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Portugal tem potencial para criar um ecossistema deep tech competitivo

O ‘Deep Tech Portugal Outlook 2026’ mostra que o País tem ciência, empresas e infraestruturas capazes de sustentar um ecossistema deep tech e estima que é possível «criar três campeões globais» nesta área até 2030.

José Esteves © PBS

O estudo da Porto Business School revela que, «pela primeira vez», as três precondições de um ecossistema deep tech coincidem no País e que existe «talento, procura e capital público», mas que o ponto crítico é converter «esses ingredientes em empresas que fiquem e escalem» no mercado nacional. O relatório identifica quatro desafios que podem condicionar Portugal e que são a falta de capital de crescimento depois da Série A; o facto de a transferência de tecnologia ser ainda lenta; a escassez de talento STEM; e a reduzida utilização das compras públicas como primeiro mercado para soluções portuguesas.

Estes condicionantes podem levar (e já levaram) startups a mudar a sede para outras geografias. José Esteves, dean da Porto Business School e um dos responsáveis do estudo, explica que «Portugal não precisa de competir em todas as frentes. Precisa de escolher onde tem activos reais e aí concentrar capital, talento e procura. O objectivo não é apenas criar tecnologia; é manter no País as empresas, a propriedade intelectual e a capacidade de decisão».

Já Diogo Almeida Alves, director do Center for Entrepreneurship, Growth & Competitiveness da instituição de ensino e também responsável pela publicação, reforça esta ideia, indicando que «mais conhecimento contribui para gerar mais potencial de conversão de impacto em competitividade» e que o desafio nacional é «transformar os activos científicos numa vantagem económica duradoura, construindo a capacidade de converter inovação em mais empresas globais».

Espaço, IA, saúde e sustentabilidade
Segundo o ‘Deep Tech Portugal Outlook 2026’, o espaço, a defesa, a inteligência artificial, os semicondutores, a saúde, a energia e a economia azul são as seis áreas onde Portugal poderá ter vantagem competitiva na próxima década. Isto deve-se à «capacidade científica, procura europeia e relevância para a soberania». O estudo propõe medidas a serem tomadas pelo Governo nos próximos dois anos que podem originar a criação de dois ou três campeões globais de deep tech em Portugal até 2030.

Essas sugestões são «lançar um veículo nacional de financiamento de scaleups, com o Banco Português de Fomento e investidores institucionais; tornar o Estado ‘cliente zero’ de tecnologia portuguesa, começando pela defesa, saúde e empresas públicas; normalizar os modelos de propriedade intelectual e de spin-outs nas universidades e centros de investigação; aumentar a capacidade nacional de captação de financiamento europeu; publicar um painel anual que meça o que Portugal cria, retém e transfere: sedes, propriedade intelectual, emprego qualificado e capital; e expandir o pipeline STEM, com mais vagas, doutoramentos em TIC e políticas de atracção e retenção de talento tecnológico».

Diogo Vieira da Silva, head of Innovation X Hub da PBS e o terceiro autor do estudo, realça que «este Outlook é uma agenda de decisão com relógio. A janela europeia – rearmamento, soberania digital e corrida à IA – está aberta agora e não vai esperar por Portugal. Ou entramos como donos, ou ficamos como fornecedores».

 

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