O prémio, dividido em três categorias – EIC Women Innovators, EIC Rising Innovators e EIT Women Leadership –, avalia as candidatas pela inovação disruptiva das suas empresas, pelo impacto das soluções e pelo papel inspirador para novas gerações de mulheres na ciência e tecnologia. Como referem as próprias protagonistas, estas nomeações não são apenas distinções: representam validações independentes que aceleram trajectórias, abrem portas a investidores e parceiros, e reforçam a capacidade de Portugal em gerar deep tech com ambição global. As vencedoras serão anunciadas durante o EIC Summit, em Junho de 2026, em Bruxelas.
Da fragmentação ao diagnóstico instantâneo
Imagine um hospital onde um doente com infecção respiratória aguda espera horas por um resultado laboratorial que poderia guiar o tratamento em meros 20 minutos. É este gargalo que Neide Vieira, cofundadora e chief operating officer da Iplexmed, identifica como central no combate às infecções respiratórias, que continua a ser uma das principais causas de hospitalização e mortalidade global, especialmente grave em pacientes crónicos respiratórios. No seu entender, apesar das tecnologias avançadas disponíveis, o diagnóstico permanece fragmentado: métodos centralizados cobrem muitos agentes mas são lentos, dependem de infra-estruturas dedicadas e técnicos especializados, criando «‘bottlenecks’ que atrasam a triagem e a decisão clínica». Já as soluções rápidas no ponto de cuidado pecam por fiabilidade limitada e cobertura reduzida de agentes por amostra. Esta lacuna leva frequentemente ao tratamento empírico, com impactos directos na mortalidade, comorbilidades, infecções hospitalares, custos e agravamento das resistências antimicrobianas (RAM).
Foi nesta paisagem que nasceu a disrupção da Iplexmed: a plataforma portátil Nexaguard, desenhada para aliar qualidade laboratorial a detecção rápida e multiplex de vírus e bactérias. Como referiu Neide Vieira, o sistema explora a especificidade do DNA combinada com a elevada sensibilidade de sensores de grafeno (GFET), alojados em cartuchos descartáveis «inteligentes» que automatizam o pré-tratamento da amostra. A detecção electrónica directa, sem necessidade de amplificação, entrega resultados em cerca de 20 minutos no ponto de cuidado, ou seja, 20 vezes mais rápida que as tecnologias actuais, garante a especialista. Nas suas palavras, o resultado é uma redução de custos e melhoria do bem-estar dos doentes, aproximando o diagnóstico do momento da decisão.
A conectividade dá o toque final. Neide Vieira sublinha a arquitectura híbrida – processamento local aliado a cloud –, que assegura reporting em tempo real, integração com sistemas clínicos, monitorização remota e vigilância epidemiológica, particularmente de RAM. «Assim, aproximamos o diagnóstico do momento da decisão e criamos um caminho claro para, no futuro, o tornar progressivamente mais acessível também fora do hospital, nomeadamente pela exploração do mercado ‘at-home’».









