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As empresas têm de obter reais benefícios da indústria 4.0

O Simposium Aveiro 4.0, que decorreu no Centro de Negócio de Oliveira de Azeméis, contou com a presença de duzentos empresários e debateu o impacto que as tecnologias têm, ou deviam ter, nas empresas.

«A modernização através da transformação digital é uma inevitabilidade», defendeu Fernando Paiva de Castro (presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Distrito de Aveiro – AIDA CCI) na abertura do Simposium Aveiro 4.0, sendo que esta é «uma ferramenta para esse caminho que todas as empresas e todas as pessoas terão de seguir».

Mário Maciel Caldeira, associate partner da Deloitte Inovação foi o keynote speaker deste encontro que reuniu cerca de duzentos empresários, tendo na sua intervenção claramente expressado que as tecnologias e a Indústria 4.0 só terão sucesso se as empresas conseguirem obter reais benefícios.

O responsável da Deloitte apelidou a sua apresentação, «de forma provocatória», de ‘Indústria 4.1’, porque o facto de existirem tecnologias – hoje já há muitas das que chamámos tecnologias do futuro –, não significa que tiremos delas o melhor partido, que exploremos todo o seu potencial. Na opinião do especialista, a nossa evolução está ainda nos 3.7 ou 3.8, havendo ainda um caminho a percorrer para estarmos em pleno no 4.0 ou 4.1, onde se destacam, sobretudo, a Internet das Coisas, o Big Data e a Inteligência Artificial.

O que as empresas querem realmente, explicou, são os benefícios que as tecnologias trazem, porque estas já existem de facto, podemos é não estar a explorá-las da melhor forma: «O sucesso das tecnologias está associado à forma como as empresas conseguem tirar melhor partido delas para seu benefício, porque é isso que as empresas querem: benefícios», salientou. Internet of Thought, Interpersonal Intelligence e Big Business são os grandes desafios do 4.1, defendeu Mário Maciel Caldeira.

É necessário qualificar os recursos
Pedro Cilínio, director de investimento para a Inovação e Competitividade do IAPMEI, falou sobre Tecnologia, Clusters e Competitividade Regional, tendo analisado as conclusões da avaliação do semestre europeu. Aqui está destacado, por exemplo, que Portugal tem uma das baixas taxas de investimento da União Europeia, que tem ainda uma insuficiência das ligações ferroviárias e marítimas, o que dificulta o acesso das empresas ao mercado único. Pedro Cilínio lembrou ainda que o investimento em I&D terá «recuperado recentemente», mas que ainda é «insuficiente» e que os trabalhadores continuam a ter «baixas qualificações», aspectos que, no seu entender, têm de ser «melhorados rumo ao desenvolvimento».

No painel com o mesmo tema, moderado por Rui Gidro, da Deloitte, Luís Mira Amaral (presidente dos Conselhos da Indústria e Energia da CIP) defendeu não ser suficiente falar de tecnologia sem abordar a qualificação dos recursos humanos, o principal «entrave ao crescimento das empresas». Aqui, Mira Amaral destacou a ligação das instituições de ensino superior dos centros de conhecimento às empresas, «porque só assim se coloca a investigação ao serviço da inovação», tendo referido os «excelentes exemplos» identificados num estudo recente da CIP: Politécnico de Leiria, Politécnico do Porto, Universidade de Aveiro e Universidade do Minho.