NacionalNotícias

Portugal tem dezoito empresas no Technology Fast 500 EMEA da Deloitte

Além do País ter conseguido a maior representação de sempre no ranking de 2025 da consultora, a scaleup nacional Bloq.it manteve a segunda posição pelo segundo ano consecutivo.

Pedro Brás Silva © Deloitte

A Deloitte divulgou o Technology Fast 500 EMEA, o programa que reconhece as quinhentas empresas tecnológicas com maior crescimento na Europa, Médio Oriente e África nos últimos três anos e que conta com organizações de 24 países. Depois de, em 2024, os dois primeiros lugares terem ido para Portugal, este ano no top 10 está apenas uma representante nacional, a Bloq.it, com uma taxa de crescimento de 12 193%. Esta scaleup, que desenvolveu uma solução de cacifos inteligentes, ocupa a segunda posição pelo segundo ano consecutivo. O primeiro lugar do ranking é ocupado pela empresa sueca Stunlock Studios e o terceiro pela suíça Boost Inc.

Portugal bem representado
O País teve um recorde de presenças com dezoito empresas distinguidas, mais três do que na edição anterior e que registam, em conjunto, um crescimento médio superior a 7000% e actuam na sua grande maioria na área de software. As organizações presentes no ranking, além da Bloq.it, são i-charging (17.º lugar), Coverflex (118.º), Digital Manager Guru (119.º), Bridge In (157.º), Sensei (193.º), Lyzer (205.º), QuickOps (222.º), Horus (236.º), DreamForTek (244.º), Replai (295.º), 3cket (345.º), knok (347.º), Ztech (363.º), WSBP (409.º), EFFY (449.º), Infraspeak (459.º) e HiJiffy (500.º).

Pedro Brás da Silva, partner da Deloitte, explica que esta presença e «a posição de grande destaque da Bloq.it entre as empresas tecnológicas com maior crescimento na região EMEA demonstram a consistência e competitividade do ecossistema nacional».

O partner da Deloitte justifica à businessIT os motivos do sucesso: «Portugal registou um progresso muito significativo ao nível das qualificações da população nos últimos vinte anos, e particularmente nas chamadas STEM, colocando-nos acima da média da União Europeia e com apenas nove países com mais diplomados por mil habitantes nestas áreas». Por outro lado, o «enquadramento institucional também tem sido importante, nomeadamente o desenvolvimento do venture capital e angel investing, alguns progressos na área da fiscalidade e o trabalho desenvolvido por diversas incubadoras do País».

Os desafios nacionais
Portugal tem-se afirmado enquanto ecossistema tecnológico bastante dinâmico na Europa e está a ser visto como pólo europeu de scaleups, mas enfrenta alguns obstáculos para chegar a esse estatuto. Pedro Brás da Silva salienta que «a dimensão do mercado nacional será sempre um desafio, pois há negócios que nascem necessariamente locais e precisam de se afirmar internamente, para poderem ambicionar competir lá fora. Só por aí, as oportunidades para uma empresa incubada em Londres ou Paris são superiores, pois começam logo num mercado maior».

Além disso, o responsável avança outras barreiras existentes em Portugal: «Também necessitamos de capacidade de financiamento para fases mais avançadas, uma vez que o nosso venture capital está muito focado em early stage, e faltam-nos private equity especializadas em tecnologia. Finalmente, a existência de talento especializado é sempre crítica quando as empresas entram em ciclos de crescimento mais exigentes».

No entanto, o partner da Deloitte realça que o «progresso tem sido muito rápido» e que o País está no bom caminho: «Ano após ano vemos empresas mais preparadas, mais ambiciosas e com uma abordagem cada vez mais global. Isso dá-nos confiança de que Portugal não só está no mapa, como pode ter um papel cada vez mais relevante».

Deixe um comentário