Reportagem

Dell Technologies Forum: mais que novidades, consistência

Não houve propriamente grandes novidades no Dell Technologies Forum deste ano. Mas houve a consistência de uma empresa que tem em Portugal das maiores quotas de mercado da Europa e que insiste em crescer a dois dígitos.

«Portugal pode não ser dos maiores países da Europa, mas é onde a Dell tem das maiores quotas de mercado» disse Isabel Reis, directora-geral de enterprise da Dell EMC para Portugal e Espanha, na abertura do Dell Technologies Fórum, que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa.

O evento, que este ano contou com cerca de seiscentos participantes, mais 40% que na edição anterior, voltou a servir de palco para que a tecnológica actualizasse os “números” conquistados no mercado nacional no ano fiscal de 2018. Relativamente a unidades de PC, o crescimento foi de 2,5%, «uma percentagem muito elevada para este mercado», salientou em palco Isabel Reis.

Nas workstations, a empresa norte-americana conseguiu manter a liderança em Portugal já no primeiro trimestre de 2019, com uma quota de mercado de 41%, segundo a IDC. Já no negócio das workstations, Gonçalo Ferreira, director-geral de commercial da Dell EMC Portugal, anunciou um aumento de 4,6%. No primeiro trimestre deste ano, a velocidade de crescimento foi de 6,4%, «mais rápida do que a obtida o ano passado no período homólogo». Estes números, diz Gonçalo Ferreira, são sobretudo fruto de um contínuo investimento da empresa em Portugal. «Muitos dos nossos concorrentes desinvestiram em países mais pequenos, mas a Dell optou por nunca o fazer, pelo contrário».

Storage destaca-se no negócio
Mas é na área do storage que a empresa se mostrou particularmente orgulhosa dos seus “feitos”, uma vez que no primeiro trimestre deste ano, a quota de mercado atribuída à Dell pela IDC foi de 53%. «Não sei se será realista manter esta percentagem ao final do ano, mas vamos tentar».

Os negócios mais ligados às estratégias de hiperconvergência e multicloud tiveram igualmente um bom comportamento no mercado. A directora para Portugal e Espanha corroborou a opinião de Gonçalo Ferreira no que diz respeito ao contínuo investimento da empresa no País, materializado no facto de os números agora apresentados «serem muito mais impressionantes do que em outros países» onde a Dell está presente.

No que diz respeito aos resultados financeiros da estrutura portuguesa em 2018, não foram apresentados nem valores nem percentagens de crescimento. O máximo que os responsáveis divulgaram foi que o crescimento atingiu os dois dígitos, quer durante o último ano, quer já no primeiro trimestre de 2019. «Apesar de se falar de uma eventual nova crise financeira na União Europeia, nos primeiros três meses deste ano conseguimos crescer a uma maior velocidade do que o mesmo período em 2018». De resto, os executivos disseram que Portugal está alinhado pela maioria dos escritórios da Dell no espaço europeu.

Mais que resultados financeiros
Além de resultados, a Dell Technologies partilhou mais sobre o seu programa ‘Legacy of Good’ através do qual tem vindo a desenvolver acções de sensibilização junto de ONG portuguesas. Como Gonçalo Ferreira e Isabel Reis relembraram, este é um compromisso a longo prazo que a empresa assumiu com a sociedade, os membros da sua equipa e com o ambiente.

Em palco esteve ainda Nigel Moulton, CTO Converged Platafors and Solutions Division na Dell Technologies, que partilhou as suas ideias sobre toda a evolução tecnológica que vivemos até aos dias de hoje: «Um smartphone consegue ser mais evoluído que o computador que levou o homem à Lua».

No Forum deste ano, a empresa tentou mostrar o poder de inovação da Dell, Dell EMC, Pivotal, RSA, SecureWorks, Virtualstream e VMware, nomeadamente na transformação das TI que as empresas e organizações portuguesas estão a atravessar. Temas como as tendências de AI/IOT, Computing Power e as novas competências do mercado das TI foram igualmente debatidos no evento.

Caso de sucesso
«Actualmente, em Portugal, a Dell Technologies é considerada um caso de sucesso sendo uma das empresas que mais facturam no mercado, o que demonstra que os nossos clientes e parceiros continuam a apostar em nós», afirmou Gonçalo Ferreira. Para Isabel Reis, «a Dell Technologies é feita de pessoas para pessoas e todo o esforço que tem vindo a ser feito tem vindo a ser recompensador a nível de resultados».

Este é já o terceiro encontro que a empresa organiza após a fusão da Dell e com a EMC; isto ainda continua a ser mencionado por Isabel Reis e Gonçalo Ferreira que aproveitaram para relembrar o sucesso que esta estratégia de Michael Dell teve no mercado, apesar deos analistas, na altura, terem seriamente duvidado desta opção. Aliás, se compararmos esta edição do Forum com a do ano passado, é mais a consistência da empresa e dos seus valores, quer financeiros quer culturais, que transparece para o público, que propriamente a novidade.

De volta aos mercados
Em 2013, Michael Dell, o fundador da marca norte-americana que ostenta o seu apelido, resolveu “reconquistar” a empresa a que deu vida, privatizando-a após uma passagem pelos mercados públicos – na altura foi feito um acordo de 25 mil milhões de dólares com a Silver Lake. Nascia assim a Dell Technologies que, em Dezembro de 2018, voltava a ir para bolsa.

Um dos momentos mais marcantes da empresa foi quando decidiu investir cerca de 58,9 mil milhões de euros na sua transformação para a era pós-computadores pessoais. A multinacional americana comprou a EMC, naquela que foi a maior transacção de sempre no sector das tecnologias de informação.

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