O European Future Readiness Index realizado pela Roland Berger revela que, após vários anos em declínio, a competitividade na União Europeia, Noruega, Suíça e Reino Unido começa a dar sinais de recuperação.
O estudo apresentado na reunião do Fórum Económico Mundial analisa seis dimensões, e em cinco delas há melhorias. A mais significativa é o capital humano, que tem crescido de forma contínua desde 2018, impulsionado sobretudo «pelo aumento do investimento público em educação». Esta tendência reflecte-se no crescimento do número de diplomados do ensino superior e na maior presença de mulheres em cargos de liderança.
Já na sustentabilidade há uma evolução positiva acompanhando a retoma de políticas e investimentos relacionados com a transição climática. Por outro lado, na resiliência económica está a crescer «apoiada pelo aumento da despesa em defesa e pela redução gradual do endividamento das empresas», esclarece a Roland Berger.
O pilar de infraestruturas mostra sinais de recuperação, sendo que esta foi uma área muito penalizada nos últimos anos devido aos conflitos geopolíticos. Por último, a digitalização e inovação, que continuam a ser pontos críticos. Desde 2021 que o desempenho europeu nesta área tem vindo a deteriorar-se, registando apenas uma recuperação limitada em 2024, mas ainda longe dos Estados Unidos e à China. Segundo a consultora este é um aspecto que «compromete a competitividade futura do continente».
O funcionamento das instituições é a única dimensão que se manteve em declínio, o que acontece pelo aumento da dívida pública e por um enquadramento regulatório cada vez mais complexo.
A Roland Berger avança quatro áreas chave em que a Europa tem de apostar para ser mais competitiva: simplificação regulatória e redução da burocracia; aceleração da inovação e da transferência de conhecimento para o mercado; o reforço da autonomia financeira europeia, através da conclusão da união dos mercados de capitais e da mobilização de investimento privado em toda a Europa; e a melhor utilização dos dados industriais, criando condições para um acesso estruturado a dados de elevada qualidade como base para acelerar a inovação em inteligência artificial.
Pedro Galhardas, Senior Partner e Managing Partner da Roland Berger em Portugal, explica que «a Europa tem dimensão económica, base industrial e capacidade institucional para recuperar competitividade», mas que esta «continua frágil, apesar dos sinais recentes de melhoria».
O responsável alerta que «para consolidar esta evolução, é essencial manter o ritmo de reformas e investimento» e que «os desafios são significativos, mas podem ser superados com uma acção coordenada e decisiva, em particular na inteligência artificial, onde a Europa tem uma oportunidade clara para valorizar melhor os dados das empresas».









