Cibercrime a crescer
Para a WatchGuard Portugal, não há dúvidas de que «2025 foi um ano de grande evolução no panorama das ameaças, marcado pela adopção crescente de IA tanto por atacantes como por defensores», indica António Correia, sales manager da tecnológica. O responsável faz um balanço: «Verificámos uma sofisticação sem precedentes dos ataques automatizados, uma mudança clara no ransomware e um aumento da pressão regulatória, com a preparação para o Cyber Resilience Act a acelerar práticas de segurança por concepção». Para a WatchGuard, 2025 foi também «um ano de forte consolidação da nossa estratégia de cibersegurança unificada, reforçando a capacidade dos MSP para responderem a um ambiente de ameaças cada vez mais exigente».

António Correia esclarece o que se pode perspectivar para este ano: «Esperamos mudanças estruturais no cibercrime e nas defesas disponíveis como o declínio do crypto-ransomware, substituído por modelos de extorsão baseados exclusivamente na exposição de dados; o primeiro ataque inteiramente conduzido por IA de forma autónoma; repositórios open-source a adoptar sistemas de detecção e resposta com IA, reforçando a resiliência da supply chain de software; o impacto reforçado do Cyber Resilience Act; a transição acelerada das VPN para Zero Trust, com as PME a adoptarem cada vez mais soluções ZTNA e as competências em IA tornam-se obrigatórias para profissionais de cibersegurança». Já a WatchGuard «continuará focada em apoiar organizações e MSP com a sua plataforma de segurança unificada, garantindo automatização, visibilidade e protecção integrada para enfrentar este novo cenário», conclui o responsável.
IA transversal na cibesegurança
O ano de «2025 foi marcado por uma aceleração sem precedentes na adopção de IA, tanto por empresas como por utilizadores individuais», diz Fábio Assolini, head of global research & analysis team, Americas & Europe da Kaspersky. «Essa evolução trouxe benefícios claros em termos de eficiência e inovação, mas também ampliou o campo de actuação dos cibercriminosos» e a empresa de cibersegurança detectou «um crescimento significativo na sofisticação dos ataques com destaque para o uso de modelos de linguagem para criar campanhas de phishing», «automatizar etapas do cibercrime» e «escrever partes do código malicioso». No entanto, nem tudo é mau e Fábio Assolini diz que sentiram «uma maior maturidade das organizações: a consciencialização sobre riscos cresceu, os investimentos em cibersegurança aumentaram e os SOC começaram a integrar ferramentas de IA. Em suma, 2025 foi um ano de transformação, em que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa e passou a ser uma realidade central no panorama da cibersegurança».

Sobre este ano, Fábio Assolini diz que a Kaspersky prevê que «a IA se torne ainda mais transversal na cibersegurança, tanto no lado defensivo como ofensivo». Assim, essa tecnologia «será gradualmente integrada em diferentes etapas da cadeia de infecção, tornando mais difícil rastrear e atribuir o ataque». Por outro lado, em termos defensivos, vai acontecer uma utilização «cada vez maior da IA nos SOC e nas ferramentas de análise, com agentes inteligentes capazes de monitorizar continuamente infraestruturas e fornecer contexto para investigações, libertando especialistas para decisões estratégicas». O responsável resume que «2026 será um ano em que a linha entre inovação e risco se tornará mais ténue» e indica que «a missão na Kaspersky é ajudar empresas e utilizadores a navegar este novo cenário, oferecendo soluções que combinam tecnologia avançada com conhecimento humano para garantir a segurança digital».








