Reportagem

Nuvem Soberana da AWS chega a Portugal com “promessa” de aumentar 1% do PIB nacional

A Amazon Web Services (AWS) anunciou hoje, num evento em Lisboa, o lançamento da Local Zone em Portugal da Nuvem Soberana. Com este investimento, a tecnologica prevê a criação de 17 mil empregos no País e um impacto positivo na economia de 3 mil milhões de euros.

André Rodrigues @ businessIT

A AWS anunciou a chegada da Nuvem Soberana da tecnológica ao País através da criação de uma Local Zone. O lançamento aconteceu em Monsanto onde André Rodrigues, country lead da empresa em Portugal, explicou que passam «a oferecer não só inovação, mas também soberania em simultâneo».

Stéphane Israël, managing director da AWS European Sovereign Cloud, revelou que a infraestrutura de Nuvem Soberana anunciada em Berlim teve «um investimento base de 7,8 mil milhões de euros na Europa» e esse compromisso com a soberania digital do continente se traduziu na abertura três Local Zones: Portugal, Bélgica e Países Baixos.

O responsável disse este anúncio vai permitir «aos clientes portugueses beneficiar de soluções de baixa latência e de uma residência de dados reforçada a nível nacional» e disse que, com a Nuvem Soberana da AWS, o objectivo é servir «indústrias altamente reguladas como a energia, telecomunicações, finanças, espaço e defesa, bem como o sector público».

O managing director esclareceu que a nuvem da Amazon Web Services é «sovereign-by-design» e que usam a «tecnologia Nitro», proprietária da empresa, «para garantir que «não têm acesso aos dados dos clientes». E referiu que quem usa a infraestutura da AWS pode contar com «residência de dados melhorada» em que dados e também os «metadados gerados ficam restritos à cloud soberana ou à zona local no país». E também com uma «autonomia total e operada exclusivamente por residentes europeus» e com «auditorias externas» e «certificações por entidades terceiras independentes».

A Nuvem Soberana arranca com «mais de 100 serviços disponíveis», com destaque na IA, e «ecossistema inicial de 170 parceiros, onde se incluem empresas como a portuguesa OutSystems e a SAP». No final, Stéphane Israël destacou o forte apoio político do Governo nesta iniciativa e assegurou que «AWS vai continuar a investir em Portugal, apoiando as ambições do país e contribuindo para o ecossistema digital europeu».

Stéphane Israël @ businessIT

Impacto significativo na economia
André Rodrigues disse que a empresa acredita que a Nuvem Soberana «será o futuro de Portugal» e falou dos impactos previstos pela criação da Local Zone em Portugal: «Estamos a falar de um impacto directo e indirecto que é tangível e que é mensurável. Estamos a falar de 3 mil milhões de euros no PIB português, o que corresponde a 1% do PIB. Estamos também, igualmente, a criar, durante o ciclo de vida da localização, 17 mil postos de trabalho qualificados, altamente remunerados e, por isso, aquele emprego que queremos atrair para o nosso País».

Além disso, André Rodrigues referiu ainda que o investimento «será uma força gravitacional» para a transformação digital do País e que «dentro de cinco 5 anos», a cloud soberana da AWS permita que 65% das empresas portuguesas adoptem estes serviços de nuvem. O country lead revelou que isso significa que «mais pequenas e médias empresas vão poder usar os serviços da cloud em Portugal para poderem ser competitivas a uma escala global».

Por outro lado, o responsável disse que a Local Zone vai «a ajudar no ciclo virtuoso que existe no ecossistema das startups em Portugal» e que terá «um papel muito importante junto das empresas, junto das entidades que actuam nos sectores regulados e que poderão continuar a inovar, mas manter os seus dados em Portugal». E, que também vão continuar «a apoiar a digitalização e a transformação dos serviços do Governo, tanto local como os do central».

Quase 8 anos de operação em Portugal
André Rodrigues falou ainda dos vinte anos da Amazon referindo alguns marcos da história da empresa e do compromisso com Portugal. Essa aposta iniciou-se «com a abertura do primeiro escritório em 2018», que foi reforçada com investimentos em infraestrutura, como o Amazon CloudFront Edge, em 2019 e, mais recentemente, o AWS Direct Connect. Isto traduz-se no impacto que nas PME portuguesas e principalmente nas PME exportadoras. O responsável referiu que segundo, dados de 2024, a Amazon, ajudou «as empresas portuguesas a exportarem mais de 145 milhões de euros».

O country lead referiu a sustentatbilidade faz parte da estratégia da tecnológia, que foi «pelo quinto ano consecutivo, o maior comprador de energia renovável do mundo» e destacou a parceria para o maior parque eólico do país no Tâmega, num investimento de 350 milhões de euros, através do qual a AWS assegurou a «compra de 80% da energia que ali for produzida». No pilar da educação e capacitação, a André Rodrigues referiu os programas AWS Educate, Academy e re/Start, a «colaboração com a AICEP para as PME em IA», assim como com instuituições de ensino, nomeadamente a Católica.

No fim, André Rodrigues, realçou o papel da AWS no mundo e em Portugal: «Temos milhões de clientes espalhados no mundo inteiro e dezenas de milhares de clientes em Portugal. Com esta nova localização em Portugal, acreditamos que esse papel irá ser reforçado e estamos prontos para construir um Portugal mais inovador, mais digital e, garantidamente, mais soberano».

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