O estudo ‘Europe’s technology transfer landscape The current state, challenges and avenues for development of technology transfer offices‘ da Organização Europeia de Patentes (OEP) , realizado em colaboração com a Associação Europeia de Profissionais de Transferência de Ciência e Tecnologia e o Fraunhofer ISI mostra que a Europa enfrenta desafios na transformação da investigação científica em tecnologias e soluções comerciais. Assim, mais de 90% dos gabinetes de transferência de tecnologia analisados a apresentarem limitações de recursos e de capacidade de especialização.
Este relatório é «a primeira análise comparativa à escala europeia, com base em dados de mais de 800 gabinetes de transferência de tecnologia» e considera uma spin-off como «uma nova empresa criada a partir de uma organização maior (como uma empresa-mãe, universidade ou centro de investigação) para explorar comercialmente uma tecnologia, produto ou investigação específica de forma independente».
Por outro lado, a ferramenta Deep Tech Finder da instituição revela que Portugal ocupa a 15.ª posição na Europa em número de spin-offs de investigação que apresentam pedidos de patente junto da OEP. Das 53 empresas identificadas, 42 (79,2%) encontram-se numa fase inicial de crescimento, procurando transformar as suas tecnologias em produtos prontos a entrar no mercado e assegurar financiamento para expandir as suas operações. Outras três empresas (5,7%) encontram-se numa fase de expansão acelerada (breakout stage), duas (3,8%) atingiram uma fase avançada de crescimento e seis (11,3%) foram adquiridas por empresas de maior dimensão.
Em paralelo com a publicação do relatório, a OEP lançou um painel de indicadores dedicado à investigação pública europeia, que permite explorar a actividade de patenteamento por país, instituição e área tecnológica. Assim, em 2025, o INESC TEC liderou a posição nacional de organizações públicas de investigação e universidades em Portugal, com 14 pedidos de patente europeia, seguido da Universidade do Porto, com 13, e da Universidade de Coimbra, com 11. A Universidade NOVA de Lisboa (10) e a Universidade de Aveiro (9) completam os cinco primeiros lugares. Entre as principais áreas tecnológicas abrangidas pelos pedidos de patente destas instituições destacam-se as tecnologias informáticas, a engenharia, a biotecnologia e as tecnologias médicas.
O cenário na Europa
A nível europeu, as patentes com participação de universidades representam cerca de 9% das patentes europeias, um valor próximo do registado nos Estados Unidos. Actualmente, as universidades do Velho Continente são também titulares de uma percentagem muito superior das suas invenções face ao que se verificava há 20 anos. No entanto, 40,7% das patentes detidas pelas universidades europeias deixam de estar em vigor nos primeiros dez anos, face a 26,3% nos Estados Unidos.
No entanto, os pedidos de patente europeia que envolvem universidades, organizações públicas de investigação ou hospitais de investigação mais do que duplicaram nas últimas duas décadas, passando de cerca de 3200, em 2006, para quase 8000, em 2025. A Alemanha, a França e o Reino Unido continuam a liderar, mas a sua quota conjunta diminuiu de quase 64% para cerca de 55%.
Em 2025, as instituições de investigação figuravam como requerentes em cerca de 34% dos pedidos de patente europeia de origem europeia na área da biotecnologia, 29% nas tecnologias quânticas e 26% na indústria farmacêutica.
«A transferência de tecnologia é uma questão de competitividade. As universidades e as organizações públicas de investigação europeias estão na vanguarda da descoberta científica, mas os avanços da investigação têm de chegar ao mercado para gerar emprego, crescimento económico e autonomia estratégica», explica António Campinos, presidente da OEP.
O responsável avança que «é necessário reforçar a transferência de tecnologia, melhorar o acesso ao financiamento e construir um mercado único da inovação mais integrado. O estudo hoje apresentado identifica seis prioridades para ajudar a Europa a transformar a excelência da sua investigação em sucesso comercial».









