A Experis divulgou os resultados do Tech Talent Outlook referente ao 3º trimestre de 2026 que mostra que o
sector tecnológico em Portugal continua a apresentar intenções de contratação positivas, embora num ritmo mais moderado. Esta é segunda área de actividade com as perspectivas de contratação mais fortes no País, apenas atrás de Construção e Imobiliário.
A Projeção para a Criação Líquida de Emprego nas TI fixa-se nos +32%, reflectindo, no entanto, uma redução de 18 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Segundo a empresa, este «abrandamento surge após três trimestres de crescimento nas intenções de contratação, contrariando assim a tendência de recuperação que se vinha a observar».
O estudo revela que 46% dos empregadores do segmento de Tecnologia & Serviços de IT pretendem aumentar as suas equipas no próximo trimestre, enquanto 14% antecipam ter de reduzir a sua força de trabalho e 40% esperam manter o número actual de trabalhadores.
A expansão das organizações continua a ser a principal razão para o reforço das equipas tecnológicas em Portugal, sendo apontada por 44% dos empregadores que pretendem contratar. Ainda assim, este valor representa uma descida de 8 pontos percentuais face ao trimestre anterior.
Em contrapartida, observa-se uma alteração no perfil das contratações, com a contratação para projectos específicos ou iniciativas temporárias a passar de 19% para 39% no terceiro trimestre de 2026, tornando-se o segundo principal factor de recrutamento.
Ao mesmo tempo, abranda o impacto da tecnologia como factor directamente referido pelas empresas, passando de 38% para 11%. Apesar disso, a procura de novas competências para manter a competitividade (33%) e a necessidade de preencher novas funções resultantes da transformação das competências necessárias (28%) mantêm-se elevadas e em crescimento. Entre as empresas tecnológicas que antecipam uma redução de colaboradores, a automação destaca-se como o principal motivo, sendo referida por 45% dos empregadores.
A optimização de processos para aumentar a eficiência, conduzindo à consolidação de funções, é apontada por 36% dos empregadores, enquanto 27% referem o término de projectos com e os desafios geopolíticos como motivos para a redução das equipas. No trimestre anterior, a automação já surgia entre os principais factores de redução de equipas (50%), seguida da optimização de processos com impacto na reorganização das equipas e consolidação de funções (33%), o que vem confirmar a tendência de reconfiguração nas necessidades de talento, em vez de um corte generalizado.
Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, explica que «o contexto global e a expectativa de ganhos de eficiência associados à adopção da inteligência artificial estão a levar algumas empresas a abrandar as suas intenções de contratação ou mesmo a reduzir equipas. No entanto, mais do que uma redução generalizada da procura por talento, estamos a assistir a uma alteração dos padrões de contratação. Muitas organizações continuam a integrar novo talento de forma selectiva, procurando competências que as ajudem a transformar os seus negócios, acelerar a produtividade e preparar o crescimento a longo prazo».









