Reportagem

Fujitsu: a cibersegurança não é isolada, «é um ecossistema»

A empresa oficializou a colaboração com o clube de futebol SL Benfica num evento que decorreu no Estádio da Luz, em Lisboa. A Fujitsu revelou que a cibersegurança «é um ecossistema» e que a resiliência se «constrói todos os dias».

João Figueiredo © SLB

A Fujitsu anunciou que é Official Cybersecurity Partner do Sport Lisboa (SL) e Benfica, numa conferência que representou «a formalização» de uma parceria de «três anos», como referiu Alexandre Ferreira, director-geral da Fujitsu Portugal. O responsável assumiu que a empresa vai agora «continuar a reforçar a segurança, proteger os activos críticos e apoiar o Benfica na promoção de uma cultura de ciber-resiliência».

À businessIT, João Figueiredo (head of enterprise cyber security da Fujitsu Portugal) explicou que a estratégia da empresa passa por «responder ao mercado com necessidades específicas de cibersegurança», desenhando «soluções à medida do cliente» em vez de apresentar «soluções fechadas». O Benfica «gostou da abordagem», celebraram um contrato e, durante esse período, a Fujitsu teve oportunidade de provar o seu «valor e a capacidade de entregar com qualidade». O novo passo da aliança traduziu-se no reconhecimento como parceiro oficial de cibersegurança e o responsável realçou as mais-valias da colaboração: «Claramente, o Benfica desafia-nos. É um constante desafio que nos obriga também a crescer, obriga-nos a apresentar soluções com maiores dinâmicas e maior capacidade diária de evoluir».

A empresa e o clube têm reuniões regulares onde revêm o que está a ser feito, indicou João Figueiredo: «O Benfica tem uma dinâmica muito própria em termos daquilo que são as suas áreas de negócio e, portanto, desenhamos, refazemos, aprovamos, implementamos e revemos, num processo de melhoria contínua. Temos a parte de security operation services 24/7, DevSecOps, aplicacional, de monitorização activa, análise forense, que é única em Portugal e, por isso, temos aqui um ecossistema com muita capilaridade».

Líderes têm de decidir
O director-geral de Política de Defesa Nacional do Ministério da Defesa Nacional, Tenente-General Nuno Lemos Pires, falou de liderança, explicando que um líder «tem de conhecer as pessoas»; «tem de partilhar informação, delegar e confiar»; «pedir conselhos e opiniões» aos seus colaboradores; «estabelecer objectivos claros e alcançáveis»; além de ser «transparente, não exagerar ou desvalorizar os colaboradores, não inibir a iniciativa e preferir o respeito por parte dos colaboradores ao medo».

O responsável criticou a cultura de hesitação, afirmando que um líder tem o dever de decidir sempre com «risco calculado», já que «a pior coisa que acontece é quando quem é decisor não quer decidir». E sublinhou que, «em Portugal, há um clima de gente indecisa». O Tenente-General usou as missões em que participou como exemplo do que deve fazer um líder, referindo que ter um objectivo final claro é importante, já que «quando o end state está mal definido, corre tudo mal», e destacou que «não há segurança sem desenvolvimento e não há desenvolvimento sem segurança». O responsável deixou uma reflexão final: «Pensem sempre nos líderes que gostavam de ter e sejam esses líderes».

Resiliência é fundamental
José Pedro Ribeiro, chief safety & security officer do SL Benfica, explicou que «a confiança, a par da resiliência, é um factor organizacional» e falou da importância de esta estar presente nos «produtos e nos serviços» que oferecem. Por outro lado, disse que a actividade desportiva «tem emoção envolvida e traz aqui alguns factores diferenciados, que têm de ser tidos em consideração». O responsável referiu que, além dos ciberataques tradicionais, enfrentam «grupos movidos pela emoção», têm de estar preparados para «a ameaça do match fixing (viciação de resultados), com redes que procuram «obter informação privilegiada» e lidar com os sites de «contrafacção», referindo que, a nível global, este negócio «gera mais dinheiro que o tráfico de droga e tem menor risco».

O responsável salientou que a cibersegurança «não é uma peça tecnológica, é uma peça de organização», sendo a área de segurança vista como «parceira do negócio» e estando assente em quatro pilares: «identidade, infraestrutura, aplicações e sensibilização». José Pedro Ribeiro mostrou alguns números que ilustram a dimensão da tarefa da equipa: o Benfica recebe mais de 20 TB de emails, gere mais de 1700 computadores e servidores e tem aplicações com mais de quinhentos milhões de pageviews. Além disso, referiu que «o risco humano é o maior desafio» e defendeu que a mitigação deste passa por «apostar no talento interno e dar formação especializada».

Governação e qualidade
Na sua apresentação, João Figueiredo falou da evolução do papel do CIO e do CISO, sendo que, inicialmente, eram vistos como mágicos, como Houdini, depois evoluíram para um MacGyver, a seguir para James Bond, com «licença para matar». Hoje são como «o Benson, um mordomo que ao longo da sua carreira acabou por mandar quase mais do que o presidente dos Estados Unidos», acrescentou. O responsável falou ainda da estratégia da Fujitsu, fazendo uma analogia com o futebol: «A entrega de serviços de qualidade é o nosso ADN. Até podemos jogar muito bem, mas se não entregarmos com qualidade, mesmo que seja aquilo que está contratualizado, o cliente final não vai querer renovar».

João Figueiredo defendeu que «a resiliência começa pela governação» e que esta «garante a continuidade» do negócio. Para o head of enterprise cyber security, a Fujitsu é diferente por esta «componente incluir pessoas, processos, a organização, a cultura, as informações e as métricas, os serviços e as plataformas, o talento das pessoas e as competências. Assim, a cibersegurança é um ecossistema e deixou de ser produtos e soluções». No final, avançou que «o futuro pertence a quem antecipa o jogo» e isso tanto acontece na cibersegurança, como no desporto, já que «não vence quem reage melhor, vence quem se prepara antes dos outros».

Já Nuno Matos, head of delivery da Fujitsu Portugal, esclareceu que a cibersegurança está hoje dependente da geopolítica e que a soberania digital é «um dos pilares fundamentais da estratégia da Fujitsu», já que é vital «controlar os dados» e ter «confiança em quem controla os nossos dados». O responsável disse que «não é porque se tem mais tecnologia ou menos tecnologia que, à partida, se está mais bem ou mais mal preparado» e revelou o caminho da resiliência, de acordo com a visão da Fujitsu: «O que podemos fazer é mapear riscos e priorizá-los; testar os planos de resposta a incidentes e fortalecer a visibilidade e monitorização. Estas três coisas ajudam na resiliência, já que esta constrói-se todos os dias».

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