A Google anunciou o seu segundo cabo submarino a amarrar em Portugal. Depois do Equiano, que liga África ao País, agora surge o Nuvem que tem início em Myrtle Beach, na Carolina do Sul (EUA), passa pelas Bermudas e Açores e termina em Sines. A data de funcionamento está prevista para 2027. Está ainda previsto o cabo Sol, que, no próximo ano, vai ligar a Florida aos Açores e amarrar perto de Santader (Espanha). No evento, Giorgia Abeltino (directora sénior de assuntos governamentais e políticas públicas da Google Cloud EMEA) explicou que o novo cabo submarino «é um marco» que deriva da «colaboração com instituições locais e nacionais a todos os níveis». A responsável salientou que infraestrutura precisa de ser acompanhadas por investimento na «capacitação das pessoas» e fez alusão às diversas iniciativas da empresa para promover competências digitais e IA em Portugal, nomeadamente com a APDC e a DECO.
Parte da estratégia nacional
Gonçalo Saraiva Matias, ministro do Gabinete do Primeiro-Ministro e da Reforma do Estado, referiu que «cerca de 95% dos dados mundiais circulam através de cabos submarinos» e que sem isto, «não há nuvem, não há inteligência artificial, não há comércio digital, não há economia digital global». O responsável destacou que esta «infraestrutura crítica e tão vital para a prosperidade como qualquer estrada ou porto».
Gonçalo Matias realçou ainda que o Nuvem «acrescenta resiliência, criando percursos alternativos para a transmissão de dados», reduz a dependência da Europa em relação a um conjunto de corredores sobrecarregados», além de permitir «redundância» algo de extrema importância para os serviços críticos.
Por outro lado, sublinhou a importância do Nuvem para o País: «Queremos que os dados fiquem aqui, que sejam armazenados aqui, que sejam processados aqui, que gerem conhecimento aqui e que, a partir desse conhecimento, surjam investimentos e empregos altamente qualificados para os portugueses. Por isso, este cabo não é um caso isolado. É a base de algo muito mais vasto, uma estratégia nacional coerente e deliberada».
A presidente do Conselho de Administração da ANACOM, Sandra Maximiano, defendeu que a resiliência digital da Europa depende da diversidade e redundância de rotas e avançou que «Portugal está a reafirmar a sua posição como uma plataforma atlântica de confiança, segura, estável e aberta entre a Europa, as Américas e África».
Porta do Atlântico
Nigel Bayliff, director sénior de redes submarinas globais da Google, esclareceu que o novo cabo submarino faz parte do objectivo da empresa de criar «uma rede mesh» para «garantir alcance, fiabilidade e resiliência». O responsável indicou que o Nuvem vai «consolidar firmemente Portugal e Sines, em particular, como um ponto-chave para a conectividade do Sul da Europa» e como «um importante hub da Internet para a liderança em IA e a melhoria da sociedade». A MEO integra o sistema do novo cabo submarino sendo investidor e parceiro nacional da Google e Nuno Cadima (chief operations officer da empresa) avançou que este «é uma infraestrutura estratégica para responder ao crescimento da cloud, da inteligência artificial e dos centros de dados, reforçando a resiliência das comunicações internacionais». Além disso, indicou que o «investimento contribui para afirmar Portugal como uma das principais portas digitais entre a Europa e as Américas».
No final, John J. Arrigo (embaixador dos Estados Unidos da América em Portugal) falou do impacto económico do Nuvem e dos investimentos da Google e de outras empresas norte-americanas no País: «Isto é apenas o começo. Prevê-se que, até 2031, sejam investidos em Portugal mais de 40 mil milhões de dólares em tecnologia norte-americana. O que será a maior concentração de infraestruturas norte-americanas de IA em toda a Europa. Por isso, o Nuvem é um compromisso, não é a linha de chegada. Um estudo estima que só os cabos submarinos da Google irão gerar mais de 500 milhões de euros por ano para a economia portuguesa através do comércio, do investimento, da produtividade e, simplesmente, de uma Internet melhor e mais rápida para as famílias e empresas portuguesas».
John J. Arrigo realçou ainda que Portugal conquistou a confiança dos investidores devido à qualidade da sua força de trabalho, do seu ambiente regulatório, da sua geografia estratégica e da sua visão. «Quando as empresas americanas investem assim, não uma vez, nem duas, mas três vezes no mesmo país, isso não é uma coincidência. É uma empresa que está a ler o mapa do futuro e a decidir que Portugal tem de estar no centro desse mapa».









