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Red Hat Summit: o open source está a mudar o mundo

A Red Hat organizou o seu evento anual online, onde reuniu clientes e parceiros para explicar a importância do open source, mostrar de que forma pode ajudar as organizações a inovar e por que motivo esta é a estratégia para o futuro.

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Com o tema ‘Open Your Perspective’, o Red Hat Summit abriu com uma keynote do presidente e CEO, Paul Cormier, que explicou que «o futuro é aberto» e que «não é por acaso que a maior onda de computação desde a Internet, a cloud, é construída em software de código aberto».

O responsável começou por dizer que disse esta frase há mais de dez anos e que a mesma demonstra que o open source e o Linux «cumpriram a promessa de ser o motor de inovação da cloud» e que «continuarão a impulsionar a inovação e a influenciar significativamente o mundo nos próximos quinze ou mesmo vinte anos».

Paul Cormier acredita que o código aberto é futuro: «Temos novas áreas tecnológicas interessantes a serem exploradas, como inteligência artificial, computação quântica, realidade virtual, veículos autónomos, IoT e edge com open source. E é como deveria ser com tudo na vida, as melhores ideias vêm de qualquer lugar e de qualquer um, em benefício de todos. Só o modelo de código aberto, que traz colaboração entre muitas comunidades globais, pode dar-nos o poder de resolver os maiores problemas de hoje e de amanhã». Ainda sobre o que aí vem, a estratégia da empresa mantém-se e, tal como no início da pandemia, com foco nos clientes e na inovação: «Queremos continuar a fazer o que temos vindo a fazer nos últimos meses, ouvir os nossos clientes e parceiros, adaptar a nossa abordagem para satisfazer as suas necessidades e ajudá-los a usar este tempo para se modernizarem, terem mais rentabilidade e inovar».

«Quase 100% de todas as empresas da Fortune 500 usa Red Hat», revelou Paul Cormier. É o caso dos bancos comerciais, dos prestadores de serviços de comunicação, das empresas de saúde e das companhias aéreas da lista.

O CEO falou ainda de alguns exemplos em que o código aberto foi, e é, fundamental, como o desenvolvimento da Arpanet (que deu origem à Internet) e o ROS, o sistema operativo para robôs baseado em Linux, que se espera que seja usado em metade de todos os robôs, em 2024. «O ROS transformou uma indústria que era fechada e lenta e mudou-a. Acelerou a inovação ao tornar acessível a todos o código e colocando a trabalhar em conjunto programadores, engenheiros, outros utilizadores e estudantes em todo o mundo», disse. «Não é construir um produto e já está, é criar uma comunidade e uma plataforma em que todos contribuem».

Open source é a base da cloud 
Paul Cormier apontou o lançamento da primeira versão não beta do Red Hat Linux, em Maio de 1995, como um marco histórico e disse que «na altura, tal como agora, o objectivo era fornecer inovação através do sistema operativo Linux», mas que foi com «o Red Hat Enterprise Linux, que introduziu atributos empresariais ao software, que finalmente deram o salto» para ser uma solução para todo o tipo de organizações. Hoje, «90% dos líderes globais de TI dizem que estão a usar o software open source». O responsável destacou inúmeras parcerias, entre as quais as com a AWS, Google, Boston University, NTT DATA, Atos ou Microsoft.

Segundo o presidente da Red Hat, foi a tecnologia open source que permitiu a grande aceleração da cloud: «O Linux e o open source forneceram uma base consistente para as plataformas de nuvem iniciais e, hoje, continuam a ser a base para a cloud, quer privada, quer pública».

Cloud híbrida e aberta
E se há dez anos, Paul Cormier já falava de cloud híbrida aberta, o responsável realçou que, «finalmente» o mercado chegou à visão da Red Hat e «percebeu que a escolha e flexibilidade com consistência é o que as organizações realmente precisam». A cloud híbrida e aberta é, hoje em dia, parte da estratégia da Red Hat: «Sabíamos na altura e sabemos agora que todas as organizações precisam de flexibilidade para executar dados e aplicações em diversos ambientes. Nem tudo vai para a nuvem pública, seja por razões de segurança, por regulamentos de privacidade, conformidade ou outros motivos. Algumas aplicações permanecerão em data centers on premises. O nosso trabalho é proporcionar aos clientes a opção de fazerem o que é mais correcto para eles». O responsável anunciou que alguns estudos recentes mostram que a empresa típica usa oito clouds de diferentes fornecedores e que se espera que vão usar pelo menos dez nuvens nos próximos três anos. É, e continuará a ser, um mundo híbrido», referiu.

O CEO da Red Hat falou também das parcerias, explicando que além de colaborarem com os principais fornecedores globais e locais de cloud para «dar aos clientes a mesma escolha e consistência, em qualquer parte do mundo», também têm um ecossistema, cada vez maior, de integradores, vendedores independentes de software, distribuidores e fornecedores de soluções de TI que trabalham em conjunto com para «inovar e resolver os desafios dos clientes».

Quase dois anos com a IBM
Foi em Julho de 2019 que a IBM completou a aquisição da empresa de open source. Arvind Krishna, chairman e CEO da gigante tecnológica, disse que se sente «entusiasmado» por, em conjunto, estarem a trazer mais valor aos clientes e terem conseguido mais 2800 clientes para a plataforma Red Hat OpenShift». O responsável da IBM explicou ainda porque razão o facto da Red Hat ser agnóstica em relação aos fornecedores de cloud é tão importante: «Os clientes já perceberam que a cloud híbrida é o destino. Para fazer esta promessa de um mundo híbrido, a Red Hat tem de trabalhar com todos os fornecedores e esta neutralidade é essencial».

A empresa de Paul Cormier adquiriu, em Fevereiro deste ano, a StackRox, que tem soluções de segurança nativas de cloud. Arvind Krishna revelou que apoiou a compra já que considera que a «cibersegurança é o problema da década», que os «ataques só vão aumentar» e que é necessário «ter a melhor plataforma de DevSecOps que existe» no mercado para containers.

Sobre os resultados, o CEO da IBM revelou que foram positivos já que, desde que a Red Hat foi comprada, a empresa «cresceu mais cinco pontos percentuais» que anteriormente, sozinha. «Isto quer dizer que estamos a criar coisas em conjunto que os clientes realmente gostam e querem». A computação quântica foi a área que Arvind Krishna destacou para o futuro da Red Hat, do Linux e do open source. «Creio que vão desempenhar um papel importante na chegada dessa tecnologia ao mercado», disse.

Novidades no portfólio
A empresa aproveitou o evento para lançar uma série de novidades, como os novos serviços de managed cloud, o Red Hat OpenShift Dedicated é uma plataforma de desenvolvimento de aplicações totalmente gerida pela Red Hat e alojada AWS ou Google Cloud. Além disso, a empresa anunciou o Red Hat OpenShift API Management, o Red Hat OpenShift Streams for Apache Kafka e o Red Hat OpenShift Data Science. Todos têm o objectivo de assegurar uma experiência de utilização simplificada e de ajudar «a mitigar as complexidades operacionais dos ambientes TI modernos sem sacrificar a produtividade dos programadores».