Reportagem

Equinix liga Portugal ao mundo

A Equinix convidou a comunicação social dar a conhecer o seu data center, em Lisboa, que quer ser a ligação de Portugal ao mundo. A empresa revelou ainda que vai duplicar a capacidade do centro de dados nos próximos quatro anos.

A Equinix é uma empresa norte-americana, com duas décadas de existência e duzentos datacenters em todo o mundo, presente em Portugal desde 2017. A entrada no mercado nacional foi feita através da compra da Itconic e do seu centro de dados. O objectivo da empresa é «gerar um ambiente de interconexão neutral no qual todas os players consigam ligações rápidas seguras e em tempo real», revelou Carlos Paulino, director geral da Equinix Portugal.

O centro de dados do Prior Velho, o maior de Portugal em dimensão e capacidade com mais de cinco mil metros quadrados, acaba de alcançar as cinco mil interconexões – troca de dados de forma privada e directa entre as empresas e os seus parceiros. Este é um marco recorde no País e «impressionante para dimensão do mercado português», disse o responsável. O IBX de Lisboa, como é designado o data center nacional, aloja mais de quarenta fornecedores de serviços de rede, fornece ligação directa a mais de quinze sistemas de cabos submarinos e é o «único ponto de interconexão em Portugal», esclareceu Carlos Paulino.

A empresa está «orientada para projectos de média e grande dimensão» e actua «para a maior parte dos clientes como um wholesaler», ou seja, «tem clientes que por sua vez têm centenas de clientes» e apesar de não ser possível nomear que organizações nacionais estão presente no centro de dados, o responsável referiu que «as empresas de telecomunicações, a administração pública e gestores de conteúdos» estão entre os sessenta clientes da subsidiária portuguesa.

Segundo o executivo, estes dados confirmam «o papel da Equinix como parceiro essencial das empresas que procura de soluções que permitam ultrapassar os desafios trazidos pela transformação digital».

Posição estratégica02
O facto de o País e de o data center estarem ligados a quinze cabos submarinos é parte da estratégia da empresa para crescer e ligar Portugal e a Europa ao mundo como salientou Carlos Paulino: «Somos o ponto digital que liga Portugal ao mundo e quer atrair novas fibras e conectividades para o mercado nacional».

O director geral da Equinix considera este facto vital e revelou que Lisboa está a desempenhar um papel preponderante em conseguir «atrair os grandes players mundiais e construir neste centro a casa das clouds», dando os exemplos da AWS e da Google. O responsável acrescentou ainda que todas as empresas de telecomunicações em Portugal têm «um centro de conexão» no Prior Velho, o que revela a sua importância nacional.

Além disso, o data center é visto «como uma porta de saída privilegiada para todo o Atlântico Sul». Carlos Paulino destacou que esta tem sido uma aposta desde o início do centro de dados. Assim, todos os cabos submarinos existentes estão ligados – e os novos que estão a ser programados também o vão estar – ao IBX de Lisboa. É o caso do Ellalink que será a primeira ligação directa de Portugal ao Brasil de alta capacidade e que deverá estar operacional em 2020.

O centro de Lisboa é, assim, não só como uma infraestrutura importante para as empresas nacionais e multinacionais mas para «a promoção de Portugal como um hub importante no intercâmbio internacional de dados».

Segurança e resiliência
A capacidade de interconexão que existe no Prior Velho «é única em Portugal e não existe mais nenhum local em que seja possível trabalhar com débitos iguais à capacidade que existe neste edifício», explicou à businessIT, Carlos Paulino durante a visita guiada ao centro de dados.

No data center da Equinix Portugal as salas têm até cem racks e, em cada uma, podem estar instalados 47 servidores. Nestes locais a segurança é um ponto fulcral e, além disso, a resiliência é outra das preocupações – é por isso que o edifício de três pisos tem coeficientes sísmicos máximos, UPS capazes de entrarem em acção trinta segundos após qualquer falha de energia e diversos sistemas de redundância. «Um factor diferenciador deste data center é que está há mais de doze anos sem qualquer interrupção de serviço», explicou o director geral que acrescentou que o IBX tem «uma disponibilidade de serviço de 99,9999% de entrega e em termos de energia, climatização e segurança».

Aumento dos dados
O responsável esclareceu que a Equinix se vê como um «enabler de tecnologias emergentes» como «o 5G, a inteligência artificial, o blockchain, a Internet das Coisas e a gestão de ambientes multicloud» e explicou como estão a «assistir a incrementos de capacidade de todos os clientes para estarem preparados para os desafios criados pelas novas tecnologias», nomeadamente ao nível da quantidade de dados gerados.

Este crescimento «acelerado da procura quer a nível nacional, quer internacional» ao qual a tecnológica tem assistido, levou a empresa a preparar-se: nos últimos dois anos, a Equinix fez «investimentos significativos no data center de Lisboa, tendo ampliado a capacidade entre 30 a 40%». Carlos Paulino não revelou o valor que já foi investido, mas deixou indicação de que novos investimentos estão a ser planeados, não só ao nível de espaço adicional mas também de potência: «Teremos necessidade de provavelmente duplicar a capacidade actual num espaço de quatro anos. Isso poderá ser aqui, mas a abordagem normal é com campus digitais com vários data centers como acontece em Londres, em que a Equinix tem doze centros de dados ligados por uma rede de interligação na qual o cliente tem acesso a todos de forma imediata». Mas garantiu que ainda estão a «estudar o próximo passo» e que estão «abertos e atentos à possibilidade de crescer através de aquisição».

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