A economia mundial vai crescer 3,1% em 2026, segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional, um pouco abaixo de 2025, mas a zona Euro será afectada pelo desempenho de alguns países, nomeadamente das suas maiores economias – a Alemanha e a França, e deverá aumentar apenas 1,1%. No entanto, em Portugal, a economia deverá ter um crescimento maior com o Governo a ser o mais optimista e a acreditar que chegará a 2,3%. A OCDE, a Comissão Europeia e o Banco de Portugal apontam para um aumento do PIB de 2,2%, com o FMI a ser mais cauteloso e a prever um crescimento de 2,1%. A verdade é que as TI vão continuar a crescer acima da economia, algo que começou na pandemia e que, até ao momento, não dá sinais de inversão.
Este foi o melhor ano do mercado de TI desde 1996, segundo dados da IDC. A consultora revela que os gastos mundiais com tecnologia sofreram um aumento de 14% em relação ao ano anterior, muito devido aos investimentos em inteligência artificial e prevê que o mercado vai ter um crescimento de 10% em 2026, ou seja, um pouco mais moderado, mas ainda assim representando «um dos anos mais fortes para o sector desde a década de 1990».
Muita IA, segurança e cloud
A Gartner avança que os gastos com TI na Europa devem chegar ao quase 1,2 biliões de euros em 2026, um aumento de 11,1% em relação a 2025. John-David Lovelock, vice-presidente e analista da Gartner, explica que «a IA, a cloud e a cibersegurança vão impulsionar o aumento das despesas com TI das organizações europeias em 2026» e que a IA generativa vai ter um peso muito significativo e «crescer 78,2%». O desenvolvimento de infraestruturas de IA, nomeadamente data centers, será também central com o responsável a indicar que a Europa «quer desenvolver e gerir sistemas de IA próprios» para deixar de «depender de plataformas ou fornecedores estrangeiros». Portugal não será excepção nesta corrida à inteligência artificial com a Google a estimar que a adopção da IA generativa pode «adicionar 1,2 mil milhões de euros anualmente à economia portuguesa» e a AWS a revelar no relatório ‘Desbloquear as Ambições de Portugal sobre Inteligência Artificial na Década Digital em 2025’ que as organizações portuguesas registaram um aumento de 24% no investimento em IA no último ano, quando a média europeia foi de 22%.
Consolidar e concretizar
Para a Salesforce, o ano de 2025 «representou um marco importante» porque a empresa «estruturou toda a sua oferta Customer 360 em torno do Agentforce – a força da criação de agentes capazes de agir autonomamente em processos de negócio, combinando dados, automação e inteligência para executar tarefas de ponta a ponta», indica Fernando Braz, country leader da tecnológica em Portugal. O responsável diz que «a onda dos agentes de IA não está apenas a mudar a tecnologia, mas também a forma como as empresas funcionam e são lideradas» tornando-se «empresas agênticas, ou seja, que integram humanos, agentes de IA, aplicações e dados para desbloquearem um crescimento, inovação e produtividade sem precedentes». Além disso, realça que foi o ano que «veio assim tornar a promessa da IA em algo concreto e real».

Sobre 2026, Fernando Braz acredita que «trará a consolidação e concretização» das empresas agênticas e que a «adopção destes agentes será fundamental para a competitividade das empresas, graças à automação inteligente, personalização e velocidade de resposta». No entanto, alerta que o «futuro exige muito mais do que tecnologia» e que este será um ano que «verá temas como a literacia em IA, o governance e a confiança humana a ganharem uma nova centralidade, pois não basta ter agentes, se não os soubermos enquadrar, integrar e garantir que entregam valor de forma fiável».








