A Kaspersky Digital Footprint Intelligence lançou um estudo que analisa a oferta de serviços DDoS na darknet, os preços e a promoção dos diferentes modelos de serviço. Uma das conclusões é que já existem ferramentas que podem custar apenas 88 cêntimos.
O ‘OverDDoSe The market of flooding for profit’ revela que ataques de negação de serviço contratados a terceiros são definidos caso a caso e variam entre 26 e 1761 euros. Os especialistas analisaram mais de 256 mil publicações relacionadas com DDoS na dark web e na deep web e identificaram 148 intervenientes nesta actividade.
Segundo o estudo, a actividade DDoS se concentra em dois tipos principais de ataque: ataques à camada de rede, que procuram sobrecarregar a infraestrutura com grandes volumes de tráfego, e ataques à camada de aplicação, que visam perturbar directamente o funcionamento de sites e serviços online.
Destacam-se ainda três modelos principais de ataques DDoS: ataques contratados a terceiros, em que alguém é contratado para executar o ataque; DDoS-as-a-Service, em que os utilizadores subscrevem ferramentas de ataque, como painéis de controlo online ou bots do Telegram; e infraestrutura própria, em que os intervenientes utilizam os seus próprios scripts de ataque ou botnets.
Entre os prestadores de ataques contratados a terceiros identificados, 65% anunciavam os seus serviços em fóruns de cibercriminosos, enquanto 35% utilizavam o Telegram e o Discord.
A análise da Kaspersky DFI mostra que 74% dos intervenientes anunciavam técnicas de camada 4 (L4), como a inundação de tráfego TCP (Transmission Control Protocol), UDP (User Datagram Protocol) e DNS (Domain Name System), enquanto apenas 9% faziam referência explícita a métodos autónomos de camada 3 (L3). Os ataques de camada 7 (L7) eram os mais disponibilizados, surgindo em 92% dos casos, o que evidencia tanto a ampla disponibilidade de ferramentas prontas a utilizar como a relativa facilidade de atacar serviços acessíveis através da Web.
Em Portugal, esta ameaça tem também vindo a ganhar expressão. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna de 2025, estes incidentes aumentaram cerca de 36% face ao ano anterior, mantendo uma tendência de crescimento observada desde, pelo menos, 2023.
João Pedro Brandão e Silva, analista da Kaspersky Digital Footprint Intelligence, explica que «os ataques DDoS tornaram-se uma opção mais prática e acessível para os agentes de ameaça, sobretudo porque estes serviços são baratos e fáceis de obter. Em alguns casos, é possível aceder a ferramentas para lançar ataques por menos de um euro. Para as empresas, isto significa que a preparação para ataques DDoS deve fazer parte do planeamento básico de cibersegurança. É igualmente importante compreender o mercado por detrás destes ataques, uma vez que uma defesa mais robusta começa por um conhecimento mais claro do panorama de ameaças».









