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Computação Quântica já surge nos «imperativos estratégicos» da IBM

IBM computação quântica

IoT, blockchain e IA são outros das apostas apresentadas pela companhia num evento realizado no Porto.

A IBM tem bem definidos aquilo que denomina por «imperativos estratégicos»: Internet das Coisas (IoT), Blockchain, Inteligência Artificial (IA) e Computação Quântica.

E se os três primeiros têm vindo a ser “declaradamente” debatidos e extrapolados, a computação quântica “só” agora começa a entrar no âmbito comercial. Melhor: só agora empresas comerciais começam a fazer parte integrante da sua investigação.

António Raposo de Lima, presidente da IBM Portugal, adiantou num evento realizado no Porto que já há duas áreas com aplicações testadas no âmbito da computação quântica: a financeira e a automóvel. «Apostámos todas as fichas neste domínio e não temos qualquer dúvida que é por este caminho que o nosso planeta, empresas e sociedades irão seguir o seu trajecto».

Nova era cognitiva

Com esta nova disrupção tecnológica e advento da era cognitiva, criou-se agora a oportunidade para novas empresas. São as Uber e as Airbnb deste mundo, entidades sem praticamente activos nos sectores de actividade nos quais actuam e que vieram “desalojar” as empresas classicamente instaladas nestas áreas. «Os taxistas podem fazer todas as greves que quiserem, mas é inevitável, a disrupção está a acontecer. E é em todas as indústrias».

O sector financeiro é, uma vez mais, um caso flagrante, com as fintechs dotadas se capacidades para prestarem serviços que até agora eram terreno restrito das entidades financeiras.

«O que a evolução tecnológica nos veio aportar foi a capacidade dos incumbentes poderem reagir e eles próprios serem disruptores deste novo mundo digital. E é isto que está a acontecer com as plataformas inteligentes nos mais diversos domínios, como o da saúde, do retalho ou o das telco».

De quem são os dados?

Mas tudo isto, obviamente, levanta algumas questões. Se estamos a falar de dados, de quem é a propriedade e a responsabilidade desses mesmos dados? De quem é a responsabilidade de disponibilizar os algoritmos?

«Já estamos a falar de algoritmos que ajudam à tomada de decisão do piloto, do gestor financeiro, do médico e de um carro autónomo. Sim, um veículo sem condutor, cujo algoritmo vai ter de decidir se atropela o ser humano ou se desvia o carro e põe em causa a vida dos ocupantes. São estas as decisões que estão inerentes ao algoritmo. De quem é a responsabilidade? Estamos a falar de vidas humanas. De quem é a responsabilidade da terapêutica que é dada ao doente com base numa informação que é prestada por um sistema Watson?», questiona António Raposo de Lima.

Aliado a tudo isto, ou em cima de tudo isto, a segurança – a IBM regista uma média de quarenta mil milhões de incidentes diários de segurança junto dos seus clientes, sobre os quais tem de actuar. E mais perguntas: «Quem assegura que os dados pessoais não são disponibilizados a quem não deve?»

Por tudo isto, e com toda a certeza muito mais, a IBM declarou recentemente uma «carta de princípios» que diz basicamente o seguinte: a responsabilidade dos dados é dos clientes. Não é da IBM. «Não queremos que seja da IBM».

Ou seja, defende a empresa norte-americana que os algoritmos têm de ser públicos, transparentes e a decisão sobre a qual o algoritmo vai actuar tem de ser aceite, até porque há um tema subjacente de ética, que não pode ser oculta.

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Jornalista especializada em TIC desde 2000, é fã incondicional de todo o tipo de super-heróis e da saga Star Wars. É apaixonada pelo impacto que as tecnologias têm nas empresas.