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Inovação (no feminino) redesenha saúde e sustentabilidade

De diagnósticos ultrarrápidos para infeções respiratórias a passaportes digitais blockchain para cadeias globais e adesivos médicos que previnem lesões cutâneas, três empreendedoras ligadas a Portugal, Neide Vieira, Ella Frances Cullen e Sónia Ferreira, mostram como a tenacidade lusa está a redesenhar saúde e sustentabilidade à escala europeia.

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Da dor silenciosa à revolução adesiva
Num sistema de saúde onde os dispositivos médicos salvaram milhões de vidas, mas ao preço de um problema silencioso e massivo, Sónia Ferreira, fundadora da BestHealth4U, identificou uma falha estrutural que vai além do plano clínico. «É industrial e sistémica». No seu entender, o mercado global de adesivos médicos foi concebido há mais de 60 anos e, desde então, os dispositivos evoluíram drasticamente, mas os materiais adesivos estagnaram. O resultado são as MARSI – lesões cutâneas associadas ao uso de adesivos médicos –, que afectam milhões de doentes em todo o mundo. Como referiu, isto não é mera questão de conforto: gera complicações clínicas, custos adicionais e, não raras vezes, dor no uso dos dispositivos.

A BestHealth4U não surge para melhorias incrementais, mas para redefinir o paradigma, deslocando o modelo tradicional de cuidados de reactivo para preventivo e tecnologicamente integrado. Sónia Ferreira descreve a plataforma proprietária Bio2Skin, que combina biocompatibilidade, desempenho técnico e sustentabilidade, actuando na causa em vez de reagir à lesão. Mais importante, estruturaram a tecnologia para integração em cadeias de valor globais via um modelo de licenciamento industrial asset-light, permitindo escala internacional sem capex pesado. «Não estamos a desenvolver um adesivo, estamos a construir estrategicamente uma plataforma adesiva para os dispositivos médicos do futuro». A ambição, diz, é criar tecnologia em Portugal com impacto global. A inovação em saúde enfrenta barreiras regulatórias e culturais significativas, mas, para Sónia Ferreira, o principal obstáculo em Portugal não foi regulatório, foi estrutural e cultural: financiar DeepTech fora do contexto académico. Não sendo uma spin-off universitária, tiveram de provar desde o primeiro dia que eram uma empresa tecnológica com modelo escalável, e não um mero projecto de investigação. Razão pela qual assumiram desde o início um posicionamento disciplinado de DeepTech, investindo fortemente em propriedade intelectual, validação técnica rigorosa, estruturação de modelo asset-light e integração em cadeias industriais já certificadas. «Do ponto de vista regulatório, não tentámos reinventar o sistema. Estruturámos a tecnologia para ser integrada em fabricantes que já operam sob frameworks regulatórios robustos, conhecedores de toda a cadeia de valor, até à entrada no mercado».

Este modelo é deliberadamente capital-efficient, com foco em protecção tecnológica, parcerias industriais e licenciamento estruturado, permitindo forte alavancagem operacional e maximização do retorno sobre capital investido. No seu entender, uma lição retida em cada conversa com quem lida com MARSI é que a inovação de impacto nasce da intersecção entre experiência real e ciência rigorosa. «A possibilidade que tenho de falar na primeira pessoa sobre o problema, como ostomizada, e em simultâneo sobre a tecnologia, como engenheira biomédica, eleva o nosso conhecimento de toda a cadeia de valor e a empatia para com quem sofre do problema ou cuida de alguém».

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