O evento anual da fabricante de Taiwan dedicado aos parceiros teve como tema ‘Ready and Recover. Evolve. From Edge AI to Total Business Resilience’ e Adrián Groba (country manager de Espanha e Portugal da QNAP), explicou que a missão da empresa é «aproximar a tecnologia do mercado para criar um ecossistema de organizações resilientes». O responsável falou ainda da escassez de discos rígidos e esclareceu como é a empresa está a ajudar os clientes a ultrapassar essa situação: «Por um lado, deixamos que o parceiro aceda á nossa lista de compatibilidade de discos certificados e recorra ao seu fornecedor de confiança. Por outro lado, dispomos de um serviço de discos com código QNAP, que podem ser adicionados ao vosso projecto».
Para Adrián Groba, esta é uma mais-valia já que são o «único fabricante capaz de prestar assistência técnica a discos rígidos HD e SSD», o que permite uma melhor gestão de preços e previsibilidade.
Os serviços pós-venda são uma das grandes apostas para 2027, sendo que além do serviço on-site e logístico no dia útil seguinte se junta o serviço 24/7. Este último «já começou a estar operacional no nordeste da Península Ibérica e, no final deste ano, espera-se que esteja disponível em todo o território. Trata-se de um serviço 24 horas, sete dias por semana com um compromisso de quatro horas de tempo de resposta. No caso de ser necessário efectuar a entrega de uma peça, o prazo de entrega será, no máximo, entre seis e oito horas», salientou o responsável.
Hardware e Software
Na sua apresentação Adrián Groba destacou ainda o QuTS hero 6.0, o sistema operativo que permite armazenamento ZFS e oferece funcionalidades avançadas de compressão, deduplicação, snapshots e imutabilidade de dados; os novos sistemas de armazenamento empresarial com arquitectura Dual Controller que oferecem redundância e quando um falha, o outro entra em acção; e novos switches com MC-LAG, como o QSW-M7308R-4X e QSW-M3224-24T, que possibilitam redundância de rede e eliminam pontos únicos de falha na conectividade. O responsável revelou ainda o QuTS hero High Availability Manager, uma solução que cria um cluster activo-passivo com dois NAS idênticos com SnapSync para sincronização em tempo-real entre eles e o QuTS MEGA com uma arquitectura de cluster de armazenamento distribuído que permite a expansão até 96 nós e mais de 180 petabytes de dados. As novidades apresentadas têm em comum o facto de terem o mesmo objectivo: ter «empresas sempre disponíveis» e sem downtime.
Adrián Groba revelou que fazer backups e ter uma cópia de segurança verdadeiramente útil e de rápida recuperação perante incidentes ou encriptação é diferente e que nem sempre as organizações conseguem fazê-lo. Para isso, a QNAP tem o Hybrid Data Protector for Business, que trabalha com workloads físicos, virtuais e de bases de dados com cópias de segurança verificadas, imutáveis e offsite.
IA e Cloud
No que diz respeito à IA, Adrián Groba falou de modelos NAS da série QI com placas gráficas integradas e destinados a operar como servidores autónomos de edge computing e inteligência artificial. No que diz respeito ao software, a empresa apresentou o QuAgent, que através da assistente Aina, permite gerir um NAS e, por exemplo «criar utilizadores, configurar permissões, gerir espaço e realizar auditorias através de linguagem natural» e a nova aplicação QOne, através da qual «será possível adicionar e gerir vários NAS em simultâneo».
Por outro lado, o country manager falou da oferta cloud da QNAP que se posiciona «como um complemento às infraestruturas on-premises, assegurando a soberania dos dados» já que se situa em data centres na Europa. O responsável referiu serviços como MyCloud Storage, MyCloud Object e MyCloud Storage Business, com valores a partir de 6 € por terabyte/mês e sem custos de transferência.

Dados e mais dados
No painel ‘Desafios e oportunidades relacionados com as últimas tendências no armazenamento empresarial de dados’, Adrián Groba defendeu que a prioridade das empresas deve ser garantir uma infraestrutura sólida e resiliente antes de se aventurarem nas novas tecnologias. «A base principal tem de ser termos capacidade suficiente e um sistema resiliente para que o que está a funcionar agora não seja destruído», referiu. O responsável alertou para a necessidade de medir o retorno financeiro e funcional dos investimentos em IA, salientando que a concepção dos projectos deve ser centrada na disponibilidade real de equipamentos e componentes e na sustentabilidade do ecossistema.
Já Pedro González (business development manager da Kingston) realçou que a escassez de armazenamento obriga a serem «criativos», a «reaprender e adaptarem-se às circunstâncias actuais», enquanto Daniel Oromi (country manager da Iberia da Seagate) disse que o armazenamento exige agora um planeamento a longo prazo entre parceiros e clientes para garantir a alocação de recursos dado que «a produção é limitada e não vai aumentar nos próximos anos». No entanto, garantiu que a empresa tem apostado na inovação, nomeadamente na tecnologia Mozaic, para garantir maior densidade e ampliar a capacidade dos discos rígidos.
O director de vendas AAPP da SATEC referiu a importância da transparência com os clientes enquanto integrador: «Como parceiros, temos de aproveitar o melhor de cada fabricante e construir uma solução economicamente viável, tendo sempre em conta aspectos como a conformidade e o orçamento do cliente». Na mesma linha de pensamento, Jordi Riu, sales manager canal IT da Riello UPS disse que é necessário «transmitir é que é preciso planear, que é obrigatório ter flexibilidade e que as sinergias entre fabricantes são fundamentais» para enfrentar os desafios da falta de discos e memórias.
Crescer no mercado ibérico
Em declarações à businessIT, Adrián Groba revelou que a QNAP cresceu em Portugal e Espanha «41% no primeiro trimestre» de 2026 e justificou os motivos para o bom desempenho apesar da escassez de componentes: «Os preços estão a aumentar, mas cada vez mais estamos a entrar em nichos de mercado que antes não conseguíamos. Estamos a fazer a concorrência onde está a maioria do orçamento a nível nacional e ibérico de armazenamento. Temos uma filosofia de proximidade com as PME e projectos enterprise, o que nos dão mais capacidade financeira para melhorar o produto e chegar com melhor tecnologia também às pequenas e médias empresas. Assim, estamos a ganhar quota de mercado a outros fabricantes de armazenamento».
Quanto a 2027, o responsável mostrou-se optimista: «Pensamos crescer e duplicar a facturação deste ano. Pode parecer um bocado impressionante, mas as previsões apontam um volume de crescimento muito importante na parte dos discos com código QNAP e isso vai forçosamente aumentar a facturação. Os clientes cada vez mais querem uma solução completa, mais ainda no segmento enterprise, e além disso há ainda a camada de serviços que temos em cima do hardware».









