A Hi Human tem como estratégia «crescer através de soluções de IA aplicadas a sectores específicos». A startup escolheu a música e a indústria para iniciar este trajecto, já que, nestas áreas de negócio, existe uma grande complexidade nos processos e uma elevada quantidade de informação.
O primeiro projecto internacional da Hi Human permitiu reduzir em cerca de 70% o tempo associado à criação e actualização de catálogos musicais. A solução desenvolvida com base em IA foi pensada para dar resposta ao desafio da gestão diária de informação sobre novos lançamentos, enviada pelas editoras através de múltiplos emails, muitas vezes com dados incompletos ou dispersos. A validação da informação, a confirmação dos direitos de comercialização por território e a organização dos conteúdos eram, até então, tarefas realizadas manualmente. A Hi Human criou uma ferramenta para interpretar as mensagens recebidas, verificar os dados disponíveis e a informação em falta e organizar os conteúdos necessários à criação do catálogo. Esta possibilita «tratar e actualizar dados de stock em volume, processando dezenas de faixas ou referências em simultâneo». Apesar da automatização, a decisão final permanece do lado das equipas, que mantêm a possibilidade de rever e validar a informação antes de esta ser disponibilizada.
Paulo Ribeiro, co-fundador da startup, explica que a IA «só cria verdadeiro valor quando passa a resolver problemas concretos das empresas» e revela a abordagem da empresa: «Queremos aplicar esta tecnologia a sectores onde ainda há muitos processos críticos dependentes de trabalho manual, para que as equipas possam ganhar tempo, reduzir erros e tomar decisões com base em informação mais estruturada».
Da música para o chão de fábrica
A especialização da Hi Human estende-se também à indústria, onde a empresa está a comercializar uma solução baseada em Value Stream Mapping (VSM). Esta metodologia é utilizada para «mapear o fluxo de produção de uma fábrica e identificar perdas de tempo, stock e capital ao longo do processo produtivo». Segundo a startup, a elaboração deste tipo de mapa pode exigir entre dois e cinco dias por produto, recorrendo a ferramentas como Excel e Visio ou a serviços de consultoria especializados em lean manufacturing. Além do tempo e dos elevados custos, esta opção tem ainda o problema de os dados poderem ficar desactualizados rapidamente.
A proposta da startup passa por ligar a solução ao ERP da empresa e gerar, em poucos segundos, «o diagrama completo do fluxo de produção com dados reais e sempre actualizados». Esta permite cruzar informação relativa «a materiais, operações, máquinas, tempos de ciclo, custos por peça, stocks e períodos de espera». As empresas podem assim ter uma visão mais imediata sobre o funcionamento da produção e identificar constrangimentos que podem passar despercebidos noutros tipos de análise. Ribeiro salienta que «a tecnologia foi pensada para empresas industriais com processos produtivos mais complexos e longos, que envolvem diferentes materiais, fornecedores e etapas, como os sectores do metal, têxtil ou de componentes».
Após o sucesso destas duas soluções, que se encontram «em fase de comercialização», a Hi Human prepara a expansão internacional com foco na Europa e «assente no desenvolvimento de parcerias locais». Para isso, a startup pretende reforçar a equipa para acompanhar esta fase de crescimento e acelerar a sua especialização em áreas com processos empresariais complexos.









