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«Estamos a tornar a simplicidade num princípio básico no desenho das aplicações»

Simplicidade e inteligência. Estes foram os valores que David Williams, vice-presidente da SAP Analytics Cloud liga à empresa alemã. «Sim, temos ERP. Mas temos muito mais do que isso».

As consultoras garantem que a cloud analítica será um dos mercados em maior ascensão nos próximos anos. Que papel quer a SAP ter em todo este contexto?

A SAP tem vindo a falar no conceito de ‘empresa inteligente’ e na forma como pode potenciar a transformação do negócio e assim ajudar os clientes a melhor competir, num mundo em que a competição se faz basicamente em mercados altamente digitais. E falamos de três “áreas”: uma suite inteligente, uma plataforma inteligente e tecnologias inteligentes. A área da analítica faz parte destas tecnologias inteligentes, juntamente com a inteligência artificial e a Internet das Coisas (IoT). Para isso, temos o SAP Analytics Cloud que, de uma forma simplista, pretende ajudar os clientes a tomarem as melhores decisões.

Pode dar-nos um exemplo?

Tradicionalmente, quer trabalhássemos nos recursos humanos ou na área financeira, socorríamo-nos muito de folhas de cálculo para gerir, o que está bem, para uso pessoal; mas pode rapidamente tornar-se um problema quando tentamos levar um negócio a bom porto. O maior busílis é porque é manual, há que agregá-las, facilmente os dados não são consistentes… esse é um dos primeiros problemas que a SAP está a resolver: está a criar confiança para que os gestores possam ter relatórios, orçamentos ou planos nos quais possam efectivamente confiar. O que a cloud analítica faz é permitir a criação de relatórios fiáveis. O que torna esta cloud analítica particularmente única é que tradicionalmente, para gerir, era necessário ter um produto adicional de business intelligence, outro produto de planeamento para fazer os planos, quem sabe depois mais um produto de análise preditiva desenhada para cientistas de dados… ou seja, precisávamos das capacidades de diferentes ferramentas para fazer o nosso trabalho, para criar suporte e fundamento para o negócio. O que fizemos com a cloud analítica foi criar a próxima geração de soluções analíticas que agregam todas estas ferramentas.

Estão a assumir que todos os negócios vão para a cloud, os próprios analistas confirmam a vossa visão. Mas que tipo de dados estão a ser carregados para a nuvem?

Esse é um ponto muito importante e é precisamente por isso que temos “conectores” que lidam com dados ‘on premise’, mas também na cloud, porque os dados estão em todo o lado. Podemos utilizar dados que só estejam disponíveis ‘on premise’, como o SAP BW, sem ter de os mover para a nuvem. Tudo porque sabemos que há clientes que mantêm e querem manter esses dados nas suas “instalações”.

A cloud analítica da SAP é uma aplicação de análise que as pessoas ligadas ao negócio usam, mas também a embutimos dentro do SAP Business Applications, o que potencia a suite inteligente. Porque permite que os recursos de Inteligência Artificial e aprendizagem de máquina estejam directamente embutidos na aplicação, nos processos de negócio. Começamos com a área financeira, no S/4Hana, mas o objectivo é expandir a outros, como o SAP Success Factors.

O que queremos é que a cloud analítica se torne no motor de planeamento, reporte e análise em todas as aplicações de negócio que temos. Queremos que os elementos de análise e planeamento estejam embutidos independentemente da área em que estivermos a trabalhar e não como algo separado.

Isso quer dizer que é preciso ter um “ambiente” SAP para trabalhar com a vossa cloud analítica?

Não. E quero deixar isso bem claro. Desenhamos o produto para ser a melhor da sua classe e ajudar a uma tomada de decisão mais assertiva, independentemente das fontes de dados. Claro que queremos que usem SAP, mas não é obrigatório, podem ser usadas aplicações de terceiros. Reconhecemos que os clientes usam outros fabricantes e, por isso, fazia todo o sentido permitir outros fabricantes.

A taxa de adopção da cloud é grande, sobretudo se atentarmos aos valores de intenção de adopção. Acha que a segurança continua a ser o principal entrave a uma mais rápida adopção?

Sim, mas gosto de dar esta analogia: já não guardamos o nosso dinheiro debaixo do colchão. A minha avó até o podia fazer, mas eu não. Mantenho-o no banco, que foi desenhado e projectado para isso. Com a cloud e a questão da segurança vai ser o mesmo. Mas, sim, continua a ser uma preocupação, por isso mantemos aplicações ‘on-premise’.

O mercado norte-americano tem sempre um papel fundamental na adopção de novos conceitos. Mas e a Europa, já que culturalmente somos diferentes?

Mesmo dentro da Europa, se reparar as taxas de aceitação são distintas. Diria que o Reino Unido é o que está mais avançado. E depois temos por exemplo a China – e não lhe sei explicar propriamente porquê – a ser um dos mais fortes e potenciais utilizadores da cloud analítica. É curioso porque a tendência é efectivamente global, mas com cadências e ritmos de adopção diferentes.

A SAP era um fabricante tradicional, com receitas que residiam em licenças, produtos “pesados”, para os negócios mais complexos e dedicados às maiores empresas do mundo… Depois tiveram de explicar ao mercado que são muito mais do que ERP. A mensagem foi passada?

Sim, construímos uma imagem de uma maior simplicidade e acessibilidade das nossas aplicações, apesar de continuarmos a ter ERP. Um exemplo disso é o ‘Smart Predict’. Num processo de planeamento, o que estamos a providenciar é que, estando a trabalhar com previsões de planos e orçamentos, com um clique seja feita uma simulação que dará uma margem, mas de confiança. Isto é algo que tradicionalmente daria muito trabalho, implicaria cientistas dos dados, modelos de dados preditivos. Estamos a tornar a simplicidade num princípio básico no desenho das aplicações. Aliás, é um princípio básico de como gerimos a empresa internamente.

E relativamente ao licenciamento, que era o modelo “tradicional” da SAP?

Teve claramente de ser alterado. Mudamos de um modelo ‘on premise’ no qual se pagava uma generosa fatia de dinheiro à partida, cuja despesa ia sendo capitalizada com o tempo. Ou seja, passamos de um modelo de despesa de capital (CAPEX) para uma despesa operacional (OPEX), com licenças por subscrição, ‘pay-as-you-go’. Estamos cada vez mais a transitar para este modelo de subscrição. A mais-valia para nós, enquanto SAP, é que é uma receita mais previsível. Para o cliente, não é necessário “adiantar” o volume de dinheiro inicial, vai pagando enquanto consome. Mesmo neste campo, adoptámos o modelo de simplicidade, pelo que agora, na cloud analítica só há, por exemplo, dois modelos de subscrição e não dezenas.

No final, porque heide escolher a SAP? O que vos diferencia?

Porque providenciámos tudo. Desde a plataforma que pode ter acesso a todas as fontes de informação para gestão de dados, passando pela plataforma de cloud que permite construir e estender as aplicações, providenciamos tecnologias inteligentes como machine learning, IoT ou elementos analíticos que podem ser executadas como aplicações, que podem ser usadas como soluções de reporte e planeamento, mas que está embutida na suite de soluções, não está isolada. É por isso que as empresas vêm ter connosco. Sim, temos ERP, mas somos muito mais do que isso.

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Jornalista especializada em TIC desde 2000, é fã incondicional de todo o tipo de super-heróis e da saga Star Wars. É apaixonada pelo impacto que as tecnologias têm nas empresas.