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jp.di quer ser o maior distribuidor em Portugal

O convento de S. Francisco, em Coimbra, acolheu mais uma edição do jp.di Summit, este ano sob o mote ‘Mind the Gap’. Cerca de mil profissionais em representação de mais de 400 empresas e 53 marcas em exposição foram os números da edição de 2018.

O mundo está a avançar a uma velocidade estonteante, todos os dias somos bombardeados com novas tecnologias que estão a influenciar não só o ambiente dos negócios como o nosso entorno enquanto seres sociais. Foi assim que Ricardo Ferreira, director-geral da distribuidora jp.di justificou a escolha do mote para o Summit deste ano: ‘Mind the Gap’.

A edição de 2018 decorreu no convento de S. Francisco, em Coimbra, um espaço que recebeu as 53 marcas/expositores, mais uma dúzia que as que estiveram na edição de 2017.

Outro aspecto que mereceu um “upgrade” face ao jp.di Summit do ano passado, na qual a businessIT também marcou presença, foi a visita dos dirigentes de topo das marcas em exposição. «Isto é fruto do trabalho que temos vindo a fazer nos últimos anos», disse-nos Ricardo Ferreira à margem do evento. «Os desafios a que nos propusemos em 2017, e os a que nos propomos em 2018, estão a ser cumpridos… e até ultrapassados».

A provar esta frase estão os números: em 2016 a empresa facturou 100 milhões e tudo aponta, pelo menos segundo Ricardo Ferreira, para que este ano chegue aos 150 milhões – um crescimento de 50% a dois anos, claramente acima da média do mercado.

A força dos números

Para que estes números figurem no relatório de contas houve necessidade de fazer algumas apostas, nomeadamente no reforço do portfólio, explicou o director-geral desta empresa distribuidora. «Queremos que os nossos clientes tenham as melhores soluções para, também eles, apresentarem soluções de topo aos seus clientes». Aliás, uma das mensagens que mais passou nesta edição foi a necessidade de melhor conhecer o cliente para lhe poder endereçar a solução mais indicada.

E com 2018 praticamente “arrumado”, o novo ano já está a ser preparado. Ricardo Ferreira aponta as áreas de cloud computing, armazenamento e protecção de dados como as grandes apostas.

Na área da computação em nuvem, o distribuidor conta com a parceria da Microsoft, com soluções CSP (Cloud Solution Provider), e com a Creative IT, com a qual criaram uma plataforma que vai servir não só para integrar as soluções Microsoft mas outras soluções por forma a conseguir entregar um serviço chave-na-mão.

Storage da Fujitsu assemblado em Perafita

Mas é no armazenamento que as novidades vão, provavelmente, causar mais impacto. A jp.di fechou um acordo de montagem de armazenamento à medida com a Fujitsu Portugal, que deverá permitir a entrega do produto em 48 horas. «É um acordo único que poderá servir de exemplo para outras soluções. Neste sector, um dos desafios que existe é superar os timings de entrega, que são muitos longos. Qualquer fabricante que tenha um projecto à medida, que tenha uma configuração especial, precisa sempre de umas sete a oito semanas para ter o produto disponível».
Depois deste acordo com a Fujitsu, um parceiro, ou cliente, que tenha necessidade de armazenamento à medida pode contar com a solução em 48 horas, já que a montagem vai ser feita em Portugal. «Já fizemos algumas entregas e contratamos agora um profissional de pré-venda que anda junto do cliente final a dinamizar essa solução». A empresa espera ainda crescer com os parceiros mais “tradicionais”, como a HP ou a nova “aquisição”: a Lexmark.

As soluções de cibsersegurança vão ser, na sua maioria, resultado da parceria com a Sophos. «Vemos nesta empresa a possibilidade de qualquer parceiro conseguir gerir um sistema de segurança, que vai desde a encriptação à protecção do email ou firewall. Tudo isso de uma forma simples e eficaz». A parceria com a Kaspersky foi ainda mencionada por Ricardo Ferreira.

A jp.di fechou um acordo de montagem de armazenamento à medida com a Fujitsu Portugal, uma parceria inédita em Portugal.

Objectivo: ser número 1

Depois de saber que a jp.di que atingir a facturação dos 150 milhões de euros este ano (segundo Ricardo Ferreira, tudo indica que sim), quisemos saber qual o objectivo financeiro para 2019. O director-geral diz que será sempre crescer a dois dígitos, cerca de 10%. «O nosso objectivo é ser número 1. Não sabemos exactamente quando, mas essa é a nossa meta. Respeitamos muito o mercado, há players muito fortes e já muito enraizados no sector, que têm marcas como a Apple, com números de vendas muito grandes. Mas por aí é o caminho. Estamos atentos a todas as oportunidades».

Na sessão de abertura, Ricardo Fernandes falou do actual poder de computação que, literalmente, temos no nosso bolso. E falou no facto de todos os dias a tecnologia estar a evoluir, o seu custo a diminuir, gerando uma conectividade sem precedentes. No armazenamento de dados, relembrou as disquetes de 1 MB, quando hoje caminhamos para ter um acesso ilimitado a capacidade de storage. «Será que, no futuro, todos os dados criados estarão acessíveis, provavelmente com novos modelos de negócio, quem sabe através da publicidade onde deixaremos de ter pagar para ter acesso?»

Colaborar e confiar

O consumo colaborativo e a confiança distribuída foram outros temas abordados pelo director-geral da jp.di. Hoje, todos conhecemos as plataformas de trabalho e negócio colaborativo que, ao que tudo indica, é uma tendência que veio para ficar. «Quem ainda não reservou um quarto no Airbnb ou não andou de Uber? Quem é que daqui a uns anos não utilizará os carros partilhados?» Tudo isto vai ter implicações sociais muito interessantes, diz Ricardo Ferreira. Porque, no seu entender, requer sobretudo confiança no uso destes serviços. Escolhemos casas sem as ver, pagamos hotéis antes de os conhecer – é a digitalização da matéria.

As impressões 3D são outra clara tendência. No futuro há a possibilidade de imprimirmos em casa os nossos próprios bens de consumo ou até mesmo órgãos humanos, «desafios que devem ser encarados, sobretudo, como uma oportunidade», considera Ricardo Ferreira.

No entanto, há temas sensíveis que têm de ser encarados com o «devido respeito». É o caso da privacidade dos dados das pessoas no meio de tanto conectividade e presença digital. «Como vamos proteger a propriedade intelectual que, afinal, é o que, efectivamente, gera valor? Vai ser complicado e há que criar novos modelos de negócio». Ricardo Ferreira não tem dúvida de que, apesar de tudo, «a tecnologia evolui mas os pilares básicos da construção do negócio são os mesmos».

Comunicador nato

Um dos convidados da jp.di nesta edição foi Nadim Habib, professor na Nova SBE, mestre em Economia pela London School of Economics e consultor internacional nas áreas de estratégia, inovação e criatividade. A sua palestra baseou-na na necessidade de melhorarmos a competitividade e produtividade, nomeadamente trabalhando menos, mas melhor. «Quem trabalha menos na Europa são os alemães», ilustrou Nadim Habib.

Nadim Habib falou ainda no pouco sentido de planeamento que a generalidade dos profissionais tem e no facto de a transformação digital ser composta por pequenas coisas, não necessariamente disruptivas. Basicamente, é melhorar o serviço que se presta, sem que o cliente se aperceba de toda a tecnologia que está envolvida no processo.

A previsibilidade do cliente segundo Nadim Habib, deve ser alcançada com uma relação de confiança e proximidade. Mas «mais importante que a tecnologia é entender o cliente», diz o comunicador.

 

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Jornalista especializada em TIC desde 2000, é fã incondicional de todo o tipo de super-heróis e da saga Star Wars. É apaixonada pelo impacto que as tecnologias têm nas empresas.