A Atlantic Convergence é uma iniciativa da DE-CIX, em parceria com a AtlasEdge, EllaLink, Interfiber Networks, MEO Wholesale Solutions e Nokia. A conferência que reúne os intervenientes do ecossistema digital, desde operadores de data centers aos cabos submarinos, passando pela conectividade, tem como objectivo ajudar a «construir infraestruturas digitais sustentáveis e seguras para impulsionar um futuro baseado na inteligência artificial».
Que balanço fazem da edição de 2026 do Atlantic Convergence? Em termos de participantes, empresas e entidades envolvidas, que números destacam como mais relevantes?
A edição de 2026 superou as nossas expectativas. Com mais de 800 participantes de mais de 450 empresas e mais de 70 países, bem como 78 oradores ao longo de 43 sessões, a Atlantic Convergence demonstrou mais uma vez a sua capacidade de reunir os principais intervenientes que moldam o futuro da infraestrutura digital. A forte participação internacional e a diversidade de perspectivas confirmaram a crescente relevância do evento para as discussões em torno da conectividade, cloud, IA, data centers e soberania digital.
Que resultados concretos ou oportunidades de negócio surgiram durante o evento – particularmente em termos de parcerias, investimento, inovação ou colaboração entre empresas e organizações?
A Atlantic Convergence é, antes de mais, um catalisador para a colaboração. Ao reunir decisores de todo o ecossistema de infraestrutura digital, incluindo fornecedores de conectividade, operadores de data centers, empresas de cloud, investidores, responsáveis políticos e líderes tecnológicos, o evento cria oportunidades que raramente surgiriam em ambientes de sector mais tradicionais. As discussões deste ano geraram novas ligações e oportunidades de colaboração em infraestruturas de IA, cloud, interconexão, conectividade submarina e investimento digital. Acima de tudo, o evento reforçou o papel da Península Ibérica como uma porta de entrada digital estratégica que liga a Europa, África e as Américas, e como um hub para o futuro desenvolvimento de infraestruturas.
Quais foram, na vossa perspectiva, os principais temas e tendências que marcaram esta edição?
O tema dominante foi como construir infraestruturas digitais sustentáveis e seguras para impulsionar um futuro capacitado pela IA. As discussões abrangeram infraestruturas de IA, cloud e interconexão, data centers, conectividade submarina, soberania digital e futuras oportunidades de investimento na península ibérica. Um dos fios condutores ao longo do evento foi o papel crescente de Portugal e da Península Ibérica como um hub estratégico a ligar a Europa, África e as Américas.
Apresentaram o estudo ‘Península Ibérica como uma Capital Digital Distribuída’. Que conclusão deste relatório foi a mais surpreendente e porquê?
A conclusão mais surpreendente foi que a força da península ibérica não provém de um único hub dominante, mas sim da combinação de Madrid, Lisboa e Barcelona a operar como um ecossistema interconectado. Considerados em conjunto, estes hubs já cumprem mais de 80% dos critérios utilizados para definir uma Capital Digital, colocando a região ao lado de centros digitais consolidados como Frankfurt, Londres, Amesterdão e Paris. O estudo mostra que, com 35 sistemas de cabos submarinos, 13 Internet Exchanges, mais de 100 data centres e mais de 800 redes ligadas, a península Ibérica está a criar um novo modelo para a era da IA: uma capital digital distribuída que oferece resiliência, diversidade, soberania e escalabilidade, em vez de depender de uma única localização.
Podemos contar com nova edição Atlantic Convergence? Já há datas definidas?
Sim, o Atlantic Convergence 2027 que irá decorrer entre 28 e 30 de Setembro.









