Reportagem

Foco no cliente e cloud são as apostas estratégicas da Ingram Micro para Portugal

A empresa de distribuição realizou um evento nos Montes Claros, em Lisboa, onde falou do mercado e da sua estratégia para Portugal, que passa pela cloud e por «colocar o cliente no centro do negócio».

Jaime Soler © Ingram Micro

No primeiro evento da Ingram Micro no País em vários anos, a empresa reuniu clientes e parceiros para mostrar as suas apostas para o mercado nacional. Jaime Soler (vice-presidente e country chief executive Iberia da Ingram Micro) revelou alguns números da tecnológica, que foi criada em 1979. A empresa vende mais de 980 milhões de unidades por ano, tem capacidade para servir quase 90% da população mundial, está presente em 57 países, tem 121 centros logísticos, mais de 165 mil clientes e alcançou, em 2025, vendas no valor de 52,6 mil milhões de dólares (cerca de 46,02 mil milhões de euros).

Na Península Ibérica, a Ingram Micro tem escritórios em Viladecans (sede), Barcelona, Lisboa, Madrid e Santander; dois centros logísticos em Barcelona e Tarragona; e 716 colaboradores. Já em Portugal, a empresa iniciou operações em 2001, adquiriu duas empresas (a Eurequat e a BrightPoint) e «tem receitas de 200 milhões de euros ao ano», em que «cerca de 70% corresponde ao segmento do retalho e 30% ao profissional», referiu Jaime Soler. O negócio no mercado nacional tem duas vertentes, valor e consumo, e a equipa reflecte isso mesmo, sob a liderança de Marco Conduto como office manager Portugal da Ingram Micro.

Uma versão 2.0
Num encontro com jornalistas antes do evento, Jaime Soler explicou que a estratégia da empresa, a nível global, «passa, em primeiro lugar, por colocar o cliente no centro do negócio, compreender quais são as suas necessidades e, acima de tudo, oferecer soluções que deem resposta aos problemas que o utilizador final tem». O responsável adiantou qual é a missão da Ingram Micro 2.0, a nova dimensão do distribuidor: «Queremos passar de um papel de grossista, que era muito transaccional, e ir um pouco mais além. Por isso, apostamos num mercado de valor, onde temos de compreender quais são as necessidades do utilizador final, como a nossa tecnologia pode resolvê-las e, depois, dar-lhes essa resposta através dos nossos parceiros».

É por isso que a Ingram Micro se está a focar no «desenvolvimento de serviços e na combinação de diferentes tecnologias», em que um dos grandes destaques é a «migração para a cloud». O responsável avançou em que consiste esta aposta: «Investimos muito a nível local para que haja proximidade com o cliente, mas também a nível regional em toda a Europa». Por outro lado, segundo Jaime Soler, estão também a concentrar esforços «no negócio de retalho» e, nesse âmbito, querem ser eficientes: «Procuramos ter modelos de custos muito ajustados e cometer o mínimo de erros. É que, neste negócio, os erros saem muito caros e, por isso, o que temos de garantir é uma eficiência muito elevada. Nesse sentido, temos ligações e integrações com os nossos clientes e com os nossos fabricantes, para conseguir que o fluxo de trabalho seja o mais rápido possível e o mais fiel possível à realidade. A logística está centralizada a nível ibérico porque achamos que podemos prestar um melhor serviço aos clientes dessa forma. A maior parte dos produtos, principalmente do segmento B2C e do retalho, será distribuída a partir do armazém de Madrid».

Cloud é fundamental
Sobre os serviços de migração para a nuvem, Fernando Santos (advanced solutions & cloud director da Ingram Micro Portugal) disse que o «projecto começou há cerca de três meses» e que o «objectivo é replicar o sucesso que aconteceu em Espanha». O responsável referiu como pretendem que isso aconteça: «Temos uma equipa fortíssima para prestar serviços e aquilo que tentamos passar para os nossos parceiros é permitir que, quando entram no nosso ecossistema, haja benefícios não só financeiros, mas de suporte, serviço e apoio na migração. Também temos o conceito white label, prestando serviço aos nossos parceiros em nome deles, em que ajudamos com as competências, e algo que até há pouco era inédito na distribuição, que é um serviço de lead generation para alimentar os nossos parceiros de cloud, porque sabemos que o mais difícil não é abrir um parceiro cloud, mas que haja consumo».

Esta aposta na cloud passa também pela utilização dos recursos dos centros de excelência da Ingram Micro, onde «há técnicos e pessoas com cargos de direcção a falar português», como esclareceu Fernando Santos. «O idioma não é um entrave, portanto há um fluxo muito interessante de interacção e a verdade é que, ao fim de três meses, já temos um pipeline de parceiros muito interessante na empresa», conclui. Uma das ferramentas que a Ingram Micro vai trazer para o mercado nacional é a Xvantage, sublinhou Fernando Santos: «Estamos numa fase de implementação e está previsto para o próximo ano ter a Xvantage, a nossa plataforma de desenvolvimento e de alavancagem do negócio do cliente. Isto vai permitir a criação de toda uma nova dinâmica de apoio ao parceiro e a todo o processo de logística».

Tendências de mercado
A distribuição está a crescer, em especial em Portugal. Segundo dados da ContextWorld, o mercado europeu tem registado um aumento de 9,5% em 2026 e, a nível nacional, este crescimento é bastante superior e chega aos 20%. Jaime Soler falou do que espera do desempenho da Ingram Micro em Portugal: «A nossa estratégia é tentar ter um crescimento orgânico; para isso, é realmente importante construir uma plataforma sólida para gerir todas as transacções e contar com pessoas competentes, especialmente na área técnica. Também é preciso estar muito próximo dos clientes, pelo que o toque local é essencial e esperamos um crescimento muito grande neste mercado».

Além disso, «há uma concentração no segmento de revendedores de tier 2, e isso também traz desafios e oportunidades porque, provavelmente, o apoio de que este tipo de clientes irá necessitar será muito mais profissional e abrangente». O crescimento não se espera só na cloud, como avançou o responsável: «Na oferta de infraestrutura, vemos uma oportunidade de crescimento muito grande, mas também no segmento híbrido, combinando infraestrutura com a nuvem e também em alguns sectores verticais, como comunicações unificadas e ProAV (audiovisuais). Estamos a falar de todos os utilizadores que precisam de fazer esta transição digital, para se manterem competitivos».

Já sobre a utilização de inteligência artificial na empresa e a forma como estão a desenvolver este negócio, Jaime Soler referiu que está a ajudar «a melhorar os processos internos, o que se traduz em maior produtividade» e que têm «patentes que permitem que a IA ajude a criar mais negócio», libertando «o talento das tarefas mais rotineiras». Fernando Santos deu um exemplo de uma dessas ferramentas: «Recebemos muitos e-mails de encomenda e cada parceiro tem o seu formato, assim desenvolvemos uma patente que recebe a encomenda e carrega-a no nosso sistema, no nosso formato, e isso efectivamente poupa imenso tempo aos nossos comerciais». Outra das vertentes, segundo o CCE da Iberia, é «ajudar as empresas e o utilizador final a compreender para que vão precisar da inteligência artificial e como esta os pode ajudar», providenciando esses serviços.

Deixe um comentário