análise de informação, operação de sistemas inteligentes, interpretação de dados, ciber-consciência, gestão remota de incidentes e interacção com soluções baseadas em inteligência artificial são cada vez mais valorizadas».
É por isso que a formação «é uma prioridade estratégica», como avança a responsável: «Temos investido fortemente em programas de capacitação tecnológica, desenvolvimento de competências digitais e iniciativas de aprendizagem contínua, preparando as nossas equipas para trabalharem com novas ferramentas e tecnologias. Acreditamos que o futuro da segurança passa pela combinação de talento humano, conhecimento especializado e tecnologia. O investimento nas pessoas continuará a ser tão importante quanto o investimento nas soluções tecnológicas».
O futuro passa pela IA
A Securitas Portugal tem actualmente uma quota de mercado de 12% e acredita que esta aposta em soluções inteligentes será determinante para continuar a crescer, já que estas «serão um dos principais factores de diferenciação competitiva do sector». Susana Fernandes esclarece que a tecnologia permite responder às «necessidades dos clientes», além de «entrar em novas áreas de actividade e responder a desafios que a vigilância tradicional, por si só, não resolveria». A «ambição é continuar a crescer através de uma proposta de valor diferenciadora, onde a combinação entre pessoas, tecnologia, inteligência e inovação permita criar soluções mais completas e mais relevantes para os clientes».
Sobre o roadmap de IA na Securitas Portugal para os próximos anos, Susana Fernandes revela que «o maior impacto virá da convergência entre prevenção inteligente, automação operacional e utilização avançada de dados. A evolução da inteligência artificial permitirá passar de modelos predominantemente reactivos para modelos cada vez mais preditivos. Isso significa identificar riscos antes de ocorrerem, automatizar processos de monitorização, optimizar recursos e melhorar continuamente a tomada de decisão».
As áreas a que estão «particularmente atentos» são «o desenvolvimento de analítica avançada de vídeo, detecção inteligente de comportamentos de risco, plataformas de operações assistidas por IA, gestão integrada de múltiplas fontes de dados e soluções que transformem informação operacional em inteligência de negócio para os clientes».
No futuro, a responsável acredita que a segurança «será cada vez mais baseada em inteligência, dados e capacidade preditiva. E é precisamente nesse caminho que a Securitas continuará a investir para reforçar o seu papel como parceiro de referência em soluções de segurança integradas».









