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A revolução de todas as coisas

Portugal em fase de experimentação

Neste momento, segundo a IBM, os clientes no mercado português estão maioritariamente na fase da experimentação e de fazer provas de conceito que permitam, à posteriori, pensar em criar modelos de negócio rentáveis para a implementação de soluções de IoT. Paulo Coelho, IBM Portugal Offerings Director, admite, no entanto, que existem alguns clientes que registam um avanço mais rápido, uma vez que dispõem de dados mais estruturados.

«O facto de os modelos de negócio estarem pensados para melhorar alguns processos permite optimizar desde o momento inicial alguns dos actuais processos implementados».

O responsável diz ainda que se começa também a assistir a algum desenvolvimento na componente de sensores, «com algumas empresas portuguesas a desenvolverem sensores para o nosso mercado, podendo levar a demasiadas opções muito similares e a algumas dificuldades na escolha final das melhores soluções a implementar».

Modelo de negócio é um desafio 

Estamos num mercado emergente que verificou uma elevada aceleração nos últimos três a cinco anos e que vive «um momento crucial», classificou Maria de Lurdes Carvalho, vice-presidente para a Europa da área de data center e soluções industriais da Schneider Electric. «Estamos numa fase em que os clientes estão mais dispostos a adoptar novos modelos de negócio, à medida que se quebra a barreira inicial dos grandes investimentos associados a estas alterações». 

Para a executiva, a adopção de modelos de negócio baseados em IoT tornou-se um desafio, mas também uma oportunidade para mostrar novas soluções com melhores resultados. «Na Schneider, estamos muito focados em perceber como transformar essa tendência em benefício para os nossos clientes. Acredito que estamos todos de acordo que a obtenção de dados só por si não traz qualquer benefício – a pergunta que se coloca é: como serão esses dados utilizados para gerar um valor único?» 

Esta questão foi um dos “drivers” que impulsionou a empresa a desenvolver a arquitetura de sistemas de base IoT designada de EcoStruxure que visa, mais do que apenas conectar dados à cloud, através dos produtos e sensores conectados, poder alavancar tecnologias baseadas em nuvem, como analítica big data para gerar mais produtividade e eficiência no ecossistema e trazer melhorias tangíveis no dia-a-dia. 

Dificuldade em identificar necessidades 

Mas há mais desafios para além do modelo de negócio. Fernando Rodrigues, director executivo para as áreas de telco e utilities da Axians reconheceu a dificuldade na identificação das necessidades reais dos clientes para que a solução IoT proposta possa trazer um valor acrescentado ao negócio. «Da mesma forma, é importante garantir que a solução esteja alinhada com os objectivos estratégicos do cliente. Para nós a tecnologia faz sentido com o toque humano». O profissional esclareceu que cada opção de investimento que fazemos, na nossa esfera pessoal ou na vida das organizações, públicas ou privadas, deve ter um forte sentido humano, que promova o desenvolvimento da sociedade como um todo. 

O segundo desafio identificado por Fernando Rodrigues foi que a implementação destas soluções garanta a segurança e a protecção dos dados pessoais de cada indivíduo. «A abordagem de segurança deve ser global e sem deixar de fora qualquer componente do sistema, independentemente da tecnologia». 

Por último, mencionou o desafio que consiste na escolha dos parceiros mais adequados. «Uma vez que uma solução IoT tipicamente combina tecnologias de diferentes fornecedores, deve garantir-se não só a arquitectura tecnológica mais adequada, mas também a existência de competências multi-disciplinares para entregar os projectos com qualidade e dentro dos prazos estabelecidos».