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Cloud escapa aos efeitos da pandemia?

A resposta a curto prazo é ‘sim’. A cloud, além de escapar aos efeitos da COVID-19, até pode ver um aumento das receitas. Mas, a longo prazo, a história pode ser diferente. E há quem defenda que nem este sector estará imune aos efeitos da pandemia global - ou à recessão que se seguirá.

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É justo dizer que, mesmo antes do impacto da COVID-19, as empresas já tinham começado a, de alguma forma, fazerem o seu caminho para a nuvem. Talvez não tenha sido rápido o suficiente para a AWS, como o CEO Andy Jassy deixou claro em várias palestras, mas o facto é que a trajectória dos negócios para a cloud estava a acontecer, uma intenção apoiada pelos constantes aumentos da receita no mercado de infra-estrutura de nuvem.

Ao analisarmos o relatório de receitas dos trimestres mais recentes dos principais players do mercado, parece que a pandemia e a queda económica pouco fizeram para abrandar essa intenção. De facto, até pode estar a contribuir para o seu crescimento.

De acordo com números fornecidos pela Synergy Research, o mercado de infra-estrutura em nuvem totalizou 25,6 mil milhões de euros em receitas no primeiro trimestre de 2020. Esta consultora pertence ao grupo das que defende que a pandemia pode estar a contribuir para parte desse crescimento, pelo menos modestamente. Apesar dos números, a Synergy diz que os fornecedores de infra-estrutura na cloud não vão sair ilesos desta crise, mas, à medida que as empresas mudam as operações dos escritórios, isso pode ser parte do motivo do aumento da procura a que se assistiu no primeiro trimestre.

«Com certeza, a pandemia está a causar alguns problemas para os fornecedores de nuvem, mas em tempos incertos, a nuvem pública está a fornecer flexibilidade e um porto seguro para as empresas que estão a lutar para manter as operações normais. As receitas dos fornecedores de cloud continuam a crescer a taxas realmente impressionantes, com a AWS e a Azure agregadas a terem uma taxa de execução de receita anual de mais de sessenta mil milhões de dólares», refere a consultora.

A AWS liderou o caminho com um terço do mercado, com mais de dez mil milhões de dólares em receita trimestral, enquanto a Microsoft ficou em segundo lugar, com 18% do mercado. Embora a Microsoft não divulgue os seus números, usando os valores da Synergy, isso representaria cerca de 5,2 mil milhões de dólares de receitas para a Azure. Enquanto isso, a Google ficou em terceiro, com 2,78 mil milhões.

Ou seja, basicamente o mercado pertence 32% à AWS, 18% à Microsoft e 8% à Google. Segundo os analisas, esta divisão permaneceu bastante estável, embora a Microsoft tenha conseguido ganhar alguns pontos percentuais nos últimos trimestres.

Nuvem lidera contratações
Da infra-estrutura aos serviços, o gigante chinês Alibaba anunciou a intenção de adicionar cinco mil empregos à sua divisão de computação em nuvem até final do ano, com a crise do coronavírus a estimular a procura por streaming, chamadas de vídeo e armazenamento de dados. Os novos empregos serão em áreas como redes, bases de dados, servidores, chips e inteligência artificial, informou a empresa. O Alibaba é o maior fornecedor de nuvem da Ásia e o terceiro maior do mundo, de acordo com a empresa de pesquisa Gartner. «A jornada de transformação digital para empresas na China, que antes deveria levar de três a cinco anos, deve agora ser acelerada para ser concluída dentro de um ano», disse em comunicado Jeff Zhang, presidente da Alibaba Cloud Intelligence.

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